Bolsonaro na Socila, por Eduardo Mahon

BOLSONARO NA SOCILA (E.M)O vazamento dos áudios do ex-ministro revelam cinco problemas graves no governo Bolsonaro: o…

Publicado por Eduardo Mahon em Quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

BOLSONARO NA SOCILA (E.M)

O vazamento dos áudios do ex-ministro revelam cinco problemas graves no governo Bolsonaro: o primeiro é óbvia “bolsofilia” uma nova espécie de comando familiar que, além de deletéria, é matéria para o anedotário nacional; o segundo é a manobra presidencial que usa o próprio pimpolho como míssil teleguiado para eliminar indesejados até mesmo aliados; o terceiro é que Bolsonaro ainda não desceu do palanque e mantém o mesmo discurso beligerante do amigo/inimigo de quando ainda era candidato, demonstrando a falta de maturidade para colocar-se no comando da nação e pacificá-la. A imbecilidade não é monopólio do atual presidente, já que Dilma era um poste tecnocrata, sem a menor capacidade política de composição e conciliação. Mas a gente espera que consigamos superar as nossas idiotias atávicas, elegendo postes mais qualificados.

O quarto e o quinto problemas evidenciados pelo vazamento do ex-assessor são novos: o tratamento pessoal de “capitão” revela uma opção completamente estranha ao poder civil estabelecido constitucionalmente. Bolsonaro foi expulso do exército, mas o exército não saiu dos trejeitos e do imaginário do militar responsável por quarteladas. Não é um detalhe. Bolsonaro não diz “encaminhamentos”, “tarefas”, “atribuições”, prefere usar a parca linguagem disponível dos tempos de soldado – atribuir “missões” a seus subordinados. Portanto, despe-se da faixa presidencial para meter-se numa farda imaginária. Finalmente, o último problema é o pior deles: revelada está uma “república de generais”, onde há um grupo fechado em que o processo decisório é tomado.

Nada tenho contra generais, contra religiosos, contra qualquer segmento social, aliás. No entanto, governar demanda estabelecer uma postura, uma linguagem e, principalmente, um pensamento civil e laico. Enquanto os governos anteriores atrelavam-se à segmentos que beiravam o crime organizado, financiando-os e fomentando desvios maciços de recursos públicos, o atual quer brincar de quartel e de igreja. Não é nada engraçado, entretanto. Uma postura é tão condenável quanto a outra. Bolsonaro foi eleito para governar uma república constitucional, livre da intervenção militar e da mentalidade religiosa, seja qual for. A se confirmar essa mentalidade profundamente redutora, o destino de Bolsonaro não será diferente do de Dilma: o impedimento.

É urgente que Bolsonaro não só afaste os filhotes do governo, como desça do palanque. E mais: que coloque em sua pequena cachola que foi eleito Presidente da República e não designado como capitão de um pelotão. A maior burrice de um gestor é eleger e sublinhar seus próprios inimigos. São inaceitáveis as declarações de um chefe de governo por WhatsApp. Nem mesmo nas forças armadas um capitão de exército bate boca dessa forma com um tenente. Quer governar de botina? Que ridículo! Tenha dó. Já não nos bastam os filhotes do líder-presidiário que se transformaram em grandes empresários durante o mandato do papai? Agora, teremos uma linhagem genética perturbada pelo imaginário de guerras? O Brasil não merece parentes paranóicos no comando da nação.

Se houver destino, triste é o nosso. Saímos das mãos de guerrilheiros hipócritas que pretendiam fazer do país uma republiqueta bolivariana, pregando o socialismo enquanto se esbaldavam no fausto do poder e distribuíam lucros históricos aos bancos para cairmos nas mãos de guerrilheiros que pretendem fazer do país um pequeno quartel. Dentro em breve, os ministros serão obrigados a “pagar flexões”, caso façam alguma coisa que desagrade o capitão. De burrice em burrice, a grassar esse ritmo, não conseguiremos dar um passo adiante. Se a Socila ainda funcionasse, recomendaria que todos os soldadinhos de chumbo de Bolsonaro, ele mesmo e os filhos rebeldes se matriculassem no mais famoso curso de etiqueta do Brasil. Talvez lá, equilibrando um livro na cabeça e aprendendo a usar os talheres, o nosso Presidente conseguisse entender alguma coisa de protocolo e de compostura. Isso seria um bom começo.

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