A Minha Língua é a língua falada por Dona Josefa

A minha língua, até aonde saiba,
É a mesma língua falada por minha mãe…
Foi ela que me ensinou “benção, mãe”
E noturnamente respondia “Deus te abençoe”

Depois, mais tarde, outras línguas
Dos guris da Rua da Fé, Trav. Dão Bosco
Campo D’ourique, das peladas e soltar pandorgas

A primeira língua estranha foi da Escola
Que juntava letras sinais, ditos fonemas,
E alfabetizava todo mundo, menos Dora…

A língua é assim: ela se move bem devagar
Se moldado ao jeito de ser de um povo
De muita gente que se junta pra ser povo…
E gramáticas lutam pra que ela se imobilize.

><>Essa discussão sobre linguagem não vai acabar tão cedo; certo?

Outro dia, ontem, anteontem, estava lendo a edição especial da revista Veja sobre os 50 anos de Brasília, e lá, por uma certa altura, os redatores de Veja escreveram “padre italiano Giovanni Bosco”. Até agora não entendi muito bem. A preferência pela grafia “Giovanni” ao invés de “João” é para caracterizar que revista é de italianos, que preservam a sua ‘língua’ ou para mostrar ou demonstrar conhecimento, erudição, ou simplesmente foi canalhice do gaiato do redator e o editor do texto final não foi capaz de perceber o ridículo de se escrever João Paulo II (traduzido) e Giovanni, não, mesmo sabendo que os Salesianos estão há mais de 100 anos no Brasil.

Cada um fala do jeito que quiser, como quiser e a hora que quiser, né mesmo Arnaldo Jabor, Willian Wake, Neto (comentarista da Band), Galvão Bueno… A escrita, contudo, deve ser a norma culta, sempre, e essa obrigação de ensinar é a escola.

Agora, um livro, que mostra que existe um preconceito linguístico, inclusive por parte desses aí mesmo que se acham donos da língua e seus veículos enfadonhos, não pode causar tanto alvoroço. Isso é hipocrisia. Porque digo hipocrisia? Porque a edição da revista Veja Especial sobre Brasília foi editada em 2009 e nenhum desses puristas falou nada, não soltou um pio, um chiado, um mínimo de ruído… Portanto, bamos parar com isso, bugrada.

Share Button

João Bosquo

João Bosquo, poeta e jornalista, editor deste blogue NAMARRA.COM.BR nas redes sociais: @joaobosquo

Você pode gostar...