Academia Mato-grossense de Letras comemora em sessão solene 95 anos de fundação

por João Bosquo e Enock Cavalcanti

Um seleto público, seletíssimo para não dizer diminuto, prestigiou a sessão comemorativa aos 95 anos de criação da Academia Mato-grossense de Letras, na noite desta segunda-feira, 5. A festa rolou no centenário Palácio da Instrução (1913), justamente o local onde ocorreu há 95 anos a reunião de criação do Centro Mato-grossense de Letras, comandada pelo então governador, bispo Dom Francisco Aquino Correa e presidente da honra da instituição. A presidenta da Academia Mato-grossense, Marília Beatriz de Figueiredo Leite, comandou o evento deste ano, conforme o protocolo (embora ela não seja dada a seguir o protocolo) e no meio do discurso discurso de abertura da solenidade, o atual governador Pedro Taques, para não quebrar a regra, mais uma vez chegou atrasado, acompanhado do secretário de Cultura Leandro Carvalho.

A acadêmica Marília Beatriz, sempre eloquente com sua memória prodigiosa, ao saudar cada membro da AML presente destacava um detalhe significativo seja no campo pessoal ou profissional, assim como os amigos e familiares presentes. A mesa de honra secretariada pela jornalista e acadêmica Sueli Batista, foi composta por Fernando Tadeu, representando a reitoria da UFMT, Fábio Capilé, do Instituto dos Advogados, João Carlos Vicente Ferreira, presidente do Instituto Histórico e Geografico de MT e Nilza Queiroz Freire.

Marília Beatriz destacou em sua fala inicial (ela falou muitas vezes) que a Academia Mato-grossense de Letras “está a serviço da nossa literatura, essa literatura que é feita no dia por ilustres confrades e confreiras, mas também por aqueles não membros, mas que estão na labuta da criação literária”, e voltando-se para o govenador Pedro Taques (que acabara de sentar) disse:- “Pedimos aos governantes que espalhem as vozes de nossos escritores pelo Cerrado”.

O momento artístico ficou por conta dos Crônicos, que já vem se tornando uma tradição nos eventos da AML, que em versos, canto ou prosa contam um pouco da nossa história cultural. Como são esquetes, a participação de Carlos Roberto Ferreira, o nosso Carlinhos Ferreira, foi – diríamos – o apogeu, interpretando a canção “Mensagem”, composição de Cícero Nunes e Aldo Cabral, imortalizada na interpretação de Isaurinha Garcia.

O acadêmico Sebastião Carlos de Carvalho – academicamente, mas sem esquecer da leitura dos fundamentos constitucionais, lembrou que os poderes em Mato Grosso são viciados em não cumprirem os dispositivos de preservação da memória.

Pedro Taques, que deveria falar no meio do evento, conforme orientação de seu cerimonial, que anunciava seu deslocamento para outros compromissos, declinou e acabou ficando até o final da noitada, para júbilo dos presentes. No final, o governador explicou que “governador não deve dar desculpas, mas pedir desculpas”, mas justificou que tinha participado de três eventos e iria ainda participar de outros três.

Taques destacou os 10 milhões de investimento que serão feitos pelo seu governo na reforma da Biblioteca Estadual, que será brevemente reinstalada junto à Casa Barão, na rua Barão de Melgaço, em uma estrutura inovadora. “É um presente do meu governo à Academia, nesses seus 95 anos”. Como sempre, Pedro Taques brilhou discorrendo sobre a importância da Cultura, usando sua metáfora favorita: “Viadutos são importantes, mas a Cultura é sempre mais importante.” Ele também falou da importância da Crítica. “Meu governo precisa de Crítica para ser melhor e errar menos”, destacou.

Em sua fala, como numa resposta ao discurso do acadêmico Sebastião Carlos, o secretário Leandro Carvalho, sempre veemente, elencou todas as ações desenvolvidas por sua pasta, chegando ao exagero de dizer que a Biblioteca Estadual “Estevão de Mendonça” nunca tivera uma bibliotecária, sendo a primeira no governo atual. Nos bastidores, depois da solenidade, velhos acadêmicos refutavam a versão do secretário Leandro, lembrando que Vera Randazzo foi, na verdade, a primeira bibliotecária da Biblioteca Estevão de Mendonça.

Presentes os acadêmicos – fora os já citados – Lourembergue Alves, Ivens Cuiabano Scaff, Moisés Martins, João Batista de Almeida, Cristina Campos, Marta Cocco, Pedro Rocha Jucá, Tertuliano Amarilha,Elizabeth Madureira Siqueira, sentidas as ausências de Eduardo Mahon, ex-presidente, que está em Porto Alegre, em atividade advocaticias e da emblemática professora e doutora em Literatura, Yasmin Nadaf.
Fonte: http://www.diariodecuiaba.com.br/detalhe.php?cod=498145

João Bosquo

João Bosquo, poeta e jornalista, editor deste blogue NAMARRA.COM.BR

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3 Resultados

  1. Querido amigo e competente JORNALISTA, João Bosquo, a sua quase prosa nos remete sempre ao gosto e sabor dos aplausos e da sobremesa após os grandes jantares de comemoração. Fico imensamente feliz e grato pela sua pauta de contribuição junto ao trabalho de “OS CRÔNICOS” e em especial à referência sobre a minha pessoa na qualidade de ator. Temos feito um esforço significativo para “construir” espaços cênicos, na propositura da cena teatral com o desejo de ILUMINAR a cena contemporânea e aos ditames dela provindos. Mas ainda precisamos ir muito mais longe. Meu afetuoso abraço.

  2. Marília Beatriz disse:

    Muito grata João Bosquo!
    Vc e Enock fazem bem para minha vista . Qdo. vejo vcs sei que algo acontece!