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Entre aspas: Sócio da Ginco é alvo de operação que investiga fraudes ambientais

Divulgação/Polícia Civil

Redação do GD | O empresário Osvaldo Tamura, sócio da Ginco Construtora, foi um dos alvos da Operação Polygonum investiga um esquema de irregularidades no Cadastro Ambiental Rural (CAR), dentro da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema). A 3ª fase da operação foi deflagrada pela Polícia Civil nesta segunda-feira (3) para cumprir 28 ordens judiciais sendo 10 mandados de prisão, 15 de busca e apreensão e 3 sequestro de veículos.

A residência de Tamura, no Condomínio Florais Cuiabá foi alvo de um dos mandados de busca e apreensão. Conforme a Polícia Civil são investigadas de fraudes ambientais que envolvem empresários e servidores Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) que já foram alvos da operação em fases anteriores.

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Escritores contemporâneos em diálogo, por  Olga Maria Castrillon Mendes

Por Olga Maria Castrillon Mendes | Estamos diante de um fenômeno editorial em Mato Grosso, cuja festa maior se dará no próximo dia 10 de dezembro, às 19:30, na Casa Barão de Melgaço. Afinal de contas, teremos duas coleções de textos de escritores contemporâneos. A Coleção Olho d’água traz os poetas Ronaldo de Castro, Silva Freire, Santiago Villela Marques, Marília Beatriz Figueiredo Leite, Lucinda Persona e Matheus Guménin Barreto. A prosa aparece na Coleção Carandá, contemplando os escritores Eduardo Mahon, Lorenzo Falcão e Fátima Sonoda; Icléia Lima e Gomes e Aclyse de Matos. É uma iniciativa que comemora os 20 anos da Editora Carlini & Caniato, uma empresa bem mato-grossense, pois durante esses anos tem investido na produção local, muito antes da efervescência do recente panorama intelectual. Por ela, a literatura produzida em Mato Grosso adquire crescente visibilidade, mesmo à revelia de apoio institucional. No símbolo icônico dos títulos, um manancial literário e uma robusta árvore, sinalizam os novos caminhos, enfrentamentos, fontes e repositório de muitos estudos e pesquisas. Vai dar o que pensar e promete tirar o fôlego e a paz dos leitores.

Depois do projeto Obras Raras que relançou dez livros inéditos, em 2009, num esforço entre a Academia Mato-grossense de Letras/AML e a Universidade do Estado de Mato Grosso/UNEMAT, os dez títulos são um presente da Editora e seus apoiadores à comunidade leitora, num período em que clamamos por palavras e pelo poder que emana delas. Como todo livro, será motivo de questões e de possíveis respostas, além de revolucionar o mercado editorial, despertar leitores e mobilizar escritores, jornalistas e críticos. O que se espera é que, juntos, iniciativa privada, escritores e editores executem projetos que, bem operacionalizados e difundidos, como este, podem contribuir para minimizar as distâncias entre o produto cultural e o leitor. Continue Reading

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Da liberdade e seus limites, por Nilson Lage

Da liberdade e seus limitesDiga a um pobre que ele é livre; que pode, por exemplo, xingar o patrão e ir a Roma ver o…

Publicado por Nilson Lage em Sábado, 1 de dezembro de 2018

Por Nilson Lage | Diga a um pobre que ele é livre; que pode, por exemplo, xingar o patrão e ir a Roma ver o papa. Ele lhe responderá que não tem meios de fazer nenhuma dessas coisas. Se entendesse de discursos enganosos, o acusaria de cometer falácia de ambiguidade: o sentido, em português, de “pode” conjuga as noções de permissibilidade (“may”) e materialidade (“can”).
Mas nem só por esse duplo significado do verbo “poder” o uso político costumeiro do conceito de “liberdade” é uma fraude: seu vício principal é que serve para priorizar uma dimensão do homem, valorizada pela ética luterana – em prejuízo de outra, que põe em primeiro plano a construção da individualidade pelo entorno social, de modo que cada olhar do outro, do início ao fim da vida, é o espelho em que a gente se vê. Continue Reading

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Quando o tradicional se torna velho, por Eduardo Mahon

A imagem pode conter: Eduardo Mahon, óculos e barbaPor Eduardo Mahon | Todo mundo já sente na pele o que é a pós-modernidade, mesmo sem saber direito o que ela é, mesmo sem saber exatamente quando começou. Esse tempo pós-moderno é um período de mesclagem, de hibridismo, de incerteza, por um lado, e de acesso facilitado às informações, por outro. Provavelmente por isso mesmo, a ansiedade contemporânea cresça ainda mais – diante do fluxo de informações e da incapacidade de selecionar elementos para uma conclusão lógica. Dificilmente, o pesquisador vai contar com as clássicas convenções de começo-meio-fim para apreciar um fenômeno, já que os movimentos culturais estão cada vez mais interdependentes no tempo e no espaço, impossíveis de serem segmentados como se fazia antigamente. Aliás, a boa e velha lógica cartesiana nunca esteve tão desprestigiada, em tempos em que os velhos e estanques padrões científicos, cada qual organizado numa caixinha, foram misturados no enorme baú da transdisciplinaridade. Pergunto-me: qual a função do rito?, e das instituições? e do patrimônio?, nessa nova e desafiadora era pós-moderna. Continue Reading

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A inédita Luciene Carvalho de Sempre, por Eduardo Mahon

A INÉDITA LUCIENE CARVALHO DE SEMPRE (E.M)Já tive oportunidade de comentar sobre o novo ângulo que Luciene Carvalho…

Publicado por Eduardo Mahon em Quinta-feira, 15 de novembro de 2018

 A INÉDITA LUCIENE CARVALHO DE SEMPRE (E.M)

Já tive oportunidade de comentar sobre o novo ângulo que Luciene Carvalho deu ao que, até então, chamava-se “cuiabania” ou, como querem outros, “cuiabanidade”. Nos primeiros livros, a autora fez questão de desterritorializar a ação do centro para a periferia, descrevendo “tipos” que são diferentes dos consolidados no imaginário coletivo. É no Porto que as raízes da poeta estão plantadas e de lá interpreta o crescimento desordenado da metrópole, com medo, com raiva, com curiosidade. Com o novo livro – DONA – a autora ressurge mais madura, embora reafirme com clareza toda a própria trajetória. Basicamente, o livro gravita em torno da temática feminina relativa à madureza. A morte da mãe não é tratada como vazio e sim como sublimação, uma nova etapa onde os cordões umbilicais são partidos e a poeta adquire independência. O local é a periferia, o orgulho da margem, e o cultivo de uma “linhagem” que prenuncia o futuro como uma espécie de sucessão desse ângulo de percepção. Percebo isso desde a dedicatória ao “principado da Barão”, um coletivo de meninas que, na visão da autora, constituem-se a verdadeira aristocracia portense. Continue Reading

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PT, enfim, começa agir e entra com uma representação para impedir Moro de assumir ministério por causa processos no CNJ

Por Felipe Pontes | O PT entrou com uma representação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra o juiz federal Sérgio Moro em que pede que ele seja impedido de assumir o cargo de ministro da Justiça no governo do presidente eleito Jair Bolsonaro.

O partido argumenta que Moro não pode se exonerar do cargo de juiz, o que é necessário para que possa assumir o de ministro, enquanto responde a apurações disciplinares. O PT cita o artigo 27 da resolução 135/2011 do CNJ, segundo o qual “o magistrado que estiver respondendo a processo administrativo disciplinar só terá apreciado o pedido de aposentadoria voluntária após a conclusão do processo ou do cumprimento da penalidade”. Continue Reading

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Em discurso histórico, Roberto Requião, senador pelo Paraná, dá nome aos traidores da Pátria neste duro momento que vivemos

Por Roberto Requião | Lava Jato, trair a Pátria não é crime? Vender o país não é corrupção?

O juiz Sérgio Moro sabe; o procurador Deltan Dallagnol tem plena ciência. Fui, neste plenário, o primeiro senador a apoiar e a conclamar o apoio à Operação Lava Jato. Assim como fui o primeiro a fazer reparos aos seus equívocos e excessos.

Mas, sobretudo, desde o início, apontei a falta de compromisso da Operação, de seus principais operadores, com o país. Dizia que o combate à corrupção descolado da realidade dos fatos da política e da economia do país era inútil e enganoso.

E por que a Lava Jato se apartou, distanciou-se dos fatos da política e da economia do Brasil?

Porque a Lava Jato acabou presa, imobilizada por sua própria obsessão; obsessão que toldou, empanou os olhos e a compreensão dos heróis da operação ao ponto de eles não despertarem e nem reagirem à pilhagem criminosa, desavergonhada do país.

Querem um exemplo assombroso, sinistro dessa fuga da realidade?

Nunca aconteceu na história do Brasil de um presidente ser denunciado por corrupção durante o exercício do mandato. Não apenas ele. Todo o entorno foi indigitado e denunciado. Mas nunca um presidente da República desbaratou o patrimônio nacional de forma tão açodada, irresponsável e suspeita, como essa Presidência denunciada por corrupção.

Vejam. Só no último o leilão do petróleo, esse governo de denunciado como corrupto, abriu mão de um trilhão de reais de receitas.

Um trilhão, Moro!
Um trilhão, Dallagnoll!
Um trilhão, Polícia Federal!
Um trilhão, PGR!
Um trilhão, Supremo, STJ, Tribunais Federais, Conselhos do Ministério Público e da Justiça.
Um trilhão, brava gente da OAB!

Um trilhão de isenções graciosamente cedidas às maiores e mais ricas empresas do planeta Terra. Injustificadamente. Sem qualquer amparo em dados econômicos, em projeções de investimentos, em retorno de investimentos. Sem o apoio de estudos sérios, confiáveis.

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Por que vamos pagar caro – Por Nilson Lage

Por que vamos pagar caroHumberto de Alencar Castelo Branco tinha um projeto para o Brasil – tanto que uma das primeiras…

Publicado por Nilson Lage em Sábado, 27 de outubro de 2018

Humberto de Alencar Castelo Branco tinha um projeto para o Brasil – tanto que uma das primeiras medidas de seu governo foi criar o FGTS, gigantesco reservatório de recursos que logo financiaria o “milagre brasileiro”. Enfrentou forte oposição da linha dura: oficiais treinados pelos americanos para repetir slogans anticomunistas e não pensar. Morreu em um desastre de avião mal explicado, pouco depois de deixar o cargo.
O sucessor, Artur da Costa e Silva, chegou lá porque era o mais antigo. Governou em um período de forte agitação e muitas provocações – talvez entre elas o assassinato do estudante Edson Luís, que levou ao AI-5. Arrependeu-se, em seguida, e tentou, sem êxito, outorgar uma constituição que devolvesse ao país a alguma legalidade democrática. Insone e pressionado pela linha dura, enfartou.
O terceiro governante, Emílio Garrastazu Médici, liberou a carnificina. A repressão atingiu intelectuais e pessoas da sociedade. O insano Brigadeiro Luís Paulo Burnier assassinou Anísio Teixeira, Rubem Paiva e Stuart Angel, entre outros. Os mortos eram cremados em fornos de queimar cerâmica. Generalizou-se a tortura com tal amplitude e crueldade que a reação no meio militar veio com a eleição de Ernesto Geisel: sua linha de atuação, próxima da de Castelo Branco, vinha acrescida de ideais nacionalistas do grupo do General Albuquerque Lima, preterido na sucessão de Costa e Silva.
Geisel, além de levar adiante um projeto de soberania, avocou a si a repressão e logo proibiu torturas e assassinatos em repartições militares. Diante de mais dois crimes – os assassinatos de Vladimir Herzog e Manuel Fiel Filho – , demitiu o comandante do II Exército, Ednardo d’Ávila Mello, e o Ministro da Guerra, Sylvio Frota. Daí em diante, a linha dura passou a executar ações subversivas, sem ser oficialmente inculpada. É provável que tenha matado Juscelino Kubitschek (em um desastre encenado), João Goulart e Carlos Lacerda (simulando causas naturais), entre 1976 e 1977; jogou bombas e tentou uma grande operação de falsa bandeira, o fracassado atentado do Riocentro.
Restabelecida a normalidade política, o certo teria sido apurar esses crimes e punir os culpados. Em lugar disso, aprovou-se ridícula anistia, que distribuiu a culpa por todos os militares – atualmente, 444.814 federais autorizados na ativa e mais 425.348 de polícias estaduais (fora os inativos), forçando-os a se solidarizar em defesa da instituição a que pertencem.
O equívoco – irrecuperável erro estratégico – foi repetido pela Comissão da Verdade que igualou a responsabilidade política dos comandantes à culpa criminal dos executores.
O resultado é que o ponto de vista militar deixou de ser levado em conta onde deveria. A agenda progressista tradicional, que associava soberania e luta de classes, deslocou-se para abrigar as propostas identitárias e ambientais geradas e financiadas no processo da globalização (justamente para combater a luta de classes), sem limite, avaliação ou juízo crítico. Nosso povo mestiço foi ocultado: todos os que não parecem brancos passaram a ser “negros” e o Brasil importou, por esse meio, o racismo estilo norte-americano. Pior: inventaram para ele um passado de casa grande e senzala, logo saudado com entusiasmo pelos herdeiros de imigrantes fascistas do Sul do país. A tolerância consevadora de nossa tradição dissolveu-se em promoções de exibicionismo sexual e beijo gay na novela das nove. A ciência vem sendo desprezada em campanhas retóricas em que impera a meia-verdade e a mentira.
A mentira é filha do relativismo.
A toda ação corresponde reação igual e contrária, diz a Lei de Lavoisier. Daí, a linha dura, mais radical, odiosa, grosseira e servil ao imperialismo, está de volta, conduzida por cegos e empurrada por milhões de mensagens de WhatsApp.
Qualquer que seja o resultado da eleição de amanhã, vamos todos pagar caro por isso. Dependendo dela, com democracia ou sem ela; com mais ou menos recursos para nos defender.

Fonte: Perfil no Facebook do autor

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Lula: Neste momento em que uma ameaça fascista paira sobre o Brasil, quero chamar todos e todas que defendem a democracia a se juntar ao nosso povo mais sofrido, aos trabalhadores da cidade e do campo, à sociedade civil organizada, para defender o estado democrático de direito

Por Luiz Inacio Lula da Silva | Meus amigos e minhas amigas,

Chegamos ao final das eleições diante da ameaça de um enorme retrocesso para o país, a democracia e nossa gente tão sofrida. É o momento de unir o povo, os democratas, todos e todas em torno da candidatura de Fernando Haddad, para retomar o projeto de desenvolvimento com inclusão social e defender a opção do Brasil pela democracia.

Por mais de 40 anos percorri este país buscando acender a esperança no coração do nosso povo. Sempre enfrentamos o preconceito, a mentira e até a violência, e, mesmo assim, conseguimos construir uma profunda relação de confiança com os trabalhadores, com as pessoas mais humildes, com os setores mais responsáveis da sociedade brasileira.

Foi pelo caminho do diálogo e pelo despertar da consciência cidadã que chegamos à Presidência da República em 2002 para transformar o país. O povo sabe e a história vai registrar o que fizemos, juntos, para vencer a fome, superar a miséria, gerar empregos, valorizar os salários, criar oportunidades, abrir escolas e universidades para os jovens, defender a soberania nacional e fazer do Brasil um país respeitado em todo o mundo.

Tenho consciência de que fizemos o melhor para o Brasil e para o nosso povo, mas sei que isso contrariou interesses poderosos dentro e fora do país. Por isso tentam destruir nossa imagem, reescrever a história, apagar a memória do povo. Mas não vão conseguir.

Para derrubar o governo da presidenta Dilma Rousseff, em 2016, juntaram todas as forças da imprensa, com a Rede Globo à frente, e de setores parciais do Judiciário, para associar o PT à corrupção. Foram horas e horas no Jornal Nacional e em todos os noticiários da Globo tentando dizer que a corrupção na Petrobras e no país teria sido inventada por nós.

Esconderam da sociedade que a Lava Jato e todas as investigações só foram possíveis porque nossos governos fortaleceram a Controladoria Geral da União, a Polícia Federal, o Ministério Público e o Judiciário. Foi por isso, e pelas novas leis que aprovamos no Congresso, que a sujeira deixou de ser varrida para debaixo do tapete, como sempre aconteceu em nosso país.

Apesar da perseguição que fizeram ao PT, o povo continuou confiando em nosso projeto, o que foi comprovado pelas pesquisas eleitorais e pela extraordinária recepção a nossas caravanas pelo Brasil. Todos sabem que fui condenado injustamente, num processo arbitrário e sem provas, porque seria eleito presidente do Brasil no primeiro turno. E resistimos, lançando a candidatura do companheiro Fernando Haddad, que chegou ao segundo turno pelo voto do povo.

O que assistimos desde então foi escandaloso caixa 2 para impulsionar uma indústria de mentiras e de ódio contra o PT. De onde me encontro, preso injustamente há mais de seis meses, aguardando que os tribunais façam enfim a verdadeira justiça, minha maior preocupação é com o sofrimento do povo, que só vai aumentar se o candidato dos poderosos e dos endinheirados for eleito. Mas fico pensando, todos os dias: por que tanto ódio contra o PT?

Será que nos odeiam porque tiramos 36 milhões de pessoas da miséria e levamos mais de 40 milhões à classe média? Porque tiramos o Brasil do Mapa da Fome? Porque criamos 20 milhões de empregos com carteira assinada, em 12 anos, e elevamos o valor do salário mínimo em 74%? Será que nos odeiam porque fortalecemos o SUS, criamos as UPAS e o SAMU que salvam milhares de vidas todos os dias?

Ou será que nos odeiam porque abrimos as portas da Universidade para quase 4 milhões de alunos de escolas públicas, de negros e indígenas? Porque levamos a universidade para 126 cidades do interior e criamos mais de 400 escolas técnicas para dar oportunidade aos jovens nas cidades onde vivem com suas famílias?

Talvez nos odeiem porque promovemos o maior ciclo de desenvolvimento econômico com inclusão social, porque multiplicamos o PIB por 5, porque multiplicamos o comércio exterior por 4. Talvez nos odeiem porque investimos na exploração do pré-sal e transformamos a Petrobras numa das maiores petrolíferas do mundo, impulsionando nossa indústria naval e a cadeia produtiva do óleo e gás.

Talvez odeiem o PT porque fizemos uma revolução silenciosa no Nordeste, levando água para quem sofria com a seca, levando luz para quem vivia nas trevas, levando oportunidades, estaleiros, refinarias e indústrias para a região. Ou talvez porque realizamos o sonho da casa própria para 3 milhões de famílias em todo o país, cumprindo uma obrigação que os governos anteriores nunca assumiram.

Será que odeiam o PT porque abrimos as portas do Palácio do Planalto aos pobres, aos negros, às mulheres, ao povo LGBTI, aos sem-teto, aos sem-terra, aos hansenianos, aos quilombolas, a todos e todas que foram discriminados e esquecidos ao longo de séculos? Será que nos odeiam porque promovemos o diálogo e a participação social na definição e implantação de políticas públicas pela primeira vez neste país? Será que odeiam o PT porque jamais interferimos na liberdade de imprensa e de expressão?

Talvez odeiem o PT porque nunca antes o Brasil foi tão respeitado no mundo, com uma política externa que não falava grosso com a Bolívia nem falava fino com os Estados Unidos. Um país que foi reconhecido internacionalmente por ter promovido uma vida melhor para seu povo em absoluta democracia.

Será que odeiam o PT porque criamos os mais fortes instrumentos de combate à corrupção e, dessa forma, deixamos expostos todos que compactuaram com desvios de dinheiro público?

Tenho muito orgulho do legado que deixamos para o país, especialmente do compromisso com a democracia. Nosso partido nasceu na resistência à ditadura e na luta pela redemocratização do país, que tanto sacrifício, tanto sangue e tantas vidas nos custou.

Neste momento em que uma ameaça fascista paira sobre o Brasil, quero chamar todos e todas que defendem a democracia a se juntar ao nosso povo mais sofrido, aos trabalhadores da cidade e do campo, à sociedade civil organizada, para defender o estado democrático de direito.

Se há divergências entre nós, vamos enfrentá-las por meio do debate, do argumento, do voto. Não temos o direito de abandonar o pacto social da Constituição de 1988. Não podemos deixar que o desespero leve o Brasil na direção de uma aventura fascista, como já vimos acontecer em outros países ao longo da história.

Neste momento, acima de tudo está o futuro do país, da democracia e do nosso povo. É hora de votar em Fernando Haddad, que representa a sobrevivência do pacto democrático, sem medo e sem vacilações.

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Shopping Estação Cuiabá abre suas portas ao povão com 7 salas de cinema

Da AssessoriaA Cinépolis, considerada a maior operadora de cinemas da América Latina e segunda maior do mundo em ingressos vendidos, inaugura mais um complexo de cinema no próximo dia 24 de outubro, no Shopping Estação Cuiabá.

Ao todo, o projeto conta com sete salas, quatro salas tradicionais, duas salas VIP e uma sala Macro XE, totalizando 1.433 lugares, sendo que dessas, 30 vagas são para cadeirantes. As quatro salas tradicionais possuem projeção digital, sendo duas com tecnologia 3D e duas com tecnologia 2D, totalizando 866 lugares numerados, 17 vagas para cadeirantes e 08 lugares para obesos. Todas as salas têm formato stadium, poltronas reclináveis, braço removível (tipo namoradeira), óculos 3D em tamanho infantil e adulto e som digital 7.1 Surround.

Já as duas salas VIP, contam com tecnologia 3D e 2D e possuem 166 lugares numerados e seis vagas para cadeirantes. Ambas as salas têm formato stadium, poltronas de couro com comando elétrico e totalmente reclináveis, carregadores USB, braço removível (tipo namoradeira), óculos 3D em tamanho infantil e adulto e som digital 7.1 Surround. O acesso às salas contará com um lobby exclusivo e com a bombonière VIP, transformando a experiência do cinema em algo ainda mais incrível. O cardápio trará uma grande variedade de pratos VIP como o exclusivo Hot Dog feito com pão e salsicha especiais, bacon bits e cheddar importados; Boneless Chicken Tenders; Mini Hambúrguer Sliders; Mini Hot Dog com Batata Smiles; Crepes; Sanduíche de Pernil e Churros gourmet. Já as tradicionais pipocas trarão temperos exclusivos como Lemon Pepper, Doce e Salgada, além da Pipoca Mix, que permite misturar diferentes sabores e temperos.

O grande diferencial no atendimento fica por conta do serviço exclusivo dentro das salas VIP, onde os clientes poderão ser servidos em suas poltronas até o início do filme, solicitando quaisquer serviços da bombonière, incluindo os pratos VIP.

O empreendimento conta ainda com uma sala Macro XE, com 371 lugares numerados, 07 vagas para cadeirantes e 04 lugares para obesos. A sala tem formato stadium, tela gigante de 147m2, som digital com mais de 13.000 watts de potência e 7.1 canais de áudio Surround.

É uma grande satisfação inaugurar um complexo de excelência no maior shopping do Mato Grosso, o Shopping Estação Cuiabá, um espaço diferenciado que irá agregar muito em entretenimento para o povo cuiabano. Estamos entregando um serviço de qualidade e conforto que trará as principais novidades, nacionais e internacionais, da indústria cinematográfica para nossos clientes. Tudo isso aliado ao alto padrão de qualidade de nossos serviços que proporcionam as melhores experiências para nossos clientes. Estamos também trazendo para Cuiabá nossas premiadas salas VIP, onde os clientes poderão ser servidos em suas poltronas até o início do filme, solicitando quaisquer serviços da bombonière, incluindo os pratos VIP”, afirma Luiz Gonzaga de Luca, presidente da Cinépolis Brasil.

Todas as salas têm lugar marcado e a venda de ingressos estará disponível nas bilheterias, nas máquinas de autoatendimento e também pela internet, a partir de 23 de outubro. É possível consultar a programação dos filmes, trailers e promoções pelo site: www.cinepolis.com.br.

“Pensando no lazer, conforto e bem-estar dos nossos clientes,  trouxemos para capital um complexo de cinema com a qualidade Cinépolis, que conta com diferenciais na projeção, bem como sistema de som de alto impacto. Queremos proporcionar a melhor experiência em cinema para o público mato-grossense”, destaca Anderson Rondon, superintendente do Shopping Estação Cuiabá.

A programação trará as estreias nacionais e internacionais de acordo com os lançamentos do mercado, em formatos legendado, dublado, 2D e 3D. Os clientes poderão complementar a experiência dentro de salas com uma grande oferta de produtos na bombonière, incluindo combos de pipoca, bebidas e balas tematizados dependendo do filme em lançamento. Destaque especial para a pipoca salgada e doce preparada na hora, assim como produtos especiais como nachos e cachorro quente.

Serviço:

Inauguração Cinépolis Shopping Estação Cuiabá
Data: Hoje, 24/10/2018
Endereço: Av. Miguel Sutil, 9300 – Duque de Caxias, Cuiabá – MT, 78020-160.

><>Observações momentâneas, que nossa vida é observar: com o novo projeto, Cuiabá passa a contar com 30 salas de projeções, que podemos fazer até um paralelo com os 300 anos. Porém, observei, outro dia que fui ao cinema – cada vez mais raro por conta da Netflix, Prime Vídeo e Telecine Play – notei uma ausência singular de público.

Estava no Shopping Pantanal, por comodidade de distância, transporte coletivo e tem os menores preços de ingressos e promoções de meia entrada praticamente durante toda semana.

O Brasil neste momento de recessão, com desemprego em alta, não sei se Cuiabá terá tanta gente para manter as 30 salas com um mínimo de frequência para não causar prejuízos.

Tempos atrás, não muito tempo, tinha salas que cheiravam à mofo, cadeiras rasgadas e o público lá formando filas enormes, mesmo para filmes razoáveis.

Os investimentos são feitos em cima de estudos. Estudos severos, pois é muito dinheiro investido. Os estudos, lembro, foram feitos quando a economia estava bombando, emprego e salários em alta e depois do golpe tudo desacelerou, não temos como fugir dessa realidade.

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Entre Aspas: Em Paris, Ciro Gomes diz que está ‘muito cansado’ e que o Brasil ‘está doente’

Em Paris, Ciro Gomes diz que está ‘muito cansado’ e que o Brasil ‘está doente’ O pedetista foi questionado por uma brasileira enquanto andava de metrô na capital francesa O pedetista Ciro Gomes – Edmar Soares/AP   22.out.2018 às 2h00 Diminuir fonte Aumentar fonte Ciro Gomes andava tranquilo na sexta (19) com a mulher, Gisele, na estação Chatelet do metrô de Paris —até se encontrar com uma brasileira, Érika Campelo. Diretora de uma associação cultural, ela é contra a eleição de Jair Bolsonaro (PSL)

Source: Em Paris, Ciro Gomes diz que está ‘muito cansado’ e que o Brasil ‘está doente’ – 22/10/2018 – Mônica Bergamo – Folha

><>Em tempos passados votei duas vezes em Ciro, sendo uma vez após aquela desastrada declaração sobre a ‘função da mulher’ em seu futuro governo.

Acho o Ciro inteligente, sagaz, inclusive preparado para governar o país. Mas hoje acho que o Ciro é um vacilão. Vacila ao fugir do embate final, para até se qualificar numa futura eleição.

Ciro, inteligente, não foi capaz, por exemplo – por ocupar um cargozinho, no governo Lula,de perceber a necessidade de se expor politicamente com o discurso diverso do próprio PT, e não disputou a eleição na releição de Lula.

Ele teria que ir para o embate – usando as mesmas estratégias do Lula, disputar, disputar até uma hora dar certo.

Esse vácuo de três eleições (uma na reeleição de Lula, eleição e reeleição de Dilma) na minha modesta visão foi o combustível que faltou para esta eleição para quem não tem uma máquina partidária (outro caso para se pensar. A Marina criou a sua própria legenda).

O “estamos cansados” de Ciro Gomes também é uma confissão de covardia.

Lamento pelo fim político melancólico de Ciro. Termina sem estatura nenhuma.

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Bolsonaro e o Câncer terminal que estaria sendo mantido em sigilo há meses – por Jeferson Monteiro

BOLSONARO E O CÂNCER TERMINAL QUE ESTARIA SENDO MANTIDO EM SIGILO HÁ MESESQuem me conhece sabe que não sou adepto de…

Publicado por Jeferson Monteiro em Terça-feira, 16 de outubro de 2018

Por Jeferson Monteiro | Quem me conhece sabe que não sou adepto de teorias da conspiração, mas acabo de ler no twitter um relato sobre um provável câncer no trato do intestino que possui uma riqueza de detalhes e notícias que resolvi trazer para cá. As informações a seguir foram publicadas originalmente na conta @afffmulher. Todos os links estão no fim deste post.

Há rumores de que Bolsonaro, na verdade, está com câncer terminal no trato digestivo e não está bem de saúde. Fontes próximas acreditam que ele não tem saúde para terminar um possível mandato.

Desde o começo do ano, Jair Bolsonaro dá sinais de que não está com a saúde 100% para um paraquedista formado. Não, não me refiro àquelas flexões de cabeça que ele fez. Me refiro aos desmaios, passamentos, passadas de mal.

No dia 8 de fevereiro, o deputado passou mal e precisou de atendimento médico na cidade de Cascavel, no Paraná. Ele sentiu calafrios e fortes dores no estômago (guarde esta informação). Segundo informações ele teve PROBLEMAS GASTRINTESTINAIS, provocado por algum alimento (?) que teria ingerido em São Paulo, antes de visitar a cidade. Ele ficou 3 horas em observação e depois liberado. O fato aconteceu a poucos dias do carnaval, não teve muita repercussão mas alguns sites locais noticiaram o ocorrido. [Fontes 1, 2 e 3]

Já em 13 de março, o candidato Jair Bolsonaro, passou mal novamente no Aeroporto no RJ, depois de uma viagem à Rio Branco, sendo internado no Hospital Central do Exército no Rio. Diferente do primeiro incidente, este é fácil de confirmar porque o G1 falou com a assessoria do candidato que confirmou tudo. Esta notícia foi amplamente divulgada. [4]

Agora vem um fato curioso: no dia 24 de março foi publicado um vídeo de Bolsonaro no Youtube, cujo título é “URGENTE! DOENÇA DE BOLSONARO NÃO O IMPEDE DE MOSTRAR A VERDADE” (vejam aqui: https://youtu.be/_HxAwEty414). Opa! Que doença!? Você deve estar pensando “Oxe, qualquer pessoa pode colocar um vídeo dessa na internet, com qualquer título, seu idiota” Sim, é verdade. Mas cliquem no vídeo e percebam que o candidato está com uma sonda nasogástrica. Você sabe quem usa sonda nasogástrica? Quem não tem condições de se alimentar sozinho, por exemplo. Alguém com problemas no trato digestivo. Não é um procedimento feito aleatoriamente. Tem um porquê. Qual? Não sabemos. Lembra que ele foi internado duas vezes por dores no ESTÔMAGO. Então…

Não há nenhum registro público de que Jair Bolsonaro já tinha passado por um procedimento semelhante por volta de março ou abril de 2018. As notícias são datadas apenas da época da famigerada facada, mais de 4 meses após a publicação do vídeo no Youtube.

Outra coisa curiosa é que o então deputado federal cancelou vários eventos a essa época (acompanhem minha linha do tempo, estamos no final de março, começo de abril). [5] A agenda do candidato só recomeça em 27 de abril de 2018. [6] Não há nada sobre o mês de março nem no site oficial do candidato.

Eis então que surge nas redes sociais um vídeo de Jair Bolsonaro em um culto. Você deve ter se deparado com ele nos últimos dias. Um pastor clama por CURA, ou melhor MILAGRE, enquanto dois obreiros repousam as mãos sobre o ESTÔMAGO de Bolsonaro. Sim, este vídeo que está circulando e estão associando a um prenúncio da facada e a um possível livramento provavelmente é um pedido de oração para a cura da doença por parte da esposa do candidato que é evangélica. A ida ao culto ocorreu no dia 2 de maio. [Links 7 e 8]

Avançamos para o primeiro debate na TV, o da rede Bandeirantes. O debate ocorreu em 09 de agosto de 2018, Bolsonaro foi o único sentado durante toda a discussão. Guilherme Boulos Boulos, mais tarde, disse em tom jocoso que o candidato estava visivelmente dopado, sequer conseguia falar direito. [9]

No dia 06 de setembro de 2018, o atentado. A facada que aconteceu justamente no dia em que o candidato que sempre andava de colete a prova de balas, havia esquecido de usar o item de segurança. [10] Lembremos da camisa forjada com sangue [11] e toda a balela criada pelos dois lados. Temos que pensar na inconveniente conveniência deste ataque. Não esqueçamos também da saúde mental do autor do atentado [12], nem da coletiva de imprensa marcada para as vésperas do primeiro turno mas que acabou nunca acontecendo porque um deputado aliado de Bolsonaro solicitou a suspensão da entrevista e o pedido foi prontamente atendido pela justiça [13] [14] Aliás, perceberam que ninguém fala mais disso? Não acho que o episódio tenha sido uma fantasia, mas não podemos descartar a possibilidade de ter sido usado para cobrir um problema de saúde maior do candidato. E já que estamos falando de conspirações, mais uma curiosidade: Dona Aparecida, proprietária da pensão que Adélio, o autor da facada, se hospedou antes de cometer o crime, morreu 1 semana após ter prestado depoimento a PF sobre o caso (2 semanas após o atentado). [15]

Um outro fato que gerou enorme repercussão foi a mudança de hospital. Todos se lembram que uma equipe do Sírio Libanês estava a postos e foi a primeira a chegar em Minas e tinha inclusive uma UTI aérea para levá-lo a SP. Mas houve uma confusão e com a desculpa de que o Sírio era “hospital de esquerda”, ele e os filhos fizeram questão de que o ex-capitão fosse para o hospital Albert Einstein. Muito que bem, no Einstein, a cirurgia foi chefiada pelo Dr. Antônio Luiz de Macedo, ONCOLOGISTA, um dos maiores especialistas do país em câncer de intestino. [16] O médico é quem acompanha o candidato desde então.

Vale lembrar que a alta cúpula das Forças Armadas demonstra forte resistência à candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência da República. Mas a postura começou a mudar no começo deste ano sem maiores explicações. [17] E após a indicação do General Mourão como vice, a questão pareceu sanada e os militares embarcaram de vez na chapa.

Por fim, semana passada foi informado que Bolsonaro passará por uma nova cirurgia em janeiro do ano que vem. Ou seja, dias após uma eventual posse, caso ele seja o vencedor das eleições. [18] Qualquer problema que venha acontecer, nós já sabemos: o Vice assume. E o Vice dele todos nós conhecemos.

Isso tudo pode ser mais uma mera teoria da conspiração, mas me pareceu conter peças que se encaixam perfeitamente. E se houver algum vestígio de verdade nessa história é obrigação não apenas do candidato mas também de seu médico de informar o real diagnóstico à nação. Mentir ou omitir um quadro tão grave num momento tão delicado de nossa história seria um crime contra nossa democracia.

__________________________________
FONTES
1. Jair Bolsonaro passou mal e precisou de atendimento médico em Cascavel (08/02/2018 10h26) – http://umuaramanews.com.br/…/jair-bolsonaro-passou-mal-e-p…/

2. Jair Bolsonaro passou mal e precisou de atendimento médico em Cascavel (08/02/2018 10h06) – https://catve.com/…/jair-bolsonaro-passou-mal-e-precisou-de…

3. Bolsonaro passou mal e precisou ser atendido em clínica médica de Cascavel (08/02/2018 10h16) – https://cgn.inf.br/…/bolsonaro-passou-mal-e-precisou-ser-at…

4. Jair Bolsonaro passa mal e é atendido em Hospital Central do Exército no Rio (13/04/2018 21h39) – https://g1.globo.com/…/jair-bolsonaro-passa-mal-e-e-atendid…

5. Agenda de Bolsonaro deixa de fora eventos com pré-candidatos (06/06/2018 21h39) – https://www1.folha.uol.com.br/…/agenda-de-bolsonaro-deixa-d…

6. Jair bolsonaro divulga sua agenda de 27 de abril a 5 de maio (27/04/2018) – https://portalcanaa.com.br/…/jair-bolsonaro-divulga-sua-ag…/

7. Pastor orando e colocando as mãos sobre barriga de Bolsonaro – https://twitter.com/zehdeabreu/status/1051496576357687296

8. Bolsonaro No Maior Evento Evangélico Pentecostal do Brasil Gideões S.C (02/05/2018) – vídeo completo – https://youtu.be/wI0d5ZGU3u0

9. Boulos diz que Bolsonaro estava “dopado” no debate da Band (05/09/2018, 18H59) – https://www.revistaforum.com.br/boulos-diz-que-bolsonaro-e…/

10. Bolsonaro usa colete à prova de balas e tem seguranças voluntários (26/06/2018 às 07h31) – https://www.gazetaonline.com.br/…/bolsonaro-usa-colete-a-pr…

11. Campanha de Bolsonaro recria camisa com sangue e deve exibir facada (09/09/2018 04h00) – https://noticias.uol.com.br/…/campanha-de-bolsonaro-recria-…

12. Laudo psiquiátrico aponta insanidade mental em agressor de Bolsonaro (01/10/2018 09:55) – https://www.correiobraziliense.com.br/…/laudo-psiquiatrico-…

13. Urgente: TRF-3 suspende entrevistas com Adélio Bispo (27/09/2018 20:49) – https://www.oantagonista.com/…/urgente-trf-3-suspende-entre…

14. Deputado vai à Justiça para impedir entrevistas de agressor de Bolsonaro (21/09/2018 às 13:55) – https://paranaportal.uol.com.br/…/deputado-vai-a-justica-p…/

15. Morre dona da pensão em que Adélio se hospedou (21/09/2018 16:20) – https://www.oantagonista.com/…/morre-dona-da-pensao-em-que…/

16. Dr. Antonio Luiz Macedo (site Albert Einstein visitado em 17/10/2018 às 02:50) – https://www.einstein.br/…/entrevistas/dr-antonio-luiz-macedo

17. Cai resistência a Bolsonaro no Exército (17/01/2019 05:00) – https://politica.estadao.com.br/…/geral,cai-resistencia-a-b…

18. Nova cirurgia de Bolsonaro deve ser realizada em janeiro, diz médico (11/10/2018 05:00) – https://politica.estadao.com.br/…/eleicoes,nova-cirurgia-de…

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A tragédia dos mil e um erros – por Nilson Lage

Por Nilson Lage | A pergunta que interessa à História é: – Onde o Brasil errou?

A lista é extensa. Começa na década de 1950, quando o país não soube defender sua indústria cultural – as produtoras de cinema e gravadoras de músicas; prossegue com a omissão diante do Ibad, antes da eleição de 1960, e, anos depois, com a preservação do parlamento que a agência subversiva comandada por Ivan Hasslocker elegera por via da corrupção eleitoral; ou, na década de 1970, quando dinheiro público financiou a montagem do oligopólio centralizado e privado de mídia.

O colar é extenso. Mais importantes, porém, são os erros continados, constanters. Dentre eles, destacam-se a ingenuidade geopolítica e a ignorância estratégica.

O que terá levado o governo brasileiro a imaginar que a mais poderosa, cruel e farsante potência imperial da História toleraria a aliança de um país vassalo com Rússia e China, seus demônios eleitos? Ou admitiria que esse mesmo vassalo, ocupando extenso e rico território, acrescesse gigantesca província petrolífera a seu potencial agrícola, relevante para a segurança alimentar dos povos do Oriente?

Em 2003, quando cruzei no Rio de Janeiro, onde estava de passagem, com dois conhecidos de outros tempos – imigrados para os Estados Unidos com bolsas e favores do governo americano –, desconfiei, pela primeira vez, de uma conspiração em curso. Pareceu-me que um deles viera, como antes, ouvir e informar sobre conversas de intelectuais cariocas ligados à esquerda brasileira; o outro, mais qualificado, procurava automóveis com mudança automática e ficou triste em saber que não se fabricavam aqui: trazia recursos e apoio técnico para congregar competentes jornalistas em torno do projeto de intenso “combate à corrupção” do governo de Lula da Silva – uma espécie de linha auxiliar da política das empresas de mídia há muito cooptadas pela central que funciona em Miami, a SIP – Sociedad Interamericana de Prensa.

Os órgãos de segurança institucional do Brasil não viram – porque não quiseram ver, provavelmente foram infiltrados para isso – o trabalho de organização dos blackblocs e da estrutura jurídica de suporte que os apoiou; ignoraram a intensa movimentação de agentes subordinados a uma embaixadora especializada em golpes latino-americanos com experiência anterior em Honduras e no Paraguai; assistiram à construção de pontes entre a conspiração de matriz externa e grupos fascistas no Sul do país, latifundiários gulosos de terras, milícias de policiais e remanescentes de militares da linha dura; não moveram uma palha quando o processo de criação dos institutos (Ibad e Ipes), que antecedeu o golpe de 1964 – reeditou-se no Instituto Millenium e seus satélites vinculados à militância dos ultraliberais adeptos de Hayek e de Von Mises.

Só os tolos acreditariam em democracia sustentada pela autoridade moral do estado de direito; ou garantida pela pureza republicana de uma Justiça corrompida e covarde como a brasileira – os tolos e os idealistas. Alguns desses dão aulas em universidades locais. Leram os bons autores do passado e os repetem, com eventual criatividade; tendo estudado em Paris, Londres ou Boston, costumam imaginar que aqui é como lá.

Pelo contrário: o Brasil é um país periférico, de classes sociais separadas por muros invisíveis e de regiões que não dialogam uma com a outra porque só se ouve a matraca de São Paulo. A cultura da elite brasileira é cosmopolita, nórdica e moderninha: o povo, mestiço, crédulo, tolerante em sua prática e conservador nos costumes.

Digamos que o conjunto dos erros se resume em múltiplo colapso comunicacional.

A tragédia dos mil e um errosA pergunta que interessa à História é: – Onde o Brasil errou?A lista é extensa. Começa…

Publicado por Nilson Lage em Sábado, 13 de outubro de 2018

Fonte: Facebook do autor

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Neste momento chove em Cuiabá. Para celebrar, um poema que fala ‘chuva’:

Nada é para sempre

Nada é para sempre
inclusive a manga verde
que um dia ficará perpitola
e um guri faminto
vai passar a mão

 

Nada é para sempre…
A manga rosa
também será saboreada
quando chegar a chuva
da temporada

 

Nada é para sempre…
– A mangueira, resultado
de uma semente,
treme ao vento.

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Agora estamos sem a escritora Zibia Gasparetto, desencarnou aos 92 anos

A escritora Zibia Gasparetto – Biblioteca Santos Dumont/Governo Santa Catarina

Agência Brasil | Desencarnou nesta quarta, 10, aos 92 anos, em São Paulo, a escritora Zibia Gasparetto. Ela lutava contra um câncer no pâncreas. O enterro será às 15h no Cemitério de Congonhas. O velório começa de manhã. Há cinco meses, ela perdeu um dos filhos, o apresentador Luiz Gasparetto, de 68 anos, que morreu de câncer no pulmão.

Em 68 anos dedicados ao espiritismo, Zibia Gasparetto publicou 58 obras e teve mais de 18 milhões de livros vendidos. Os livros dela fazem uma espécie de ponte entre os vivos e os que já morreram. Nas redes sociais, a equipe da escritora confirmou a morte.

“O astral recebe com amor uma de suas representantes na Terra.”, diz o texto. “Zibia Gasparetto, 92 anos, completou hoje sua missão entre nós e parte para uma nova etapa ao lado de seus guias espirituais, deixando uma legião de fãs, amigos e familiares, que foram tocadas por sua graça, delicadeza e por suas palavras sábias.”

Em várias entrevistas, Zibia Gasparetto dizia ser médium consciente, quando recebia mensagens como se fosse alguém a sussurrar no ouvido dela sobre o que deveria ser escrito. Ela costumava escrever quatro vezes por semana, utilizando o computador.

“Esse legado será eterno e os conhecimentos de Zibia sobre as relações humanas e espirituais serão transmitidos por muitas e muitas gerações. Ela segue em paz ao plano espiritual, olhando por todos nós”, diz a equipe da escritora.

Edição: Renata Giraldi

Source: Morre, aos 92 anos, a escritora Zibia Gasparetto

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Das páginas do facebook: As valiosas Bugigangas de Divanize Carbonieri

AS VALIOSAS BUGIGANGAS DE DIVANIZE CARBONIERI(Eduardo Mahon)Em qualquer inventário, sobretudo o literário, importa…

Publicado por Eduardo Mahon em Segunda, 8 de outubro de 2018

AS VALIOSAS BUGIGANGAS DE DIVANIZE CARBONIERI
Por Eduardo Mahon | Em qualquer inventário, sobretudo o literário, importa tanto saber o que está arrolado, quanto o que está esquecido. É que o que o autor não diz pode ser mais importante do que a própria escrita. Esse tipo de arrolamento é prazeroso em autores que escondem propositalmente a intenção, ou ainda, escondem-se nas palavras. Talvez tenhamos aí um bom termômetro para mensurar a densidade de uma obra e, por isso, quero destacar a poeta Divanize Carbonieri que pipocou pronta para o consumo nacional, temperada com sal e pimenta, nas duas obras publicadas recentemente pela Editora Carlini e Caniato – Entraves e Grande Depósito de Bugigangas.
Os títulos são complementares, não coincidentemente. Há uma estrutura que sustenta a lógica autoral – não existe um depósito de bugigangas que não sejam, de certa forma, entraves. O entrave é o que atrapalha, impede, obstrui. Pode ou não ser uma bugiganga. Sendo ou não, o que importa é que Divanize quer cantar o excesso acumulado, colocando o subjetivo e o objetivo no mesmo patamar de quinquilharias. Ocorre que, em meio a tanta coisa inútil que incomoda e está confusamente superposta, a autora esconde uma ausência – e é aí que a poesia torna-se maior. Pergunto: como a poeta faz caber em si tanta coisa?
Divanize começa o poema Inventário (em algum momento, em meio à montanha de itens poéticos, a mania de listagem iria surgir) referindo-se à desimportâncias tão caras a Manoel de Barros: “um inventário de/ pequenas coisas/ cachos de açucenas/frascos de alfazemas/ caixas de brinquedos/ bonecas e bodoques”… e termina por negar-se à faxina: “poucos são os badulaques/ realmente necessários/ mas dispensá-los/ é uma sabotagem/ para o espírito/ inventariante e/ catalogador”. O discurso da eficiência é descartado pela poeta. Ela é uma acumuladora de memórias, de sentimentos, de impressões. Romântica? É muito provável. No ato acumulativo, a sobrevalorização do passado, a conservação próxima dos antigos significados, a resistência por desembaraçar-se de velhos hábitos são práticas comuns.
Na rica linguagem de Entraves, Divanize enumera toda a sorte de “embaraços”: flores pisadas, homens de terno, animais vagabundos, guarda-roupas e mesmo paquidermes de toda a sorte. Chama particular atenção como a poeta enxerga o corpo obeso do paquiderme, ele mesmo mais um entrave entre tantos outros. A composição Paquiderme é repleta de duplos sentidos, enriquecida por um vocabulário denotativo: “a pele do paquiderme/ padece na secura do deserto/ ranhuras prenhes de pó/ sulcos desenhados como/ quadrados na epiderme/ enquanto pasce ressequidos/ ramos sem se impacientar/ em súbita e sibilante sequência/ na sediciosa intempérie/ uma tempestade de areia/ delineia-se diante dele/ sente o impulso de desertar/ mas empaca apalermado/ tomado de paralisia suicida/ permanece parado e quieto/ em pouco tempo se alquebra/ enterrado no granito cristalino/ sucumbe na grande estrutura/ arquitetônica de seu corpo/ uma catedral de carne rota”.
É comum observar a relação entre as contradições do vazio e cheio – tudo se transforma: a pele em piso, o osso em ogivas e o corpo, em igreja. O jogo travoso entre a proximidade vernacular – epiderme, paquiderme, apalermado, intempérie – causa admiração pela erudição da autora. O binômico deserto/desertar também soma qualidade estética ao entrave vocabular e estético de Divanize Carbonieri. Nesse mesmo sentido, a pele é um tema recorrente. No poema Entraves, por exemplo, “um talho rasgado em plena epiderme/ não é qualquer falha de caráter que torna/ arrastado o existir por entre trastes/ é o completo sequestro da sanidade/ que arruína para sempre toda a chance/ de se desentulhar os últimos entraves” e, também em Riscos: a pele não é mais pintada nem riscada/ sua aspereza não se dá pelo sulcos/ arranhados por poucos espinhos e ossos”. Por fim, cito um trecho de Mestiça: “cicatriz herdada/ bordada na epiderme/ o verme que devora/ rememora o ancestral/ espectral ascendente/ resplandecente rama/ da trama antiga”. Finalmente, pinço do poema Lacuna: “a tez do tecido igual ao tema urdido/ da derme rota dessa menina morta”. Percebe-se a obsessão com a comparação entre pele e morte.
Chamo atenção para o “jogo travoso” de Divanize porque quase todas as composições são hostis à primeira leitura. É como os “tigres tristes atravessando o trem das três” ou “o rato roendo a roupa do rei de Roma”. Os entraves começam na linguagem truncada, abusando de proparoxítonas: súbito, decúbito, espírito, moléstia etc. Vai truncando, truncando até chegarmos no violento poema Úvula: “ululando/ a úvula/ uma válvula/ volátil/ da voz/ lamentosa/ o látego/ do grito/ regurgitado/ gira e atinge/ três/ tons/ timbres/ brados/ brutos urros/ roucos/ rosnados/ o couro/ cru da/ dor”. E também no poema Gatas do qual seleciono um trecho: “tigradas/ tricolores/ chitadas/ ciciando/ no colo preguiçosas/ esticando/ as garras/ estreitando/ as presas/ sorrateiras/ no assoalho das casas/ cascalho/ areia/ saltando nos galhos/ das goiabeiras”. Ainda: “mulher é a trava/ ataviada/ travestida/ avestruz/ atroz”.
Toda essa riqueza de entraves poéticos, estorvos fonéticos, de inutilidades subjetivas, esse entulho cuidadosamente inventariado por Divanize Carbonieri (vide o poema Utensílios), quer esconder uma falta – a falta do amor. O que sobra inevitavelmente sublinha o que falta. No Grande Depósito de Bugigangas, é possível rever os gatos, os utensílios, as roupas, as fotos, um conjunto sufocante. Mas, entrelinhas, a poeta acaba por se confessar: “muito eu amei/ como se animada/ por uma mania”, do poema Melodia. Ou ainda: “cumpre-se o fado/ admirável sina/ de dardejar/ o alvo que se quer/ sobejamente amar”. No poema Empório, a poeta arrola “desse grande depósito de bugigangas/ilusões empoeiradas à escolha/ de todos os catadores de destroços/ que emprestam seus esforços/ para a recolha dos cacos de sonhos”. Tantos trastes colecionados podem ser decepções que se colecionam em cartas extraviadas, em fotos amarelecidas, em pequenas lembranças opacas.
Já no final do segundo livro, Divanize entrega-se completamente: “um formidável espécime/ pusilânime caráter/ energúmeno exemplar/ imprestável indivíduo/ um infame mequetrefe/ matusquela infantil/ um cafajeste sem par/ errante meliante/ um patife de marca maior/ um amante/ amado cada vez mais e melhor”. Importante sublinhar o “matusquela infantil” e contrapor essa expressão de desejo/rejeição com o poema Corpo: “corpo é empecilho/ um castigo/ no meio uma chaga/ encharcada/ uma parelha errada/ para o macho/ menor na estatura/ piorada por todo o lado/ pelo corpo se mensura/ a capacidade/ dimensiona-se o préstimo/ e a utilidade/ com o corpo/ faço um pacto/ de ser amotinada/ desengonçada/ desgraçada/ escapando ao corpo/ posso ser de verdade”.
Na poesia de Divanize Carbonieri há muitos empecilhos contemporâneos. O corpo é o maior deles, sem nenhuma dúvida. Sua relação com outros corpos, com o espaço exíguo, com a vida e com a morte, faz do corpo o protagonista (talvez antagonista) da pós-modernidade, onde se pode riscar, traçar, tatuar, compor, recompor, fustigar, identificar. É provável que a própria Divanize inclua-se nesse grande depósito de bugigangas, no mais das vezes como um entrave, ela que incorpora o espaço de acumulação e preenche esse enorme vazio que há em todo grande poeta.

Eduardo Mahon é escritor.

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O Voo da Águia, artigo de José Antônio Lemos

Por José Antônio Lemos | Neste domingo do primeiro turno das eleições o Facebook trouxe uma foto e um comentário sobre o “Monumento Ulysses Guimarães” na avenida do CPA lembrando sua construção na gestão do prefeito Dante de Oliveira e que simbolizaria “a ação metafórica de uma Águia voando em direção à região norte do Estado de Mato Grosso, onde por certo está e estará ocorrendo o desenvolvimento, principalmente o econômico financeiro e ainda a miscigenação das culturas que para cá vieram…” Oportuna a lembrança justo na semana em que a Constituição Brasileira completava 30 anos e exato no dia da realização uma das eleições mais importantes e difíceis já realizadas no Brasil.

O monumento, hoje bem degradado, projetado com o colega Ademar Poppi, suscita algumas interpretações, umas lúcidas como esta da postagem, outras jocosas como a que dizia que o marco de fato apontava para o Palácio Paiaguás que seria o alvo político do então prefeito. Lembro também de uma tipo mundo-cão que via os círculos concêntricos em pedra portuguesa (não mais existente) em volta do monumento como se fossem ondas circulares no mar em torno do rabo semimergulhado do helicóptero em que faleceu o grande político brasileiro. Criatividade.

Mas, de fato o monumento foi proposto por Dante de Oliveira como uma homenagem a Ulysses Guimarães, o político fiador do processo de redemocratização do Brasil e de sua nova Constituição. Foi idealizado como expressão simbólica da transição entre o período militar e a democracia que se instalava no país. O partido arquitetônico foi então uma águia, uma ave forte, valente, criada pelo renomado escultor Nikos Vlavianos, simbolizando a democracia alçando seu voo no Brasil, um voo que se pretendia cada vez mais alto, livre, seguro e verdadeiro, como pretendemos até hoje. Uma vez aprovado o partido era preciso que ele tivesse uma direção, um rumo determinado e escolhemos o Norte, o marco zero da bússola, a partir do qual todas as direções se orientam.

Mais que agradável, a referência ao também chamado “Monumento à Democracia” neste momento é muito oportuna pois enseja uma avaliação de a quantas anda nossa águia democrática em seu tão acalentado voo alçado a cerca de três décadas atrás. Em especial agora em que acaba de ultrapassar um momento de enorme turbulência sendo bombardeada por todos os lados, à esquerda e à direita, talvez a maior barreira de fogos que já tenha enfrentado dentre os diversos momentos de risco que enfrentou. A morte de Tancredo, a posse de Sarney, os impeachments de Collor e Dilma foram momentos em que a democracia se mostrou suficientemente forte para resistir e resistiu, ainda que enlameada pela a corrupção que vinha se generalizando e se generalizou plenamente. No início de 2018 a agenda das enormes dificuldades para o ano já se mostrava lotada em especial com o julgamento em segunda instância do ex-presidente Lula e seus graves desdobramentos e também com as eleições previstas para outubro que já se prenunciavam em tons de radical polarização. Tudo isso envolto em um ambiente de forte desemprego. Porém, além das previsões vieram o escândalo da JBS e a greve dos caminhoneiros. Muito difícil. As chances da nossa águia da democracia ser abatida tornaram-se então enormes.

Eis que em meio à tormenta surge uma força de alento com pesquisa Datafolha constatando o apoio à democracia por 69% da população brasileira, número jamais alcançado no Brasil, nem mesmo durante as primeiras eleições após a redemocratização, quando se instalou em Cuiabá a águia de bronze que lembramos hoje a alçar seu voo democrático em nosso país. Ainda que chamuscada, ferida, enlameada, a grande ave valente persiste em seu voo e vai vencendo os obstáculos.

JOSÉ ANTONIO LEMOS DOS SANTOS, arquiteto e urbanista, é conselheiro do CAU/MT e professor universitário aposentado.

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Meu nojo, por Ricardo Gondim

Por Ricardo Gondim | Na noite do primeiro turno das eleições de 2018 escrevi que estava com nojo do segmento evangélico que apoiou o “coiso”. Recebi algumas mensagens de apoio e, logicamente, milhares de críticas. Não retiro uma só letra do meu tuíte. Explico:

  • Fui vítima da ditadura de 1964. Meu pai, um homem honrado, honesto, trabalhador e gentil padeceu cadeia e tortura. Ele foi preso na madrugada entre 31 de março e 1 de abril. Minha mãe, grávida de gêmeos, agonizou por meses. Resultado: uma dos bebês morreu; e os traumas perduraram por décadas. Os horrores se multiplicaram. Eu era adolescente. Me recordo, entretanto, em mínimos detalhes, o que significa viver sob censura, medo, pânico.
  • Sou cristão e não posso admitir que a mensagem bela e nobre de Jesus seja raptada por um sujeito vil, que advoga metralhar, perseguir, ou medir outras pessoas por “arrobas”. O “coiso” se coloca, diametralmente, contrário a tudo o que preguei, ensinei, vivi. Ele não cabe no evangelho que aceitei desde minha adolescência. Seu discurso é abertamente racista, abertamente misógino, abertamente preconceituoso. O ex-capitão não tem valores familiares, não possui conteúdos éticos e nunca mostrou caráter suficiente que possa defender a moral cristã.

Senti tristeza e desânimo nas véspera do primeiro turno. Minha desilusão se misturou a um enorme  desencantamento. Doeu notar que gastei meus melhores anos malhando em ferro frio. Me esforcei para ensinar, depois de muito estudo, muita oração e muita dedicação, o que entendo sobre a vida, o exemplo e a mensagem de Jesus. Vi que não consegui. A esmagadora maioria dos crentes com quem lidei a vida inteira bandeava para uma pessoa que considero asquerosa.

Estou disposto a recomeçar na vida, no ministério e na igreja em que sou pastor. Não me importo de reiniciar a partir de um punhado de pessoas. Não tenho medo da pobreza e do anonimato. Se necessário vou para as margens, para o exílio ou para as montanhas. Mas, jamais, em tempo algum, em qualquer hipótese, apoiaria o “coiso”; sequer passaria a mão na cabeça de quem o considera digno do voto.

Soli Deo Gloria

Source: Meu nojo | Ricardo Gondim

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Atenção devedores com nome no SPC e Serasa: Haddad diz estar aberto a incorporar propostas de Ciro

Por Camila Maciel , da Agência Brasil | O candidato à Presidência da República pelo PT, Fernando Haddad (PT), disse nesta terça, 9, em São Paulo, que está aberto a incorporar propostas de Ciro Gomes (PDT), terceiro lugar no primeiro turno, em seu programa de governo. Ele falou sobre o assunto após participar de reunião com governadores da Região Nordeste em um hotel na zona sul paulistana em que discutiu estratégias e propostas para a campanha.

“Eu conversei com o Roberto Mangabeira Unger [representante de Ciro] e disse a ele que estaria aberto a incorporar propostas que fossem compatíveis com os princípios [do PT]. E não há incompatibilidade entre os programas”, disse o candidato. Haddad destacou ainda que as diretrizes dos programas são similares, entre elas: soberania nacional, soberania popular, direitos trabalhistas e direitos sociais. “Enfim, os dois programas estão muito afinados”, acrescentou.

Entre os governadores eleitos ou reeleitos presentes estavam Wellington Dias, governador do Piauí; Camilo Santana, governador do Ceará; Rui Costa, governador da Bahia; Flávio Dino, governador do Maranhão. Gleisi Hoffmann, presidenta do PT, e Jaques Wagner, senador eleito pelo PT na Bahia também participou. Wagner passou a integrar a coordenação da campanha. Amanhã (10), segundo Haddad, o PT irá se reunir com governadores do PSB, partido que oficializou hoje (8) apoio ao petista.

Segundo Haddad, durante a reunião com os governadores, foram discutidas propostas “sensíveis ao Nordeste”, como a questão da segurança pública e da saúde. “A Polícia Federal vai passar a atuar no próximo governo contra o crime organizado nacionalmente. A ideia é que nós avancemos no programa que foi apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral [TSE] com a ideia de que parte grande do crime hoje tem organizações nacionais”, apontou. No tema da saúde, ele disse que vai criar policlínicas para oferta de serviços de especialidade e cirurgias eletivas.

“Aceno ao mercado”

Questionado sobre um possível aceno ao mercado, Haddad disse que a profissão de professor lhe rendeu a capacidade de rever posições. “Um professor que não seja curioso e nem generoso está na profissão errada. E essa característica me faz todo tempo rever posições, aprender com debate”, declarou.

Ele acrescentou que o partido vem, inclusive, reformulando o plano de governo, como fizeram no tema de uma nova Constituinte. “Deixamos claro que faremos a reforma da Constituição por emenda constitucional. Não tenho nenhum problema com isso. Isso é uma maneira de dizer para a sociedade que nós estamos aqui para aperfeiçoar o nosso programa”, apontou.

Já Jaques Wagner, por sua vez, foi mais duro sobre possíveis declarações do candidato para acalmar o mercado financeiro. “Nós não podemos interferir. Se o mercado escolheu o [Jair] Bolsonaro [do PSL] como o seu candidato, nós queremos que o Haddad seja o candidato do povo brasileiro”, afirmou, acrescentando que é legítimo o mercado dizer quem quer como presidente, mas que “vai ter que conviver com quem for eleito”.

Gratidão

Em entrevista à Rádio Guaíba, do Rio Grande do Sul, Haddad descartou hoje a possibilidade de se afastar do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso desde abril em Curitiba. A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) disse que Lula pediu que Haddad se dedique mais à campanha e deixe de visitá-lo. Porém, ele avisou que: “Não cospe no prato que come”.

Para o candidato, o ex-presidente é uma referência para todos. “Lula é um grande líder e foi o melhor presidente que o país já teve. O Brasil teve bons presidentes, mas ele foi o melhor. Nessa condição, ele pode contribuir muito.”

Ao ser questionado se manterá atenção aos conselhos de Lula, ele reiterou sua lealdade ao ex-presidente.

“Eu não cuspo no prato que eu comi e jamais farei isso”, afirmou o candidato. “Outra coisa é que eu não compartilho com injustiça mesmo que eu fique sozinho. Se eu ficar sozinho defendendo uma posição justa, eu prefiro do que ficar com 100% defendendo uma posição injusta. Eu só cheguei ao segundo turno por defender o projeto que Lula representa.”

Para Haddad, a sociedade como um todo tem uma cota de responsabilidade sobre a democracia e a liberdade. Segundo ele, tem três semanas para defender o projeto que ele acredita: do bem-estar do Estado, preservando os direitos e buscando melhor qualidade de vida. “Estou muito disposto a brigar pela vitória.”

Fonte: Haddad diz estar aberto a incorporar propostas de Ciro | Agência Brasil

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Catorze partidos perdem direito ao Fundo Partidário e ao horário gratuito

Sem cumprir a cláusula de barreira, 14 partidos perdem acesso ao horário eleitoral gratuito – Arquivo Agencia Brasil

Por Luiza Damé, da Agência Brasil | Dos 35 partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 14 não atingiram a chamada cláusula de desempenho e vão perder, a partir do próximo ano, o direito de receber recursos do Fundo Partidário e participar do horário gratuito de rádio e televisão. Dessas siglas, nove elegeram deputados federais, mas não conseguiram atingir o mínimo de votos ou de eleitos para a Câmara, em todo o território nacional, como é exigido pela Constituição.

Foram atingidos pela cláusula de desempenho: PCdoB, Rede, Patri, PHS, DC, PCB, PCO, PMB, PMN, PPL, PRP, PRTB, PSTU e PTC. O dispositivo atingiu os partidos da candidata a vice-presidente na chapa de Fernando Haddad, Manuela d’Ávila (PCdoB), e do candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro, General Mourão (PRTB). Neste ano, o Fundo Partidário chegou a R$ 888,7 milhões. Em ano eleitoral, há ainda o Fundo Especial de Financiamento de Campanha, que em 2018 foi de R$ R$ 1,7 bilhão.

A cláusula de desempenho toma por base a votação para a Câmara. São duas regras: perderão o acesso ao fundo e ao horário partidário, entre 2019 e 2023, as legendas que não conseguiram, nestas eleições, uma bancada de pelo menos nove deputados federais em nove unidades da federação ou pelo menos 1,5% dos votos válidos distribuídos em um terço das unidades da federação, com no mínimo 1% em cada uma delas.

Para o analista político Antônio Augusto de Queiroz, diretor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), a cláusula de desempenho tem aspectos positivos e negativos. “De um lado, evita os chamados partidos de aluguel que, sem chances de eleger ninguém, vendiam o espaço no horário gratuito. De outro, prejudica partidos tradicionais e ideológicos, como o PCdoB, que perdem o horário gratuito para divulgar sua doutrina e os recursos para fazer campanha”, disse.

Eleitos

Neste pleito, 31 deputados foram eleitos por partidos que não atingiram a cláusula de desempenho. O PCdoB elegeu nove deputados em sete estados – dois na Bahia, dois no Maranhão, uma no Acre, uma no Amapá, uma no Rio de Janeiro, um em Pernambuco e um em São Paulo. Não chegou, portanto, ao mínimo de nove unidades da federação. O PHS elegeu seis; o Patri, cinco; o PRP, quatro; o PMN, três; o PTC, dois; o PPL, a DC e a Rede elegeram um cada.

Esses deputados podem mudar de partido a qualquer momento sem risco de perder o mandato. Porém, a cláusula de desempenho não prejudica o funcionamento dos partidos na Câmara, que mantêm o direito de encaminhar as votações, informando a posição das bancadas, e de ter liderança ou representação. A tendência, segundo Queiroz, é que os parlamentares busquem outras legendas para garantir maior visibilidade política, reduzindo o número de partidos na Câmara.

A cláusula de desempenho vai aumentar progressivamente até 2030, quando os partidos terão de conquistar 3% dos votos válidos para a Câmara, distribuídos em um terço das unidades da federação, com no mínimo 2% em cada uma delas, ou eleger no mínimo 15 deputados federais em nove unidades da federação.

No próximo pleito, em 2022, por exemplo, os partidos precisam atingir 2% dos votos válidos para a Câmara, em nove unidades da federação, com um mínimo de 1% em cada uma delas, ou eleger 11 deputados federais em nove unidades da federação.

Edição: Nádia Franco

Source: Partidos perdem direito ao Fundo Partidário e ao horário gratuito

><>A cláusula de barreira é uma das formas para reduzir o grande, enorme número de partidos no Brasil. Aos poucos a política partidária será depurada.

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Um dos entraves ao urbanismo no Brasil é a discrepância entre seu horizonte de planejamento de 20 a 30 anos e a gestão política atual que não consegue enxergar além das eleições, a cada 2 anos

20 anos atrás, 20 na frente

Por José Antônio Lemos | No último dia 30 de julho o jornal O Globo trouxe matéria sobre o Plano Diretor Estratégico de Desenvolvimento Urbano Integrado da Região Metropolitana do Rio (PDUI) abordando algumas de suas principais propostas para mudanças no padrão de ocupação do solo visando melhorias na mobilidade urbana. A matéria “O caminho passa por novos centros” destaca entre as proposições que é preciso ocupar os vazios existentes na metrópole, conter a expansão de novas áreas, revitalizar as degradadas e que a cidade deve deixar o padrão 3D (dispersa, distante e desconectada) e adotar o padrão 3C (compacta, conectada e coordenada) incentivando o desenvolvimento de múltiplas centralidades para reduzir a atual demanda do “hipercentro”.

A “nova lógica proposta” é que as pessoas prescindam de dirigir-se ao centro principal sendo-lhes oferecidas alternativas de trabalho, estudo, lazer e serviços diversos, próximas às suas moradias, ganhando em conforto pessoal, reduzindo custos e evitando viagens desnecessárias ao centro. A descompressão do centro é reforçada por interligações transversais superpostas ao sistema viário radial original conectando diretamente os sub-centros.

Neste artigo homenageio os colegas de então da prefeitura de Cuiabá, em especial os do antigo IPDU e os conselheiros do finado Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano (CMDU) que juntos desenvolveram a Lei de Uso e Ocupação do Solo de Cuiabá (LUOS) aprovada em 1997, há pouco mais de vinte anos, na qual constam estas propostas do PDUI do Rio. A opção foi pela cidade compacta, densa e diversificada e sua elaboração passou por algumas administrações saindo quase do zero, desde o levantamento e sistematização de dados e mapas ainda sem a tecnologia do geoprocessamento, diagnóstico, prognóstico e o uso de metodologia participativa com um conselho, o CMDU, onde representantes dos principais agentes formadores da cidade tinham voz ativa. Nele as propostas técnicas do IPDU, autorizadas pelo prefeito, eram discutidas, aperfeiçoadas e aprovadas ou não.

A LUOS de Cuiabá trouxe muitos conceitos inovadores à época e talvez tenha sido a primeira concebida tendo como diretriz maior a ideia da “cidade crescer para dentro” ocupando seus muitos espaços vazios, as áreas degradadas, promovendo o adensamento e a otimização da infra-estrutura existente. Tal qual o PDUI do Rio, a LUOS de Cuiabá fomenta o desenvolvimento de sub-centros para redução substancial da pressão sobre o antigo centro do século XVIII. A legislação anterior não permitia a consolidação dos sub-centros que naturalmente se esboçavam como o da Morada da Serra e do Coxipó. Complementando essa estratégia foi elaborado um plano de hierarquização viária, onde, dentre outras, foram propostas a Avenida das Torres, e as vias de contorno complementares à Miguel Sutil, dentre as quais a Avenida Parque do Barbado ligando o Cristo Rei pela Ponte Sérgio Mota ao CPA, e a VECO-L, saindo da Archimedes Lima em paralelo aos córregos do Moinho e Três Barras chegando à Avenida Rubens de Mendonça, a qual pelas notícias encontra-se em fase de projeto na prefeitura.

Um dos entraves ao urbanismo no Brasil é a discrepância entre seu horizonte de planejamento de 20 a 30 anos e a gestão política atual que não consegue enxergar além das eleições, a cada 2 anos. Em Cuiabá o processo de planejamento foi interrompido e a aplicação do que foi planejado não aconteceu como devia, mas vai deixando efeitos positivos. De qualquer forma é gratificante ao técnico ver soluções que ajudou a formular a 20 anos atrás serem repetidas 20 anos depois em âmbito tecnicamente tão qualificado como o Rio de Janeiro.

JOSÉ ANTONIO LEMOS DOS SANTOS, arquiteto e urbanista, é conselheiro do CAU/MT e professor universitário aposentado.

 

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Entre aspas: Lula retira pedido de liberdade para evitar manobra jurídica para barrar sua candidatura

Da Assessoria | Em coletiva após encontro com o ex-presidente Lula em Curitiba nessa segunda (6/8), a senadora e presidenta do PT Gleisi Hoffmann anunciou que Lula decidiu retirar a medida cautelar em que requeria sua liberdade, reafirmando seu compromisso com o país e privilegiando mais uma vez sua dignidade à sua liberdade. A retirada da medida cautelar visa impedir qualquer tipo de manobra judiciária que  pudesse tornar Lula inelegível: o ex-presidente abre mão temporariamente de sua liberdade em nome de seu direito de ser candidato.

“Lula tem compromisso com o Brasil, por isso é candidato, e vai até as últimas consequências”, afirmou a senadora. Gleisi ressaltou que Lula está “esperando Moro apresentar  as provas contra ele, até dia 15”, e mandou um recado: “Não estaremos ao lado da rede globo e do mercado financeiro. Nosso lado é o povo”.  Segundo Hoffmann, Lula disse “receber com satisfação a coligação (PT/PCdoB e PRos), estar animado e continuar candidatíssimo”.

Fernando Haddad, porta-voz de Lula e candidato à vice-presidência na coligação,  reafirmou que a candidatura de Lula será registrada dia 15/08 junto ao STF. Ele lembrou  que , mesmo que sub judice, a candidatura de Lula tem os mesmo direitos que qualquer outra. Portanto, ele tem direito a participar de debates e conceder entrevistas:  “A candidatura de Lula está definida pelo PT. Nosso pedido é que Lula vá ao debate. Se isso não for possível, que isso possa indicar um representante.”. Haddad reiterou que serão utilizados todos os recursos cabíveis para garantir a participação de Lula nessa eleição. Sobre a retirada da medida cautelar, ele afirmou:  “é um pedido de liberdade. Só que a impressão que causou pelas declarações é de que ia ser usado esse expediente para julgar a elegibilidade, o que não constava no pedido. Então para não correr risco, e o Lula sempre deixou claro que não trocaria a dignidade pela liberdade, ele está retirando esse pedido hoje”.

Na próxima quinta,  9/8, Manuela D’Ávila e Fernando Haddad visitarão o ex-presidente em Curitba.  Haddad  será o vice e  porta-voz de Lula até o trâmite final da homologação da candidatura Lula na Justiça Eleitoral. Concluída essa etapa, a ex-deputada Manuela D1Ávila assumirá a posição de vice na chapa.

Acesse aqui a petição: Esclarecimentos – Desistência – Assinado

Source: Lula retira pedido de liberdade para evitar manobra jurídica para barrar sua candidatura – Lula

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Verticalização ou Celeiro, por José Antônio Lemos

 

Por José Antônio Lemos | O atual êxito da economia mato-grossense não é uma resultante da divisão do estado como insistem alguns e nem uma obra do acaso. Ao contrário, planejado nos anos 70 com os Programas Especiais de Desenvolvimento Regional, como o Prodepan, Polocentro, Polamazônia, Polonoroeste e Promat. Na verdade, vem de antes, da década de 50 com a Marcha para o Oeste, depois Brasília e depois o Programa de Integração Nacional (PIN) com os tais programas de desenvolvimento.

    Olhando de trás para frente as coisas ficam mais claras. Jovem recém-saído dos bancos teóricos da academia, com uma rápida, mas importante experiência no projeto do CPA em Cuiabá, o entusiasmo diante das possibilidades de intervenção real no processo de desenvolvimento da terra natal de certa forma empanava uma visão mais abrangente. A medida que o processo foi se distanciando no tempo, ficou cada vez mais nítido a coerência, a intencionalidade e, principalmente o sucesso daquele conjunto de medidas planejadas e implantadas de forma articulada com o estado e municípios.      

    Ocupar, estruturar, produzir, exportar e verticalizar, este é o roteiro claro de uma história bem-sucedida de desenvolvimento regional, aplicado com competência no Centro-Oeste, mas ainda não concluída em Mato Grosso. Em Mato Grosso do Sul e Goiás é bastante nítido o avanço da verticalização de suas economias dando sinais de que em breve alcançarão a primazia da economia regional. Em Mato Grosso a história parece ter se estancado na etapa da produção primária, do slogan “Estado Celeiro do Brasil”, na qual se firmou como o principal produtor agropecuário nacional e um dos maiores do mundo, e ainda tem muito a produzir. O sucesso produtivo foi tão grandioso que o estado, ainda refém do modal rodoviário, se encalacrou no escoamento de sua produção fazendo com que a etapa da economia exportadora não tenha se concluído e continue sendo o único e principal foco de preocupação das lideranças produtoras, políticas e das autoridades governamentais. Comprometendo o futuro, a verticalização ficou à margem, quando devia ser o coroamento inicial de todo o processo. A verticalização é agregação de valor à produção, garantia de renda e empregos de qualidade, padrões mais elevados de vida, promoção urbana e o vestibular para novos voos civilizatórios.

    Mato Grosso chegou a ser pioneiro no assunto quando ainda em 70 implantou seus primeiros Distritos Industriais pensando já nos frutos da nova agropecuária que começava a ser implantada. Depois com Dante, que arrancou a ferrovia das barrancas do Paraná e a trouxe a Mato Grosso, trouxe o gás e a Termelétrica, destravou a construção de Manso, viabilizou o Porto Seco, internacionalizou o aeroporto, tentou a ZPE de Cáceres e sua hidrovia, tudo isso pensando nas condições para a verticalização da explosão da economia primária já prevista. Mas tudo ficou travado. Enquanto isso Mato Grosso do Sul e Goiás agradecem e voam rumo à verticalização de suas economias e, se bobear, da nossa.

     Seguir o mesmo bom caminho, concluir as etapas e verticalizar antes que seja tarde. Aceitar ser celeiro nesta altura do campeonato é atraso. A logística, tão fundamental e urgente à economia exportadora, é também fundamental à verticalização. Fundamental para levar a produção, trazer insumos e mercadorias, e distribuir a produção pelos diversos polos urbanos estaduais onde pode ser consumida e beneficiada. É básico para verticalizar e para exportar. Mato Grosso não pode mais ver a logística só como uma esteira exportadora, mas como a ferramenta chave para culminar um processo de desenvolvimento que não pode ficar pelo caminho em prejuízo de seu povo.

JOSÉ ANTONIO LEMOS DOS SANTOS, arquiteto e urbanista, é conselheiro do CAU/MT e professor universitário aposentado.

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O Roubo do Futuro – Por José Antônio Lemos

Por José Antônio Lemos| Foi noticiado no começo deste mês de julho que a União passará para a Vale do Rio Doce a construção de 383 quilômetros da Ferrovia de Integração Centro Oeste (Fico), ligando Água Boa (MT) a Campinorte (GO), onde se unirá a Ferrovia Norte-Sul, que nem funciona ainda. A notícia em si não surpreende pois tenho certeza que essa saída ferroviária vem sendo trabalhada por Goiás intensa e continuamente em Brasília. O que me impressionou foi a passividade com que foi acolhida por nossas autoridades e lideranças como se a logística de transportes não fosse uma questão vital e até mesmo dramática para o estado.

    Antes que alguns desvirtuem a conversa, adianto que não sou contra a Fico; sou contra terem amputado a Ferronorte em Rondonópolis para fazê-la. Não sou contra a ferrovia chegar à Água Boa, muito pelo contrário, entendo que a redenção de Mato Grosso é abrir caminhos com rodovias, aerovias, hidrovias, ferrovias, dutovias, infovias,  servindo todas suas regiões. Como mato-grossense desejo que isso aconteça o mais rápido possível para levar nossa produção aos mercados do mundo de forma sustentável e competitiva, trazer o desenvolvimento com mercadorias, insumos, máquinas, etc. a menores custos em favor da qualidade de vida em Mato Grosso, bem como proporcionar a circulação interna da produção local, irrigando a economia, gerando empregos e renda aqui e não fora. Aliás, por isso mesmo protesto desde 2009 contra a paralisação do traçado da Ferronorte em Rondonópolis, o maior terminal ferroviário da América Latina operante a apenas 460 Km de Nova Mutum, polo de uma das áreas mais produtivas do agronegócio nacional, passando pela Região Metropolitana de Cuiabá, o maior centro consumidor e distribuidor de mercadorias e de bens e serviços diversos do estado, e seu maior contingente de mão-de-obra.

    Será que ninguém está vendo que fazer primeiro essa saída para Goiás é desviar nossa principal riqueza para o estado vizinho, para “abastecer com carga a Ferrovia Norte-Sul no trecho entre Porto Nacional e Estrêla d’Oeste em São Paulo”, como diz a notícia? Admiro Goiás e Mato Grosso do Sul, planejando o futuro buscando a verticalização de suas economias em seus territórios gerando emprego e renda para seus cidadãos. E repara bem, do jeito que vai, a produção de Mato Grosso logo será beneficiada por seus vizinhos.  O gasoduto abandonado, a Termelétrica parada, a internacionalização do aeroporto, a hidrovia do Paraguai e a ZPE de Cáceres enroladas, o trem parado em Rondonópolis desde 2013, tudo isso forma um emaranhado que condena o futuro de Mato Grosso e das gerações vindouras a papeis de produtores de matéria-prima e exportadores de empregos de qualidade.

    A propósito, no final do ano passado aconteceu em Nova Mutum, por iniciativa de seu prefeito, um fórum sobre a ligação ferroviária daquela cidade a Rondonópolis passando por Cuiabá, com a presença do governador de Mato Grosso, do presidente do BNDES e do presidente da Rumo, empresa que detém a concessão do trecho, e todos foram enfáticos em defender a obra como a melhor das alternativas para Mato Grosso, e prometendo inclusive providências.  Mas pelo que foi noticiado este mês parece que o pessoal responsável pela logística ferroviária em Brasília tem outros planos para Mato Grosso. Ou para Goiás?

    Depois do grande esforço que vem dos anos 70 em planejar e implantar a ocupação produtiva do território mato-grossense, veio a vez de colher as safras com fartura e qualidade crescentes. Mas esse tempo passou e agora é a vez não só de colher, mas também de transformar a rica matéria prima gerada com tanto sacrifício e sucesso pelo produtor de Mato Grosso em renda e empregos de qualidade. Aqui!

JOSÉ ANTONIO LEMOS DOS SANTOS, arquiteto e urbanista, é conselheiro do CAU/MT e professor universitário aposentado.

 

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Um escritor gigante. Esquecido… Por Sebastião Carlos

Por Sebastião Carlos | A assertiva atribuída a Estevão de Mendonça, “morre duas vezes quem morre em Cuiabá”, é confirmada todas as vezes que nos referimos a uma grande figura, sobretudo da área da cultura. Desta vez, nos vem a evidência o caso de Ricardo Guilherme Dick. Tido como um dos maiores escritores da história de Mato Grosso e um dos grandes do Brasil no século XX, Dick é um esquecido em sua terra natal. No último dia 9 completou dez anos de sua morte. Nenhuma lembrança, nenhuma rememoração, nenhum tributo lhe foi prestado.

Aos 72 anos [Raizama, distrito de Chapada dos Guimarães – 16/10/1936] Dick já havia se tornado aquilo que se denomina de “cult”, ou seja, um autor cultuado, respeitado, estudado, referenciado mais pouco conhecido. Com quase duas dezenas de obras publicadas, e várias inéditas, despertara, desde já o seu primeiro romance ‘Deus de Caim’, de 1968, o interesse de escritores e de críticos. Continue Reading

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Luiz Inácio Lula da Silva: Afaste de mim este cale-se

Por Luiz Inácio Lula da Silva | Estou preso há mais de cem dias. Lá fora o desemprego aumenta, mais pais e mães não têm como sustentar suas famílias, e uma política absurda de preço dos combustíveis causou uma greve de caminhoneiros que desabasteceu as cidades brasileiras. Aumenta o número de pessoas queimadas ao cozinhar com álcool devido ao preço alto do gás de cozinha para as famílias pobres. A pobreza cresce, e as perspectivas econômicas do país pioram a cada dia.

Crianças brasileiras são presas separadas de suas famílias nos EUA, enquanto nosso governo se humilha para o vice-presidente americano. A Embraer, empresa de alta tecnologia construída ao longo de décadas, é vendida por um valor tão baixo que espanta até o mercado. Continue Reading

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A conquista da França agora na Rússia não se deu por acaso como um “dom natural” dos franceses para o futebol. A conquista de 2018 é resultante de uma política de estado, deflagrada em fins dos anos 70 após três eliminações sucessivas

VIVE LA RÉPUBLIQUE!

José Antônio Lemos | A Copa do Mundo deste ano não havia me entusiasmado. Até gostei da seleção brasileira, torci, mas quase burocraticamente. Talvez a Copa do Pantanal, com seu sucesso, seus problemas e suas polêmicas nos tenha supitado com o assunto. No entanto a importante vitória do Cuiabá diante do Joinville sábado passado na Arena Pantanal, renovaram o interesse e novas luzes iluminaram a Copa destacando alguns aspectos que valem refletir aqui na nossa pátria mãe gentil.

A conquista da França agora na Rússia não se deu por acaso como um “dom natural” dos franceses para o futebol, ainda mais sendo o futebol,  chamado “esporte bretão” na locução dos antigos “speakers” brasileiros, um esporte inventado pela gente do outro lado da Mancha, pelos quais o francês não nutre grande simpatia. A conquista de 2018 é resultante de uma política de estado, deflagrada em fins dos anos 70 após três eliminações sucessivas do “scratch” gaulês. O governo francês criou um instituto para o desenvolvimento específico do futebol, com centros de treinamento nas periferias das maiores cidades. Política séria, de longo prazo, sem pensar nas próximas eleições, mas no bem do povo francês. De lá saíram para a seleção  Pavard, Varane, Umtiti, Matuidi, Pogba, Giraud e Mbappé. Que tal?

Uma política assim parte da visão do esporte como uma das formas mais sublimes de expressão da vida, todos os esportes, mas em especial o futebol, pela paixão que desperta não só entre brasileiros, mas, quer queiram quer não, no mundo inteiro, mesmo nas nações mais desenvolvidas. Nunca vi a Champs-Élyssés cheia daquele jeito como vi no domingo. O esporte tratado como política séria, catalisadora da juventude agregando-lhe ao mesmo tempo educação, saúde, inclusão social e racial, e uma alternativa digna de futuro em um dos maiores e mais promissores mercados de trabalho no mundo, neutralizando as alternativas das drogas, da violência e da exclusão. Em troca a sociedade recebe benefícios imediatos em segurança e saúde públicas, e, mais importante, garante futuras gerações de cidadãos com melhores níveis de vida e preparadas para conduzir seus próprios destinos.

Mesmo sem muitas informações de lá, na Croácia também teve algo semelhante quando nos idos de 90 seu primeiro presidente disse que o esporte seria a primeira coisa capaz de levantar um país depois de uma guerra. Terceiro lugar na Copa de 98 e agora vice-campeão mundial. Um país quase com a mesma população de Mato Grosso e recém-destruído pelas guerras. O Brasil e Mato Grosso deveriam seguir o mesmo caminho. Um dos objetivos do Brasil ter investido na Copa de 2014 era esse, ao menos nos discursos. Mas ficou nos discursos. O atual governador de Mato Grosso chegou a prometer em campanha a construção de quatro centros de formação de atletas, com registro em cartório. Também ficou na promessa, mesmo com a Copa tendo deixado a Arena Pantanal, que poderia ter se transformado na cabeça de um sistema estadual de formação de atletas, complementado pelos COT’s inacabados e as diversas iniciativas existentes pelo interior do estado. David Moura, Felipe Lima, Ana Sátila puxariam como exemplos um programa desses.

Mas o melhor desta Copa da Rússia foi o atacante campeão Griezmann concluir sua entrevista após o jogo final bradando “Vive la République!” O técnico fez o mesmo. Entendi que para eles a República, a res-publica, o bem comum de todos os franceses é mais importante que a própria França. Ou melhor, a França é a República.  Esta é a grande diferença para um país onde o que vale são interesses pessoais ou de grupos em detrimento do bem comum, de uma República que não significa nada e que precisa ser reproclamada com urgência. Viva os campeões!

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Lorenzo Falcão e Valério Mazuolli são eleitos novos acadêmicos da AML

Por S. Carlos Gomes de Carvalho

A ACADEMIA MATO-GROSSENSE DE LETRAS elege mais dois acadêmicos. Numa concorrida Assembleia Geral Extraordinária, realizada no ultimo sábado, 14, os acadêmicos elegeram dois novos membros. Sob a firme condução da poeta Lucinda Persona, vice presidente no exercício da Presidência, foram eleitos Lorenzo Falcão e Valério Mazuolli.

Lorenzo é jornalista, cronista e poeta, com trajetória na imprensa cuiabana e atualmente é responsável pelo blog de literatura ‘Thyrannus Melancholicus’, foi eleito para a Cadeira 12, cujo Patrono é o poeta Antônio Cláudio Soído e o último ocupante o jornalista e poeta Ronaldo de Arruda Castro.

Valério Oliveira Mazuolli, eleito para Cadeira 36 cujo Patrono é o poeta e causídico Pedro Trouy, e o último ocupante o professor e poeta Luís Feitosa Rodrigues, é professor titular na UFMT e convidado em Universidades de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e do Paraná, conferencista e renomado autor de mais de duas dezenas de obras jurídicas. Frequentemente consultado e citado por ministros do STJ e do STF em suas decisões e acórdãos, Mazuolli é hoje nacionalmente considerado um dos nomes mais expressivos na área do Direito Internacional e do Direito Constitucional brasileiro.

Assim, a Academia que, dentro de três anos, completará seu primeiro centenário, se rejubila pelo ingresso de dois gabaritados intelectuais e que, com seus ingressos até o final do ano, comporão trinta e nove Cadeiras, das quarenta existentes.

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Valério Mazuolli

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Lorenzo Falcão

Source: (2) S Carlos Gomes de Carvalho

Leia também: Cinco nomes se apresentam e irão disputar as duas vagas abertas

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Até hoje, vinte anos depois, as mães dos meninos assassinados buscam por justiça; no local das execuções foi erguida uma estátua, esculpida pelo artista plástico Jonas Côrrea

NO BECO QUE A CIMEIRA NÃO VIU

Por Johnny Marcus | “14 anos, quinze tiros de fuzil, as vísceras esfoladas, expostas, coagulando. O sol assiste em fogo o sonho de viver que ainda pulsa nos miolos”.

Esse verso dantesco é de autoria do poeta Edson Veóca e faz parte de um projeto de inclusão social chamado “Literatura Marginal”, idealizado e publicado pelo escritor Ferrez, em 2000, em parceria com a revista “Caros Amigos”, da qual é colunista.

Ferrez é morador da favela de Capão Redondo, na Grande São Paulo, e autor de diversos romances. Os mais conhecidos são “Capão Pecado” (2000) e “Manual Prático do Ódio” (2003). Tive a felicidade de ler ambos tão logo foram publicados.

Assim que deitei os olhos nas palavras de “No beco que a cimeira não viu”, no ano 2000, senti uma tristeza profunda e foi inevitável não pensar na chamada Chacina do Beco do Candeeiro, ocorrida dois anos antes em Cuiabá.

Em 10 de julho de 1998, os adolescentes Adileu Santos, o Baby, 13, Edgar Rodrigues de Arruda, o Indinho, 14, e Reginaldo Dias Magalhães, o Nado, 16, foram executados com tiros à queima roupa, na rua 27 de Dezembro, popularmente conhecida como Beco do Candeeiro, no centro histórico da capital.

O caso ganhou grande repercussão na mídia local e nacional, e gerou grande comoção social. Contudo, as investigações conduzidas pelo Ministério Público levaram a um único suspeito, o ex-policial militar Adeir de Souza Guedes Filho, 49, que acabou absolvido por falta de provas, após submetido a júri popular, em 2014.

Até hoje, vinte anos depois, as mães dos meninos assassinados buscam por justiça. No local das execuções foi erguida uma estátua, esculpida pelo artista plástico Jonas Côrrea, ao mesmo tempo tributo aos jovens e promessa de que os crimes jamais seriam esquecidos.

Os autos do processo, com mais de mil páginas, sugerem inépcia por parte do Ministério Público para a elucidação do caso. A investigação trabalhou, primordialmente, com três vertentes: os homicídios teriam sido cometidos por um pistoleiro profissional a mando dos comerciantes da região, supostamente inconformados com sucessivos assaltos, ou como ação de um processo de eugenia implantado na capital e até mesmo como vingança do cabo Hércules de Araújo Agostinho, o pistoleiro de João Arcanjo Ribeiro, porque uma das crianças teria roubado um cordão de ouro de sua esposa enquanto ela voltava de ônibus para casa.

Cômico se não fosse trágico, essa linha de investigação não pôde ser comprovada porque os cartuchos recolhidos na cena do crime foram “perdidos” dentro do Fórum da Capital, o que inviabilizou um laudo de balística com a arma de Hércules, uma pistola 765, semelhante a arma usada pelo policial militar Sandro Márcio Martines para matar Alinor Santana Pereira, em 1999.

Toda essa situação não resolvida sempre mexeu comigo e, por conta do peso dos vintes anos passados, resolvi produzir um livro-reportagem sobre o caso. O provável título será “Beco Sem Saída – A Chacina do Beco do Candeeiro 20 anos depois”.
Pretendo inicialmente mostrar como esses meninos chegaram às ruas. E aqui cabe um esclarecimento importantíssimo: nenhum deles era de fato “menino DE rua”. Ainda que passassem vários dias perambulando pelo centro histórico, eles sempre voltavam às suas respectivas casas.

O Baby, por exemplo, nem em Cuiabá morava. Residente em Cáceres, estava na capital há uma semana, onde veio passear porque a escola pública onde estudava estava em greve. Quem esclarece a situação é sua mãe, dona Maria Santos.

Também conversei com dona Albina Rodrigues de Arruda, mãe de Indinho. Segundo ela, o filho estava de férias da escola quando foi assassinado. Ainda não consegui contato com a mãe de Nado. De acordo com relatos, ele não foi criado pela mãe biológica.

O mais importante desse projeto literário-jornalístico é resgatar a humanidade dessas crianças. Contar suas histórias, relembrar seus sonhos. Em segundo plano está o desejo de esmiuçar ao máximo as investigações conduzidas pelo Ministério Público através de análise dos autos do processo e depoimentos das autoridades competentes.

Há cerca de um mês tive a felicidade de conhecer o “Psicanálise na Rua”, coordenado pela professora Adriana Rangel, do departamento de Psicologia da Universidade Federal de Mato Grosso. O projeto social atende pessoas em situação de vulnerabilidade no centro histórico de Cuiabá e marcou para hoje, 10 de julho, um ato em memória da chacina do Beco do Candeeiro.

Desde a manhã estão ocorrendo intervenções, como limpeza do Beco, maquiagem das moças e ensaio fotográfico. As fotos serão expostas a partir das 17h, no próprio Beco, quando haverá apresentações artísticas. Dona Albina, mãe de Edgar, e dona Maria, mãe de Adileu, vieram de Lucas do Rio Verde e Cáceres, respectivamente, exclusivamente para participar do ato.

A companheira Gabriela Rangel, antropóloga e filha da professora Adriana, é quem está à frente da organização. Ela conta que o tributo de hoje vai além da chacina ocorrida há vinte anos e é “uma forma de dar espaço a essas pessoas que de alguma se excluíram ou foram excluídas do meio social. Será um dia de intervenção para dar um presente a essa população de rua como representantes e herdeiros desses meninos chacinados”.

Também fazem parte deste coletivo a Associação dos Familiares Vítimas da Violência (AFVV), a União de Negros pela Igualdade (Unegro), Instituto Mulheres Negras de Mato Grosso (Imune), A Lente, Outros 300, entre outros parceiros.

A sua participação é importantíssima. Venha trocar uma ideia com a gente. Vamos discutir essa questão. Ela diz respeito a todos nós.

Reforçando que o ato acontece hoje, 10 de julho, a partir das 17h, no Beco do Candeeiro, na praça Senhor dos Passos.

LEIA E AJUDE DIVULGAR. COLEGAS JORNALISTAS EDITORES DE SITES, SINTAM-SE À VONTADE PARA REPRODUÇÃONO BECO QUE A CIMEIRA…

Publicado por Johnny Marcus em Terça-feira, 10 de julho de 2018

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TCE-MT suspende convênios para revitalização de Salgadeira entre o Sedec-MT e a Casa de Guimarães

Auditoria foi determinada anteriormente pelo presidente do TCE, conselheiro Gonçalo Domingos de Campos Neto – Foto: Divulgação

Da Assessoria | Medida cautelar concedida pelo conselheiro interino do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Moises Maciel, suspendeu a execução de três convênios ainda vigentes firmados entre a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec) e a Associação Casa de Guimarães, entre eles o de revitalização do Complexo da Salgadeira. A decisão interrompeu ainda qualquer pagamento com recurso público para a Associação e impediu que ela firme novos convênios com órgãos ou entidades da Administração Pública Estadual.

A cautelar foi concedida em Representação de Natureza Interna (Processo nº 360058/2017) proposta pelo Ministério Público de Contas e está disponibilizada no Diário Oficial de Contas que circula nesta segunda-feira (25/06). Em caso de descumprimento, a multa diária é de 10 UPFs.

Foram suspensos os Convênios nº 1327/2017 e nº 0630/2017, firmados entre a Sedec e a Associação Casa de Guimarães, vigentes, respectivamente, até 21 de agosto de 2018 e 2 de fevereiro de 2019. Já o Convênio nº 0165/2018, que envolve também a Secretaria de Estado de Cultura (SEC), no valor de R$ 946 mil, tem por objeto a realização de ações orientativas e recreativas para o uso sustentável do Complexo da Salgadeira.

Em análise preliminar, o MPC constatou que o site da Associação da Casa de Guimarães não traz cópia do Estatuto Social, a relação nominal dos dirigentes e cópia integral dos convênios, contratos, termos aditivos, parcerias, ou outros ajustes firmados com o Poder Executivo. Também inexiste no endereço eletrônico a prestação de contas desses convênios, o que fere a Lei de Acesso à Informação (LAI).

Para a realização de uma auditoria que não estava prevista no Plano Anual de Fiscalização do TCE-MT, o conselheiro comunicou a Presidência do TCE-MT, que acionou a Secretaria-Geral de Controle Externo (Segecex), que por sua vez solicitou à Secretaria de Informações Estratégicas do TCE-MT que verificasse supostas irregularidades que justificassem uma auditoria. Em resposta, a SIE apontou que a Associação firmou pelo menos 86 convênios com órgãos da Administração Pública Estadual e a Municipal, sendo credora de mais de R$ 35 milhões

“Tendo em vista a existência de fortes indícios de ilegalidade em 33 convênios firmados pela Casa de Guimarães, mesmo ela não tendo prestado contas de outros firmados anteriormente, além da destinação dos recursos públicos recebidos no montante de R$ 31,7 milhões para empresas de propriedade da responsável, Erika Maria da Costa Abdala, e de terceiros ligados a ela por vínculos de parentesco”, detalha trecho da informação prestada pela SIE.

Prejuízo aos cofres públicos

Para justificar a concessão da medida cautelar, o conselheiro Moises Maciel alertou para a existência de perigo de dano ou de risco ao processo caso a cautelar não fosse concedida. O principal objetivo é evitar atos ilegais, que podem já ter causado sérios prejuízos aos cofres públicos, e que ainda podem ser agravados.

Na decisão, o conselheiro sugere que a auditoria determinada anteriormente pelo presidente do TCE-MT, conselheiro Gonçalo Domingos de Campos Neto, deve ser apensada aos autos da decisão. A Portaria nº 084/2018, que autoriza a auditoria e disponibiliza os servidores, foi publicada no DOC de 07/06.

Os convênios firmados entre a Administração Pública e a Associação Casa de Guimarães foram alvo da Operação Pão e Circo, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual. A operação foi deflagrada em 22 de maio deste ano para apurar “fortíssimos indícios de práticas de ilícitos penais, como organização criminosa, peculato, falsidade ideológica, fraude e licitações e lavagem de capitais”.

Fonte: Tribunal de Contas de Mato Grosso

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