Bilhete Amigo

para Ricardo Guilherme Dicke

Não posso sozinho
vestir a roupa
de outro santo
no mesmo santo…

Decerto isso é indecente
e pensar que com saliva
simplesmente, podemos
pôr todas as cartas no correio

Sem procura, sem busca
nenhuma mão nos oferece
a enxada, a terra
para alinhavar nosso dia

Sem fala, sem enigma
ninguém nos escuta
para saber da solidão
que sofre estando sozinho…

– Não posso no momento
ficar parado, despido,
ouvindo no correr das águas
o canto fútil das sereias
enquanto gente se destransforma
                                                   homem.

Este poema está no livro “Sonho de Menino é Piraputanga no Anzol (2006)”, prefaciado pelo próprio Dicke. Só que, o poema não constava nos originais quando ele o leu, foi inserido depois.
Poemas de João Bosquo
Share Button

João Bosquo

João Bosquo, poeta e jornalista, editor deste blogue NAMARRA.COM.BR nas redes sociais: @joaobosquo

Você pode gostar...