A virada de Pedro Taques – por Enock Cavalcanti

Meus amigos, meus inimigos: avalio que o governador Zé Pedro Taques bem que tentou fazer diferente, montando o tal secretariado técnico. Só que os técnicos como Paulo Brustolin e Seneri Paludo já debandaram, em busca de outros ares e de menos dores de cabeça. No fundo, esses técnicos querem mesmo é faturar alto e ter garantia de sossego. Política partidária é para abnegados.

Não é fácil criar o diferente. Um secretariado técnico, no final das contas, acabou impondo a imagem de um governador concentrador, que reunia todo poder em suas mãos. O que acabou resultando em grande desgaste para Taques, atacado de fora e também de dentro do governo.

Resta agora tentar um novo rumo. Resta agora definir um secretariado político, em coordenação com os partidos que apoiam o governo. Para que o poder fique descentralizado – e o desgaste, também.

Não é uma matemática fácil. Vejam que nesse início de semana pintou a história de que alguns líderes do PSD não se conformariam com o fato de o governador ter contemplado, por exemplo, o PSB do ex-prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes – que tem três deputados estaduais -, com cargos considerados estratégicos na estrutura administrativa do Estado.

Alegam os políticos liderados pelo ruralista Carlos Fávaro que o PSD controla 26 prefeituras em Mato Grosso e tem a maior bancada (seis parlamentares) na Assembleia Legislativa, e também um senador (José Medeiros) e o vereador mais votado da Capital (Toninho de Souza).

Pela gritaria já instalada, fica evidente que logo, logo, Carlos Fávaro e o PSD terão mais poder dentro do governo do Estado. Evidentemente que o PSB e outros partidos da base vão reagir. E aí se verá que montar um secretariado político também não é garantia de paz eterna nas articulações do atual governo.

Nessa transição entre o secretariado técnico e o secretariado político, Zé Pedro Taques joga as chances de seu governo que chega a 2017, às vésperas da eleição de 2018, bastante desgastado. E o que será do próprio governador?

Como dar a volta por cima? Como fazer a virada? Como reconquistar, por exemplo, a graça dos servidores, com a crise econômica fustigando cada vez mais o Palácio Paiaguás?

Eu diria que o grande problema de Zé Pedro Taques, neste momento, é a falta de uma forte liderança que o represente dentro da Assembleia Legislativa, funcionando como alguém capaz de desenvolver a articulação por dentro do parlamento.

Imagino que o principal ponto de conflito é a Assembleia Legislativa e é lá, dentro do parlamento, que a administração do Zé Pedro Taques tem que se mostrar criativa e capaz de surpreender seus adversários.

Uma Assembleia efetivamente pacificada seria o melhor passo para que Zé Pedro possa cuidar das obras e da engenharia de seu governo sem tantos atritos e com um parlamento que, ao invés de aprofundar as crises, como no caso do RGA dos servidores, seja capaz de atenuá-las e mesmo debelá-las.

Enock Cavalcanti

Enock Cavalcanti é jornalista, bacharel em Direito, blogueiro, proprietário do Página do E (paginadoenock.com.br) e editor de Cultura do DC Ilustrado.

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