Alguém precisa conter Eduardo Mahon

Por João Bosquo | Hoje às 19h30 horas no foyer do Teatro Universitário da UFMT acontece o lançamento do livro “A gente era obrigada a ser feliz”, o décimo quarto livro do escritor poeta, contista, romancista, polemista e acadêmico Eduardo Mahon.

Quatorze livros no curto espaço de tempo de 7 anos. Isso mesmo, sete anos, dando uma média de dois livros por ano. Ninguém em Mato Grosso (talvez Brasil) produziu tanto quanto Eduardo Mahon. O que impressiona mais é que ele não deixou de trabalhar no seu escritório de advocacia, um dos mais procurados; ou ministrar aulas, sem esquecer dos lançamentos, alguns em verdadeiras maratonas como foi o caso do livro “Contos Estranhos”, de 2017.

Eduardo Mahon e caravana em Sinop durante o lançamento do livro Contos Estranhos

Outro detalhe importante, dos 14 livros, nove são de prosa: contos, novela e cinco romances: “O Cambista”, romance, (2014), “O Fantástico Encontro de Paul Zimmermann”, romance, (2016),  “Contos Estranhos” (2017), do qual poderia separar a novela (pelo critério de páginas, menos de 200 páginas) “O Homem do País que não Existe”; “O homem binário”, romance, datado também como 2017, mas lançado em 2018, junto o livro “Alegria”, romance, também numa maratona de lançamentos em diversas cidades, inclusive fora de Mato Grosso e exterior. Por último o livro “Azul de Fevereiro”, contos, dentro da Coleção Carandá, (2018), e Eduardo Mahon abre o outono com o lançamento deste romance, segundo leio no folder, de fundo histórico.

Porque digo que alguém precisa conter Eduardo Mahon?  Sou sincero. Gosto de ler de forma lenta, com os olhos acompanhado par-e-passo todas as letras de uma linha num livro. Mudo um pouco, quando estou enfrente a tela do computador, mas não livro, não tem jeito, é hábito terrível que não espero mudar agora depois de meia dúzia de décadas dessa prática. Nesse ritmo de produção não conseguirei acompanhar. Vejamos.

Li “O Cambista”, por uma necessidade de fazer a resenha quando do lançamento, além da entrevista com o autor em 2014, quando do lançamento. A leitura de “O Fantástico Encontro de Paul Zimmermann” aconteceu ainda nos originais que meu obrigou a escrever um texto, na verdade uma resenha, que o autor usou como posfácio, junto com o texto de Aclyse de Mattos.

Segue o lançamento de “Contos Estranhos”, que acompanho os lançamentos e faço algumas matérias para o DC Ilustrado, quando lá militava.

Quando cheguei na leitura da novela (para mim uma novela e não um conto) “O Homem do País que não Existe” aconteceram uma série de problemas que não consegui terminar e depois de vários reinícios conclui a leitura no meio do ano passado, quando já tinha acontecido os outros lançamentos e coloquei o “O Homem Binário” na agenda de leitura, que será seguindo de  “Alegria” e – em meio a isso – “Agnus Dei – No mar de água doce”, de Rui Matos,  “As intermitências da água”, de Fernando Gil Paiva Martins, um dos contemplados do Prêmio MT de Literatura; “A Flor do Ingá”, de Luiz Renato, “Um pé de verso… Outro de cantiga”, de Milton Guapo, para quem devo uma resenha; livros da história recente de nosso país: “Afundação Roberto Marinho”, de Roméro Machado, “Jogo Duro”, de Mario Garnero. Não entram aqui os livros de poesias, pois a leitura é diferenciada, nunca de uma tacada só.

O romance “A gente era obrigada a ser feliz”, apesar de minha curiosidade (confesso, sou fã de Chico Buarque) não vai furar a fila, mas posso dizer o que está escrito no fôlder, que trata-se de um romance que conta 50 anos de história do Brasil, com agitação, golpes, sob a ótica de um negro favelado, que consegue emprego como cavalariço num quartel.

Se “O Cambista” a história acontece num possível país do leste Europeu, “O Fantástico Encontro de Paul Zimmermann”, num cenário também indefinido, enquanto “O Homem Binário” é futurista, num “tempo insólito”, como se expressa Marilia Beatriz, na orelha do livro. A novela “O Homem do País que não Existe”, não preciso nem dizer, o país não existe. O romance lançado hoje, portanto, se passa no território nacional.

Além do lançamento acontece a peça “Progresso”, com Ivan Belém e direção de Luiz Marchetti e texto… De Eduardo Mahon. Sim, tava esquecendo, além dos romances, contos e poemas ele escreveu roteiros e agora esta peça que será encenada no Teatro da UFMT.

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