Cadê o aeroporto? – Artigo de José Antônio Lemos

Dos muitos projetos importantes viabilizados pela Copa para Cuiabá e Várzea Grande, três são essenciais para o funcionamento do grande evento. O primeiro é a Arena Pantanal, principal palco da festa, cujas obras estão indo bem segundo as notícias oficiais. Outro é o aeroporto, porta de entrada por onde chegarão os visitantes que virão torcer por suas seleções e aproveitar para conhecer as belezas pantaneiras, amazônicas e do cerrado. A terceira é a mobilidade, em especial a Avenida da FEB, ligação viária entre o aeroporto e a Arena, sem a qual a Arena fica isolada. A avenida da FEB integra o pacote de obras do VLT, cuja licitação prevê para hoje, dia 15, a abertura dos pacotes das empresas concorrentes à elaboração dos projetos, execução das obras e implantação dos serviços. Tomara que o processo de licitação flua e permita que do pacote do VLT ao menos as obras dessa avenida tenham início breve. Aliás, a prefeitura de Várzea Grande parece não confiar no início dessas obras tão cedo, tanto que está trocando agora os postes e luminárias do canteiro central da avenida.

O caso do Aeroporto Marechal Rondon parece mais preocupante pois ao longo da história, para dizer o mínimo, a união não tem sido muito atenciosa para com o nosso aeroporto, antes e depois da Infraero existir. A única exceção foi com o saudoso cuiabano Orlando Boni que assumiu a presidência da Infraero em 2002 e determinou a substituição da reforma meia-boca que então estava programada para a estação, por um projeto decente para 1 milhão de passageiros/ano, o dobro do movimento em 2002. Elaborou inclusive um Plano Diretor para o aeroporto com previsão da construção de um novo terminal voltado para o Cristo-Rei. Após deixar a presidência da empresa a obra foi paralisada, posteriormente retomada e depois concluída pela metade. Descontado o “puxadinho”, esta é a situação de atendimento até hoje, para um movimento de 2,5 milhões de passageiros no ano de 2011.

Quem conhece o pitoresco episódio da década de 60 envolvendo a então primeira-dama do país e que culminou com a construção aqui em Várzea Grande da primeira estação de passageiros considerável como tal, sabe o quanto tem sido complicado os avanços em termos do nosso principal aeroporto. Depois da primeira-dama, foi preciso a sorte de um cuiabano assumir a Infraero, ainda que sua obra tenha ficado pela metade, e agora estamos contando com a sorte grande de Cuiabá ter sido escolhida como uma das sedes da Copa do Mundo 2014. Todos esperam que agora venhamos ter um aeroporto realmente à altura do seu movimento e de ser a principal porta de entrada de um dos estados mais belos e produtivos do Brasil, campeão nacional na agricultura e na pecuária.

Qual o que! Cuiabá foi escolhida como sede em maio de 2009 com prazo exíguo para sua preparação e só em 3 de novembro de 2010 – um ano e meio depois da escolha – um ano e meio depois! – foi aberta pela Infraero licitação para o projeto da nova estação, com prazo de um ano para elaboração dos projetos básico e executivo. E o tempo passando. Só em 21 de janeiro do ano seguinte foi dada a Ordem de Serviço para os projetos – um mês e meio depois! E o tempo passando. Agora no final de março finalmente foram entregues os projetos, com 2 meses de atraso. E o tempo passando. Era para acreditar que de imediato seria lançada a licitação para as obras. Qual o que! Hoje, 15 de maio de 2012, 1 mês e meio após a entrega dos projetos executivos e a 2 anos do início da Copa do Pantanal, até hoje a Infraero não lançou a licitação para as obras da nova estação de passageiros. E não se fala nisso. E o tempo passando. Afinal, quem vai cobrar da Infraero esses sucessivos atrasos em relação às obras do Aeroporto Marechal Rondon?

 

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