Poesia do Dia: Motivos Vivos – poema de João Bosquo

Para se morrer
há que se precisar
se esteja vivo, lógico

A morte esquecida
jamais aconteceu
jamais acontecerá
A morte é lembrada
dia e horas estabelecidos

Foi a chuva, a pneumonia,
foi o coração a infartar
foi o dente, o copo d’água
foi o avião, o facão, o cão

Foi a falta de amor, a solidão
foi a lembrança doída, a saudade
foi a membrama que desgrudou
foi o olho que piscou, o cisco

Foi o foi-foi a caneta certa
o desacerto, o noivo correto
o padre que atrasou a missa
o porre de madruga no coreto

E motivo qualquer motivo
é motivo para se morrer
de manhã, tarde ou noite
não pode deixar de acontecer.

><>Ainda da mesma seleção de poemas inscrita num concurso da Prefeitura (gestão WS),que foi cancelado por baixa qualidade dos participantes.

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