A 2ª FLIC mostra que letras de MT estão vivas

A Festa Literária se expandiu e recebeu convidados de outros Estados e o escritor angolano Pepetela

O público prestigia a abertura da 2ª FLIC em Chapada dos Guimarães Foto: Junior Silgueiro

“Uma festa imodesta como esta
Vamos homenagear
Todo aquele que nos empresta sua festa
Construindo coisas pra se cantar”…  Cantava Chico Buarque pela primeira vez, nos anos 70, os versos de Caetano Veloso, quando o “sinal está fechado” como cantaram também Belchior e Paulinho da Viola… Os tempos atuais são nublados, a nossa democracia sob vários ataques, mesmo assim uma Festa Literária, a segunda, se manifestou ‘imodesta’ e a literatura mato-grossense foi o grande destaque, ‘construindo coisas para se ler’, parodio Caetano “para nós que somos jovens”.

Este repórter – de forma imperdoável – não pode ir a esta Festa, por conta de suas limitações e idade, mas faz questão de registrar a importância deste magnífico evento (também por se meter a ser poeta) que aconteceu no último fim de semana, em Chapada dos Guimarães que foi a 2ª Festa Literária de Chapada (FLIC).

“A segunda FLIC levou para Chapada dos Guimarães uma programação ampla, democrática, onde toda a família foi contemplada”, disse a historiadora e diretora do Instituto de Estudos Socioculturais (IESC), Maria Amélia Assis Alves Crivelente, idealizadora do projeto.Editores e escritores regionais transitaram e debateram a literatura e a produção literária com autores de fora do Estado, e do País, como o homenageado, o angolano Artur Pestana, conhecido como Pepetela, como representante do eixo temático da FLIC, que este ano foi Angola, e o representante da literatura mato-grossense, Ivens Cuiabano Scaff.

Circularam por lá ainda: escritores e críticos literários Sheyla Smanioto, Deborah Goldemberg, Cristina Campos, Santiago Santos, Regina Pereira, Marília Beatriz Figueiredo Leite, Marta Cocco, Larissa Silva Freire Spinelli, Lorenzo Falcão e Adélia Mendonça de Deus, entre outros.

Eduardo Mahon, avisa que “a feira (ou foi festa?) de Chapada é uma vitória do livro sobre a enorme preguiça em apoiar a leitura, uma vitória da cultura sobre a imensa modorra, uma vitória da esperança sobre o escândalo do desprezo com a literatura mato-grossense”

A realizadora Maria Amélia diz que as expectativas em relação a participação do público residente local e visitante foi superada em muito. A participação, segundo ele, evidencia uma busca por oportunidades como esta, tão raras em nosso Estado.

“Recebendo uma participação bastante positiva, inclusive de fora do eixo Cuiabá-Chapada, como a participação de 55 professores e estudantes de Poconé, que disseram que o sacrifício valeu a pena para ouvir e debater com autores locais e autores convidados de São Paulo, de Brasília e Angola”, relata.

A FLIC, é bom lembrar, teve como inspiração feira ou festa literária de outros estados, e uma que acontecia aqui mesmo em Mato Grosso, no município de Campo Verde. Maria Amélia conta que a 1ª Flicamp aconteceu na periferia de Campo Verde, no bairro Jupiara, onde tinha uma sala de leitura, e contou com a participação única da Janina. “Foi a primeira vez que os moradores do bairro puderam ver e participar de uma feira de livros”, lembra.

A segunda aconteceu na praça principal, com o apoio de empresários locais cedendo os estandes e o apoio institucional da secretaria municipal de Educação. Tendo já maior participação de Cuiabá, como a Entrelinhas, a Nobel, e o Bazar do Livro. Ela destaca que ainda não conhecia Ramon Carlini, da Editora TantaTinta, o que foi acontecer por ocasião da realização da 1ª FLIC.

“Na ocasião eu não conhecia o Ramon, infelizmente, e que se juntou a nós em Chapada, quando organizávamos a 1a. FLIC. Com sua parceria, o Projeto FLIC – Festa Literária de Chapada dos Guimarães se sedimentou e enriqueceu, consideravelmente. Formamos a partir de então uma equipe, uma ‘força tarefa’ contribuindo com a literatura em Mato Grosso”.

A experiência se repete: a primeira FLIC não contou com qualquer patrocínio, a não ser a vontade dos realizadores e a convicção da necessidade não de um evento, mas de uma ideia, de uma prática cultural. Já nesta segunda edição, aconteceu o apoio do Governo de Mato Grosso através da Seduc e do secretário Marco Marrafon, que inclusive esteve na abertura do evento.

Este ano, além do IESC, o evento contou com a produção do INCA – Instituto Cultural América. Maria Amélia acredita que “isto elevou em corpo e qualidade, claro, toda a programação, agora ampliada, composta por sessões de bate-papos literários sobre a literatura urbana, do sertão, a literatura jovem e o mercado editorial, palestras educativas e culturais sobre a cultura e a literatura angolana e sobre a África contemporânea”.

A FLIC já está garantida parra o ano que vem. A Secretaria de Cultura de Chapada convidou a compor a programação cultural da cidade, tornando-se um evento anual.

EXPOSITORES – A 2ª edição da Festa Literária de Chapada dos Guimarães contou com stands dos expositores Livraria Janina, Bazar do Livro, Editora da UFMT, Editora Carlini & Caniato / TantaTinta, Editora Entrelinhas, Editora da Unemat, Fusca Sebo, Revista Camalote, Editora Sustentável e a Exposição do Instituto Memória da Assembleia Legislativa e do Projeto Vaga

João Bosquo

João Bosquo, poeta e jornalista, editor deste blogue NAMARRA.COM.BR
nas redes sociais: @joaobosquo

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