A vida e as histórias do intelectual Mário Cezar Silva Leite em livro que será lançado logo mais à noite no Sesc Arsenal

Mário Cezar e este repórter, em momento self

Por João Bosquo | Qual é o melhor recorte para noticiar o lançamento do livro “Memorial (in?) descritivo: auto-ópera-biográfica-burlesca-para-professores-titulares-em-literatura”, do professor, doutor em Literatura, Mário Cezar Silva Leite, que acontece nesta quarta-feira, 20, no Sesc Arsenal? O livro, quando vem a público, não importa o assunto, o conteúdo, a forma, gênero ou estilo é sempre uma alegria. Uma auto ópera biográfica burlesca para professores titulares, ou não, em literatura, é uma alegria maior ainda, vamos combinar.

O autor Mário Cezar diz que o livro quer dizer “um monte de coisas”. Recortando melhor, o livro é resultado do memorial descritivo – ipsis litteris – apresentado em fevereiro deste ano à banca para professor titular da UFMT. “Memorial é uma espécie de autobiografia profissional que você oferece aos seus pares da banca formada para o concurso de professor titular”, explica.

Nesse memorial, segundo Mário Cezar, além de consubstanciar toda a documentação de toda sua vida de trabalho na UFMT, de provar de tudo que fora feito e que gera uma pontuação, ele apresenta esse texto, no qual, narrativamente, contextualiza, circunscreve as situações que marcaram sua atuação dentro da instituição.

Acontece, sempre há de acontecer, que o memorial, uma exigência acadêmica, tem o gênero narrativo, mas não tem regras muito claras como, por exemplo, as teses de mestrados, doutorados, cujas monografias têm regras e especificações técnicas bem definidas, com minúcias como tipo de letras, tamanhos, grifos e rodapés, coisa que não são exigidas para o memorial.

Antes de iniciar a empreitada, o professor Mário Cezar conta que chegou a ler vários memoriais de colegas que tiveram a gentiliza de enviar como modelo, mas ele não se sentiu atraído. “Não tinha nada do que eu queria”, diz. Aí, fazendo uma reflexão, lembrando que estava há mais de um quarto de século como professor, pesquisador e, agora chegando a categoria de professor titular, se achou no direito de fazer um memorial ao seu estilo.

De posse dessa decisão pessoal, Mário Cezar diz que, no texto, não faz nenhuma distinção dos outros lados da sua vida – pessoal, amorosa, fraterna, familiar – da vida profissional. Poderia o autor durante a construção do texto fazer um recorte de uma vida profissional distinta dessas outras vidas, mas juntou e misturou tudo. E isso fica claro na narrativa apresentada. Costumo dizer (e acredito nisso) que a narrativa que possa fazer imaginar um filme é bom texto, texto legal etc. e tal. Pois esse memorial, dentro deste critério particular é legal, etecetera e tal.

Mário é paranaense de Londrina, onde trabalhava no DCE, embora estudante do primeiro grau (já era primeiro grau?), quando a família veio de mudança para Cuiabá. Deixa o emprego e como precisava alistar-se, decidiu o que faria depois da mudança. Veio, alistou-se e foi convocado para servir ao Exército. A família decide não ficar e ele, preso às Forças Armadas, não retorna e aqui fica. Conhece pessoas, participa do grupo Terra, termina o primeiro grau, faz o ensino médio (já era ensino médio?), conhece o seu companheiro e faz o vestibular para o UFMT.

No meu filme imaginário, a narrativa começa quando o jovem Mário Cezar irá fazer a inscrição para o vestibular, que está descrito na página 49 do livro, quando desce do ônibus, atravessa a Avenida Fernando Correa – não o imagino vindo do Coxipó – e adentra no campus e começa a caminhar até o Ginásio da UFMT, quando acontece a resolução de mudar o foco profissional, de querer ser engenheiro agrônomo – e acabou se inscrevendo para o curso de Letras.

No meu recorte particular, conto, aumentando um ponto, que Mário Cezar e este repórter fomos colegas na década de 80, quando ele conhece Ricardo Guilherme Dicke, que participa de uma aula a convite nosso. E, depois, vai ser referência nesse maravilhoso trabalho do Grupo de Estudos em Cultura e Literatura em Mato Grosso RG : Dicke.

Por diversa que é a vida, não conclui o curso. Volto anos depois, já neste século, e refaço o último semestre e quem tenho como professor da disciplina Crítica Literária e Produção Monográfica, na qual fiz uma rápida análise do poema “Cuyabá”, de Rômulo Carvalho Netto? Pois é, o Mário! Em meio a isso, Rômulo e Mário Cézar, ambos participaram do Programa “Poetas Vivos”, que tivemos a honra de editar nos anos 80, pela Casa da Cultura, sob a direção de Therezinha Arruda.

Outra alegria é noticiar que o livro que será lançado nesta quarta é uma co-edição da Cathedral Publicações e da Carlini & Caniato, que vem se consolidando como das maiores editoras regionais, pelo volume e acervo publicado.

O lançamento e a noite de autografo acontecem nesta quarta-feira, 20, no Sesc Arsenal, a partir das 19 horas. Abraçar o Mário Cezar Silva Leite é abraçar o amor ilimitado à Literatura e à arte do viver com sabedoria.

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João Bosquo

João Bosquo, poeta e jornalista, editor deste blogue NAMARRA.COM.BR nas redes sociais: @joaobosquo

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