Eduardo Mahon: A literatura sem pedágios de Luciene Carvalho

CUIABÁ DO AGORA – Eduardo Mahon A literatura sem pedágios de Luciene Carvalho Na resenha anterior, pretendi mostrar como a terra influencia a literatura em seus diversos momentos históricos, mais especificamente fenômenos ligados à Cuiabá e suas transições no tempo e espaço. Tracei um paralelo entre o cânone “aquiniano” que pretendia idealizar a imagem mato-grossense e cuiabana como uma espécie

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“Estamos no Estado que apresenta os maiores índices brasileiros de violência contra a mulher, uma tragédia sob todos os aspectos”, diz Eduardo Mahon

Ensinar a não bater (E.M) A deputada Janaína Riva apresentou um projeto para ensinar nas escolas métodos de prevenção à violência contra a mulher. Foi o suficiente para que uma artilharia pesada fosse disparada nos grupos de discussão: a escola precisa ensinar matemática – é o melhor argumento. Os mais criativos dizem que a escola contemporânea precisa ensinar ao aluno

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UFMT: além e aquém de si mesma – Por Eduardo Mahon

Por Eduardo Mahon | Alguém se lembra que, todos os meses, a Faculdade de Economia da UFMT era consultada para explicar a variação inflacionária? Que, em todas as grandes obras do Estado, a Faculdade de Engenharia Civil da UFMT era consultada para dar parecer? Alguém se lembra que, em todos as grandes questões ambientais, as Faculdades de Engenharia Florestal e Biologia

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Eduardo Mahon: O político é um homem público que tem obrigação de ser simpático, de atender bem, de ser educado e atencioso, de mostrar-se solícito e sensível aos problemas dos outros

O personalismo político é tão atraente como repulsivo. No início, costumamos apostar na figura do herói, do salvador, do xerife, quando não nas três imagens unidas numa única pessoa, como no caso do atual Governador Pedro Taques. Era bastante simples a opção de voto, após a passagem da nuvem de gafanhotos que devastou Mato Grosso. Eu mesmo cheguei a lançar

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Sobre quem faz e fica e quem fala e passa… – Por Eduardo Mahon

SOBRE QUEM FAZ E FICA E QUEM FALA E PASSA… A propósito de políticas públicas, quero chamar atenção para a diferença entre quem faz e fica nos registros históricos e quem fala demais e acaba sendo esquecido. Sobre a educação musical cuiabana, por exemplo, grandes nomes ensinaram o povo a entender e apreciar música de qualidade: Zulmira Canavarros, Maria Benedita

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O Velho Palacete – Por Eduardo Mahon

Por Eduardo Mahon | Ninguém diria que o palácio nasceu do mesmo tamanho que todos os demais casarões na rua de terra batida. Contudo, a despeito do que ignorem os meninos que estudam arquitetura contemporânea, esses mesmos que acham que o aço, o vidro e o concreto aparente constituem o catecismo do futuro, naquela rua algum dia estiveram alinhados casarões da

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O Moralista no Divã – Por Eduardo Mahon

  Há fobias de muitas naturezas. Coincidem, no entanto, com a aversão a alguma coisa: lugares abertos, aglomeração de gente, micróbios, lugares escuros ou apertados. Há fobias que passam despercebidas e foram naturalizadas – fobia de barata, de cobra, de lagartos, enfim. Outras são sazonais na história da humanidade: fobia de um determinado povo, língua ou território. Finalmente, há aversões

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Silêncio – por Eduardo Mahon

Por Eduardo Mahon | No centro da cidade, um calor escaldante. A ruela repleta de lojinhas acotovelando-se por atenção dos transeuntes foi tomada por placas que encobriram as antigas fachadas. Alguém teve uma ideia infeliz: colocar um vendedor na frente, munido de um microfone ligado à caixa de som. Daí em diante, todos repetiram a dose e, quem pensar comparar aquela

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Corrupção Socialmente Responsável – Por Eduardo Mahon

Por Eduardo Mahon | A corrupção brasileira é a mais improdutiva, predatória e concentradora que se tem notícia. É preciso educar os corruptos para a responsabilidade social da corrupção. Um corrupto responsável gera empregos, é ambientalmente equilibrado, não gasta com excentricidades e se envolve em projetos de corrupção solidária. O corrupto precisa se qualificar para multiplicar conhecimento. Isso significa que deve

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O Meu Vizinho, Gustavo Lima e a Morte. Por Eduardo Mahon

O MEU VIZINHO, GUSTAVO LIMA E A MORTE (E.M) Mania besta de morrer. Como se não fôssemos todos nós para a mesma vala. Calma! Cada um terá vez. A gente morre. Inevitavelmente. Eu diria até pontualmente. Ainda assim, tem gente que morre em vida dezenas, centenas, milhares de vezes. Morro de vontade… é o que se diz. Morro de medo.

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O lugar de tudo é em Marília Beatriz e o lugar de Marília Beatriz é na literatura mato-grossense pela eternidade – Por Eduardo Mahon

Viva, Marília Beatriz! Por Eduardo Mahon | A gestão de Marília Beatriz vai se despedindo com galhardia. Soma mais um troféu valioso para a literatura mato-grossense: a eleição de Aclyse Mattos. Nossa presidente merece o nosso aplauso. Não foi fácil. A responsabilidade, no caso dela, foi redobrada por uma tripla coincidência: Gervásio Leite, o poeta, jornalista, cronista, educador, deputado e

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Eu bem que avisei – Por Eduardo Mahon

EU BEM QUE AVISEI (E.M) Há um inconfessável gozo na expressão – eu bem que avisei. Um prazer erótico, mórbido, sádico e sórdido em ver concretizado o alerta que se deu a quem deu de ombros. Uma espécie de síndrome de Cassandra nos consome contra aqueles que fazem ouvidos moucos ao nosso mau augúrio mais bem-intencionado. Cassandra, coitada, recusou-se a

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Transparência por princípio

O que está em jogo na polêmica atual entre o Governo de MT e o Tribunal de Contas é uma discussão juridicamente superada nos tribunais superiores: trata-se de verificar que interesse é prevalente, se o privado em conservar o sigilo fiscal de empresas ou o público em proceder às auditorias sobre a arrecadação estadual. Desse embate, é preciso posição principiológica,

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A Gripe de Carlos Alberto – Um conto de Eduardo Mahon

Antônio Carlos era um sujeito comum, não fosse o nariz. O nariz em si, ele mesmo um alongamento da cara, não era nada escandaloso: longo, meio adunco, afinado na ponta. O que causou espanto era a capacidade que Carlos Alberto tinha de identificar todos os odores conhecidos e desconhecidos pela ciência. Foi assim que, com dezesseis anos, o jovem Carlinhos

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Ivens e as Asas de Ícaro

Ivens Cuiabano Scaff lançou Asas de Ícaro pela ed. Entrelinhas, obra que trata do amor. O surpreendente é que, já no título, comparou o sentimento humano ao delírio mitológico do personagem que pretende voar e chegar perto do Sol. O autor deixa claro, inicialmente, a leitura de que o amor (não a paixão, como seria costumeiro) não se coloca conservador

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Bovinices literárias

Em MS, acabaram com o ensino da literatura! Quando fiz o haicai “talvez seja o clima/ criando rebanhos/ de gente bovina”, estava sufocado com a bovinice da nossa intelligentsia mato-grossense. Tudo muito tacanho em termos de apoio cultural. Talvez por serem nossos governantes partidários do agronegócio, onde o que há para ler resume-se a um manual de tratores ou as

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À Beira de um ataques de nervos, por Eduardo Mahon

À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS (E.M) Qualquer governo precisa de apoio popular. Além do voto, um governo se sustenta com base em vários segmentos: agronegócio, indústria, comércio, cultura, esporte, sindicatos e, claro, o suporte político que representa diretamente o eleitor. O governo Pedro Taques, mais do que qualquer outro, precisa de apoio. Isso, por algumas razões evidentes: não

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Pobre País Rico – por Eduardo Mahon

Meus amigos, às vésperas do ano novo, trago más notícias. O Brasil não chegará a lugar algum no ano que vem, nem na próxima década. Muito menos Mato Grosso. Triste, né? Pois então. Em meio a tantas urgências do país, a maior das reformas é adiada indefinidamente. Tem gente que pensa ser a reforma política a nossa redentora. Ou a

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Manual de instruções para um ano novo

É no sumidouro de dezembro que se classificam os anos. Há os que são leves. Espevitados, encasquetam em correr como doidos. Lembram de 1994? Pois então. Não tomam fôlego e nem água gelada. Começam como todos os outros, num janeiro qualquer e já pulam pra março; depois, pra julho e, quando menos se espera, alcançam novembro; daí então, é uma

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Cartografia da Cama, por Eduardo Mahon

No início, estranhei dormir com alguém ao lado. Não sabia se ia conseguir me acostumar. É como um travesseiro novo. Custa habituar. O travesseiro sabe de tudo: as ansiedades, as impaciências, os sonhos. É quase um segundo casamento. Só falta a aliança e o papel passado. A presença da mulher reconfigura a geografia da cama. Pela manhã, ficam os decalques

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Ai de ti, Cuiabá – Por Eduardo Mahon

Por Eduardo Mahon Não vou me meter a pregador. O proselitismo enche infernos de muitas naturezas. Mas gosto muito da expressão “ai de ti, Jerusalém” que retrata o choque de Jesus ao chegar à capital hebreia. A frase é simples. Passa uma emoção verdadeira. Um homem que tem pena de uma cidade pelos caminhos que seguiu. Lembrando desse trecho, olho

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Estado de Gestação – Por Eduardo Mahon

Por Eduardo Mahon O bordão “Estado de Transformação” é muito pretensioso. O que é transformação? Entendo que o novo governo propunha uma reformulação na forma de gerir a máquina pública, estancando os desvios dos administradores criminosos, o desperdício burocrático de servidores pouco engajados e, finalmente, o lançamento de uma plataforma consistente para o futuro em termos de educação. Transformação não

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Nós não somos Emanuéis

Por Eduardo Mahon Fomos colonizados por muitos Emanuéis. Os filhos de portugueses nobres que voltavam à terra natal com as burras cheias de ouro foram os primeiros a serem chamados de ‘brasileiros’. Nem bem chegavam aos trinta anos e já estavam montados na riqueza que havia de sustenta-los (e às gerações seguintes), afora as vantagens oficiais. Antes da independência, um

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Agradeço a oposição

Por Eduardo Mahon Silval Barbosa não tinha oposição. Sem ninguém que colocasse freios, que fiscalizasse, que pressionasse, deu no que deu. Ele está preso, juntamente com outros integrantes que são confessos. Alguns elementos da quadrilha celebraram acordos de delação premiada, onde descreveram o funcionamento da organização criminosa e entregaram bens obtidos ilicitamente. Nenhum governo se sustenta sozinho, como todos sabem. É

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O voto masoquista no Procurador

Por Eduardo Mahon Pense um instante: quanto tempo o Procurador Mauro se manteria no cargo de prefeito, se fosse eleito? Na campanha eleitoral, ele não tem um único candidato a vereador e, provavelmente, o PSOL não fará nenhuma cadeira na Câmara dos Vereadores de Cuiabá. Minha aposta é que não esquente a cadeira por seis meses. Como se sabe, o partido

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Pátria furtada

Dirigentes petistas são tão desprezíveis, tão pequenos, mas tão mesquinhos que, dos 568 itens que a presidência recebeu de outras representações internacionais, Lula deixou no patrimônio apenas 9. Dilma não foi diferente: dos 163 itens, 6 apenas ficaram para a União. Embolsaram tudo. No Palácio, sumiu até mesmo a faixa presidencial, com ouro e pedras preciosas. Os dados são do

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Medalha de Ouro para o Brasil

Enfim, o PT está se retirando. Discretamente, pela porta dos fundos. Sem alarde, de madrugada, durante a Olimpíada. Ninguém quer mais saber o que já se tornou óbvio. Não houve revolta, não houve resistência, não houve conflito. Os longos anos de roubo institucionalizado do petismo serão enclausurados na prisão. Nenhuma ruptura institucional, nenhuma comoção social, nenhuma paralisação duradoura. Eles cansaram.

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