A Mostra de Cinema Negro finalmente vai acontecer entre os dias 13 e 15, no Cine Teatro Cuiabá

A Mostra de Cinema Negro, ufa, vai acontecer depois de polêmicas entre a curadoria (Clique aqui) e interessados que questionava a programação e a Secretaria de Cultura resolveu adiar o evento. (Clique aqui). O evento que se propõe a ser uma vitrine das diversas manifestações artísticas afrodescendentes que foram fundamentais para a formatação da cultura nacional, acontece na próxima semana entre os dias 13 e 15, no Cine Teatro Cuiabá, e inclui produções atuais assinadas por cineastas negros de várias regiões do país e outras que se empenham por dar visibilidade a atrizes e atores negros.

A programação, depois da polêmica, foi desenvolvida de modo colaborativo com sugestões de realizadores locais e movimentos sociais, além da curadoria da SEC – realizadora da mostra – e revela novos talentos do cinema voltado à temática no Brasil e traz filmes de diretores mato-grossenses com recortes variados. Além de produções que demostram o empenho em fortalecer a identidade cultural afrodescendente, pautados por assuntos relacionados ao registro e memória do povo brasileiro e também, pelo protagonismo que transcende o cinema.

O cineasta Joel Zito Araújo, considerado a grande referência do cinema negro no Brasil e no mundo, participa da mostra na terça-feira (13), às 19h45. Ele acompanha a exibição do longa-metragem “Raça”, dirigido em parceria com a vencedora do Oscar, Megan Mylan. O documentário narra a história de três pessoas na linha de frente da batalha contemporânea pela igualdade no Brasil, país que se diz de ser exemplo de democracia racial.

Como parte do objetivo da mostra, vão ocorrer atividades de formação e debate, como é o caso da palestra ministrada por Joel Zito a ser realizada na quarta-feira (14), às 17h30, com o tema “Cinema Negro no Brasil”, na qual fala sobre desafios e conquistas do setor.

Outro importante debate será encabeçado pelo produtor cultural Paulo Traven. Na quinta-feira (15), às 15h, ele participa como mediador da roda de conversa “Cinema Negro em MT – Como aumentar a representatividade de realizadores e artistas negros em produções do audiovisual mato-grossense?”. Participam do debate o roteirista Wuldson Marcelo, os cineastas Juliana Segóvia e Maurício Pinto e o ator e diretor de teatro Justino Astrevo.

Na terça-feira haverá roda de capoeira com o grupo Abadá, na Praça Alencastro, às 17h, abrindo a programação e logo na abertura, o grupo Raízes do Samba faz tributo a Clara Nunes.

Já na quarta-feira (14), haverá intervenção de grafite com integrantes do Movimento Rota, os artistas visuais, Karla Mesquita, Camila Freire, Tamires Soares, Jean Siqueira, Gorayeb e Presto 23. No mesmo dia, a rapper cuiabana Kessidy Kess sobe ao palco do Cine Teatro.

Na quinta-feira (15), às 18h30, o grupo de Slam Poetry formado por Luciene Carvalho, Mano Raul, Karla Vecchia, Alan de Jesus e DJ Fábio Draw interagem com o público no foyer do Cine Teatro. Ainda na ocasião, encerrando a programação da mostra, o grupo haitiano Star Magic 509, também se apresenta.

Produções regionais – A produção regional será revelada em duas nuances: com recortes universais, realizadas por cineastas negros e ainda, de cineastas e grupos que focaram em dar visibilidade às questões raciais, bem como a cultura afrodescendente. “Vila Bela Terra de Colores”, de Bárbara Fontes traz à tona história e personagens de Vila Bela da Santíssima Trindade, enquanto Gloria Albuês, revela a resistência de negros e brancos remanescentes quilombolas em “Peito de Flores – Corações da Resistência”.

A população numerosa de haitianos vivendo em Cuiabá também é realçada em produção de Luzo Reis, “Haiti é Aqui”. Junior Silgueiro, em “Negro Drama”, trata do cotidiano violento de negros que vivem nas ruas.

Em parceria, Carol Damaceno e Sernon Nonres exibem o vídeo-arte “Vidas Transversas”, assim como Diogo Diógenes e Brás Rubson revelam à plateia “Tauá”, que se dedica à cultura ribeirinha.

As cineastas Juliane Segóvia e Neriely Dantas também estão entre as realizadoras mato-grossenses. Elas apresentam o cotidiano de skatistas na capital, com “Sob os Pés”. Já Wuldson Marcelo – em parceria com Felippy Damian, exibe “Se Acaso a Tempestade fosse minha Amiga, eu me Casaria com Você”. Filmes-carta, desenvolvido por alunos das escolas públicas Nadir Figueiredo e Emanoel Pinheiro, de Várzea Grande também integram a programação, narrando os desafios de haitianos e também, a história de formação do bairro Cristo Rei. O roteiro é de Danielle Bertholini.

Produções nacionais – Outras seis produções nacionais premiadas nas categorias ficção, documentário ou animação – que ainda circulam por grandes festivais temáticos e de cinema brasileiro – figuram na mostra. Caso de Rapsódia para o Homem Negro (MG), de Gabriel Martins; Yansã (SP), de Carlos Eduardo Nogueira; Pobre Preto Puto (RS), de Diego Tafarel e Blaxploitation – A Rainha Negra (GO), de Edem Ortegal.

Destaque para os longas-metragens “Ela Volta na Quinta” (MG), de André Novais Oliveira e o já cultuadíssimo, “Branco Sai, Preto Fica” (DF), de Adirley Queiroz.

Programação completa

Terça-feira (13)

18h – Vila Bela Terra de Colores, de Bárbara Fontes [Documentário, MT, 2005, 55 min. Classificação Livre]

19h – Solenidade de abertura – Show Raízes do Samba

19h45 – Raça, de José Zito Araújo e Megan Mylan [Documentário, BRA-EUA, 2012, 104 min., Classificação indicativa 12 anos]

Quarta-feira (14)

17h30 – Palestra Joelzito Araújo (RJ) – Cinema Negro no Brasil

19h15 – Início Mostra

19h30 – Peito de Flores – Corações de Resistência, de Gloria Albuês [Documentário, MT, 1986, 25 min., Classificação Livre]

19h55 – Haiti, de Luzo Reis [Documentário, MT, 2014, 20 min. Classificação Livre]

20h15 – Vidas Transversas, de Carol Damaceno e Sernon Nonres [Ficção, MT, 2016, 2´29´´, Classificação Livre]

20h18 – Tauá, de Diogo Diógenes e Brás Rubson [Documentário, MT, 2015, 13 min., Classificação Livre]

20h31 – Um Negro Drama, de Junior Silgueiro

[Documentário, MT, 2015, 3 min., Classificação indicativa 12 anos]

20h34 – Rapsódia para o Homem Negro, de Gabriel Martins [Ficção, MG, 2015, 25´31´´, Classificação indicativa 12 anos]

21h – Yansã, de Carlos Eduardo Nogueira [Documentário, SP, 2014, 18 min, Classificação indicativa 16 anos]

21h18 – Pobre Preto Puto, de Diego Tafarel [Documentário, RS, 2016, 15 min., Classificação indicativa 16 anos]

21h33 – Blaxploitation: A Rainha Negra, de Edem Ortegal [Ficção, GO, 2014, 20 min., Classificação indicativa 18 anos]

Quinta-feira (15)

15h – Roda de Conversa – Cinema Negro em MT – Como aumentar a representatividade de realizadores e artistas negros em produções do audiovisual mato-grossense? – Mediação: Paulo Traven, com Wuldson Marcelo, Juliana Segóvia, Maurício Pinto e Justino Astrevo

16h30 – Ela Volta na Quinta, de André Novais Oliveira [Ficção, MG, 2014, 108 min., Classificação Livre]

19h – Início Mostra

19h10 – Sob os Pés, de Juliane Segóvia e Neriely Dantas [Documentário, MT, 2015, 20 min., Classificação Livre]

19h30 – Carta da Escola Nadir de Figueiredo (Jardim da Glória, Várzea Grande-MT) para alunos das escolas de Conde (PB) [Documentário, MT, 2014, 7 min., Classificação Livre]

19h37 – Filme Carta da Escola Emanoel Pinheiro (Várzea Grande-MT) para alunos das escolas de Florianopolis (SC) [Documentário, MT, 2014, 9´30´´, Classificação Livre)

19h47 – Se Acaso a Tempestade Fosse Nossa Amiga, eu me Casaria com Você, de Wuldson Marcelo [Ficção, MT, 2015, 20 min., Classificação indicativa 16 anos]

20h07 – Branco Sai, Preto Fica, de Adirley Queiroz  [Documentário, DF, 2014, 93 min, Classificação indicativa 12 anos]

21h37 – Encerramento com Star Magic 509 (Haiti/MT)

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