Aeroporto, esperanças de novo

O fim de semana trouxe algumas notícias importantes para o futuro do Aeroporto Marechal Rondon e de Cuiabá em relação à Copa 2014. A primeira, fundamental, é que a presidenta Dilma Rousseff vai trocar o comando da Infraero, já tendo inclusive escolhido o nome do novo superintendente e do secretário da aviação civil. A segunda foi a identificação, pelo próprio ministro Orlando Silva em visita a Cuiabá, do aeroporto como o principal problema para a Copa do Pantanal. Sobre o assunto o ministro informou ainda que a questão dos aeroportos será ligada diretamente à presidenta Dilma e ratificou que a preparação do Aeroporto Marechal Rondon é responsabilidade do governo federal, não do estado ou municípios, reforçando o quadro original de competências. Assim é para lá que devem ser dirigidas as cobranças e elogios.

Especialmente para Cuiabá a intervenção da presidenta é necessária e urgente, diante da maneira como a Infraero vem tocando a preparação do Aeroporto Marechal Rondon, sem nenhum comprometimento com suas responsabilidades perante a Copa do Pantanal, para dizer o mínimo. Essa situação, que para alguns chega mesmo a ser um caso de sabotagem explícita contra a sede da Copa em Cuiabá, evidenciou-se outro dia com a suspensão da montagem do módulo emergencial para atendimento ao desembarque de passageiros, o “puxadinho”. Para essa obra emergencial, a Infraero só emitiu a Ordem de Serviço quatro meses após o resultado da licitação que escolheu a firma para a montagem. Dois meses depois, o contrato foi suspenso por razões não convincentes e até hoje não se sabe como será montada essa estrutura emergencial, pequena, pré-fabricada, de montagem simples e que é de fato urgente.

Contudo o auge do descompromisso, ou deboche, veio no início da semana passada quando a Infraero divulgou o início da elaboração dos projetos da ampliação da estação de passageiros. Isto é, quase dois anos após Cuiabá ter sido escolhida como uma das sedes da Copa de 2014. Dois anos! A simples Ordem de Serviço para o projeto demorou quase dois meses a partir do resultado da licitação. Pior, estabelece prazo de entrega para setembro, com um andamento normal, como se o Brasil não tivesse se comprometido com uma Copa do Mundo a ser realizada em 2014 e Cuiabá não fosse uma de suas sedes, pleiteando também a Copa das Confederações em 2013. Só depois de pronto o projeto será feita a licitação para a obra. Ou seja, do jeito que ia, não ia.

Estes fatos podem não ter sido determinantes, mas a intervenção presidencial veio a galope, antes da semana terminar, e com certeza deve marcar uma nova postura do governo federal em relação a infra-estrutura aeroportuária para a Copa. Se fosse para continuar do jeito que está seria desnecessária a bem-vinda intervenção. Aproximando o assunto de seu Gabinete e reforçando a Secretaria Nacional da Aviação Civil, a perspectiva é de que o assunto receba uma prioridade especial, um status de guerra, que de fato é, mas uma guerra construtiva, positiva contra o tempo. Os prazos legais e de execução técnica precisam ser encurtados, dentro da lei, e reforçados os trabalhos de supervisão e controle do grande projeto da Copa para que seus cronogramas sejam cumpridos, ainda que tenha que dobrar os turnos, com trabalho dia e noite, sábados e domingos, como chegou a aventar o ex-presidente Lula. O ministro Orlando certamente levará sua posição extraída in loco de que o principal problema para a Copa do Pantanal é o Aeroporto Marechal Rondon, no que será reforçado pela audiência presidencial do governador Silval Barbosa. Quando a expectativa da Copa estava sendo levada ao seu limite, eis que a esperança é resgatada em apenas um fim de semana de boas notícias.

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José Antônio Lemos dos Santos

José Antonio Lemos dos Santos, arquiteto e urbanista, é professor universitário. Troféu "João Thimóteo"-1991-IAB/MT/ "Diploma do Mérito IAB 80 Anos"/ Troféu "O Construtor" - Sinduscon MT Ano 2000 / Arquiteto do Ano 2010 pelo CREA-MT.

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