As duas principais editoras mato-grossenses – numa saudável competição – continuam lançando obras de arte, livros brochuras com novos títulos e autores

Os autores posam para a posteridade...

Os autores posam para a posteridade…

Mato Grosso está vivendo momento único na literatura por opção de duas editoras – Entrelinhas e Carlini e Caniato Editorial – que vem se revezando nas edições de livros de autores locais conhecidos, ilustres desconhecidos e iniciantes nas letras. Uma competição mais que saudável, diria salutar até, para as letras mato-grossenses. A Entrelinhas sempre primou por edições apuradas, até com um certo requinte, enquanto a Tanta Tinta se propõe a realizar edições tipo brochuras, porém em profusão.

Os casos recentes, para exemplicar, cito as edições do livro “Fica, Pedro!”, de Luiz Carlos Ribeiro e Flávio Ferreira (texto) e registro fotográfico de Banavita, além de bilíngue – português e espanhol. O livro é um verdadeiro documento. Além do texto da peça escrita pelos dramaturgos, traz textos de apresentações de Leonardo Boff, Carlos Maldonado (que Deus o tenha), comentário de José Blanes Sala, apontamentos Silvana Aparecida Teixeira e Marília Beatriz, mestras em linguagem e semiótica. Quer mais?

A Carlini e Caniato Editorial, por outro lado aposta na quantidade, com edições de baixo custo, mas que busca alcançar o maior número leitores e na noite desta terça-feira, 22, realizou um inédito lançamento coletivo com oito autores de uma pancada só, em noite de autógrafos no Sesc Arsenal, Cuiabá. As publicações são resultado do edital de incentivo à cultura da Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Turismo e Fundo Municipal de Cultura de Cuiabá.
Ramon Carlini, editor, disse que as ações governamentais como essas de apoiar, fomentar a produção, fazer circular a literatura produzida em Mato Grosso é importante. Segundo ele, existe um interesse real pela literatura produzida aqui. Escolas estão procurando as editoras para uma abordagem de leitura ao ensino.

A escritora Cristina Campos, lançou o seu primeiro livro de poesia, “Bicho-grilo”, com ilustrações de Ruth Albernaaz, também sente que – em que pese a propalada crise – existe atualmente um investimento na literatura, e isso é muito bom. Agora, ela sente falta de um link de absorção dessa produção. Para a poeta, seria importante o governo colocar essa nas bibliotecas, escolas. “Livro é como planta, se cuidar floresce”.

“Nota de cinco” é o romance de estreia de Luck P. Mamute que está finalizando a sua quarta obra. Aos 41 anos, ele diz que sempre trabalhou com roteiro, e diz que acha interessante o quadro literário, que produz uma literatura que “respira e tem o cheiro daqui, da terra. Ele conta que a história do livro começa a partir de uma nota de cinco reais e transcorre em uma rua, a Caetano Santana, que fica no bairro do Porto, nas proximidades do Sesc Arsenal.

Outro estreante em livro é de Santiago Santos , com o livro de contos“Na eternidade sempre é domingo”. Estreia em livro, pois o escritor é bem ativo na internet, com um site exclusivo para contos curtos, dentro da definição americana, que é entre 300 e mil palavras. Segundo ele, a publicação dos novos escritores, mostra que existe uma produção rolando. “Agora tenho dúvidas se estão lendo”.

A mesma dúvida, muito das vezes, também o repórter sente essa incerteza, mas de repente, não mais que de repente um leitor atento corrige na seção de cartas as ‘desinformações’ publicadas.

Romances, contos, crônicas, ensaios, poesia e livros infato-juvenis. Além dos citados também foram premiados e lançaram suas obras “Acordes para uma menina cantar”, de Marilza Ribeiro – poesia; “Obscuro-shi: Contos e Desencontros em Qualquer Cidade”, de Wuldson Marcelo – contos; “Me Literatura”, de Rafaella Elika Borges – contos; “Duplo Sentido”, de Luiz Renato e Carlos Barros – crônicas; e “O circo do Bagre Zé pelo Pantanal”, de Iraci Romagnolli Dias (in memoriam) – infanto-juvenil. O edital, lançado em 2015, investiu R$ 144 mil em projetos de literatura.

Para arrematar, é importante registrar que os dois eventos, tanto o lançamento da obra “Fica, Pedro!”, de Luiz Carlos Ribeiro e Flávio Ferreira (apesar da chuva), no Museu Histórico de Mato Grosso, e dos oitos escritores premiados, no Sesc Arsenal, o público considero de bom pra muito bom.

PS. Tudo isso sem contar os lançamentos dos livros do primeiro MT Literatura, edição 2015.

João Bosquo

João Bosquo, poeta e jornalista, editor deste blogue NAMARRA.COM.BR
nas redes sociais: @joaobosquo

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