Aniversário na Infraero – artigo de José Antônio Lemos

Em artigos anteriores tenho repetido que dois dos mais importantes projetos para a cidade e para a Copa já ultrapassaram os limites do preocupante e atingem as raias do risco total em função dos prazos até 2014. Um é o da mobilidade urbana, especificamente nos projetos vinculados aos eixos do VLT, até hoje sem projeto; outro é o aeroporto, até hoje sem licitação das obras de sua estação de passageiros. Enquanto o caso da mobilidade tem sido bastante comentado, o do aeroporto não. Parece que a opinião pública e os meios informativos entenderam que o assunto está suficientemente bem acompanhado pela Infraero, apoiada nesse projeto pelo Estado desde o ano passado. Pois é, aconteceu mais um atraso no projeto do aeroporto, que todos já imaginavam pronto e que só faltava a licitação da obra. Qual o que. Semana passada a Infraero acatou pedido da empresa Globe Engenharia de adiar para dia 27 próximo a entrega do projeto executivo para as obras de ampliação do Aeroporto Marechal Rondon, que era prevista para o começo deste mês. Cerca de 15 dias de atraso podem parecer nada, mas são críticos diante do prazo que se tem até a Copa.

Olhado ao longo do histórico das ampliações do Marechal Rondon o temor aumenta. Aos iniciantes em Aeroporto Marechal Rondon, é bom lembrar que a Infraero tem sido madrasta com o nosso aeroporto e desde as três últimas décadas o aeroporto funciona subdimensionado. A situação seria corrigida quando um cuiabano de saudosa memória, Orlando Boni, assumiu em 2002 a direção da empresa e determinou a elaboração de um projeto de qualidade, bem como um Plano Diretor para o aeroporto, compatível com seu movimento, já acelerado naquela época. Foi projetada então uma estação para 1,0 milhão de passageiros por ano, e as obras foram tocadas até enquanto permaneceu aquela direção do órgão. Ainda bem que deixou quase concluído o módulo “A” (atual ala de embarque) e o setor administrativo, o módulo “C” (atual ala(?) de desembarque), pois as obras foram paralisadas e só concluídas nos módulos iniciados graças à intervenção na época do Conselho Deliberativo do Aglomerado Urbano através de uma Moção de Repúdio, assinada pelos então governador do estado e os prefeitos de Cuiabá e Várzea Grande. E é o que temos até hoje, uma estação para 1,0 milhão de passageiros/ano construída pela metade, acrescida pelo emergencial “puxadinho”, concluído também depois de muitos atrasos. Isso para mais de 2,5 milhões de passageiros usuários em 2011!

A Copa trouxe a esperança de que a situação do Marechal Rondon fosse resolvida. Qual o que. A abertura da licitação para o projeto da ampliação do aeroporto só saiu a 3 de novembro de 2010, ano e meio após a escolha de Cuiabá como uma das sedes da Copa, dando até a impressão que a Infraero torcia contra a cidade. A Ordem de Serviço para o projeto só saiu 2 meses e meio depois, com prazo de execução de 6 meses para o projeto básico, que seria junho, passou para julho e depois para setembro quando foi publicada a maquete eletrônica. O projeto executivo que já fora adiado para o início de março, sofre agora mais uma prorrogação para final de março, 17 meses após sua licitação! Imagine se o aeroporto não fosse peça importante para a Copa do Mundo, um projeto nacional, compromisso internacional do país. A bem da verdade há que se ressaltar o novo elã dado à Infraero pelo presidente Gustavo Matos que no próximo dia 24 de março completa um ano de administração. Que o projeto completo do novo Aeroporto Marechal Rondon, que se arrastava por décadas, seja o marco simbólico dessa comemoração, sinal concreto de um novo tempo para a Infraero. Se possível já acompanhado pelo lançamento da licitação para as obras.

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