Casa Barão de Melgaço, sede da Academia Mato-grossense de Letras, reabre suas portas em noite de festa

Vera Capilé, acompanhada pelo sax do Mestre Bolinha, canta o Hino de Cuiabá na solenidade de abertura da sede da AML e do Instituto Histórico, restaurada pelo Iphan, Governo do Estado e prefeitura de Cuiabá

Sede da AML,em evento de 2015

A Casa Barão de Melgaço – depois de idas e vindas – finalmente será inaugurada neste sábado, 6 de maio de 2017. A prefeitura de Cuiabá cogitou fazer a entrega dentro do calendário de aniversário de 300-2 da capital, em abril, mas teve que ser adiada. Agora não tem história. A solenidade de reabertura começa às 19 horas, lembrando sempre que somos brasileiros e não temos ainda a cultura de começar pontualmente no horário.

O governador Pedro Taques, o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro e a Superintendente do Iphan-MT, Amelia Hirata, cercados certamente por outras autoridades, receberão a presidente nacional do Iphan, a historiadora Kátia Bogéa, que vem especialmente para o evento, já que os recursos foram do Governo Federal, dentro do programa PAC Cidades Históricas, uma proposta que vem lá de trás, dos tempos de Lula e Dilma. A presidenta da Academia Mato-grossense de Letras, a escritora Marília Beatriz diz que a cerimônia será simples, ela promete falar pouco, assim como deve ser curto o discurso de Elizabeth Madureira, presidenta do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso. De Brasília, virá também o diretor do PAC Cidades Históricas, Robson Antônio de Almeida.

Recapitulando. O prédio que hoje abre suas portas e janelas faz parte da história mato-grossense. Ele pertenceu ao político e intelectual Auguste Leverger (o Barão de Melgaço) e o que se sabe é que a casa foi construída entre 1775 e 1777, sendo que Barão de Melgaço comprou o imóvel e passou a morar ali a partir de 1837 até 1880, quando veio a falecer.

Voltemos à Casa. Segundo os estudiosos, o tamanho do prédio e as técnicas de construção são do século 18, mas as reformas foram tantas que a casa tem pouco do estilo colonial, já que foi acompanhando as modificações da paisagem ao redor e hoje temos um neoclássico.

A casa pertenceu aos familiares de Auguste Leverger até 1926, quando foi desapropriada pelo Estado. Em 1931 o Estado a doou para o Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso e para a Academia Mato-grossense de Letras.

Barão de Melgaço – Francês, natural de Saint-Malo, nasceu em 1802, Auguste Leverger, tornou-se marinheiro aos 17 anos e chegou ao Brasil ainda jovem e ingressou na Marinha Imperial do Brasil na qual percorreu todos os postos. Naturalizado brasileiro foi presidente da Província de Mato Grosso por cinco vezes e sua bem sucedida ação na Guerra do Paraguai o fez receber de Dom Pedro II o título de Barão de Melgaço.

Além de nomear a casa onde morou, empresta o nome à rua onde está localizada a casa e é denominação pelo município Barão de Melgaço. Não é pouca coisa pra um francês, enquanto o nosso Eurico Gaspar Dutra empresta o nome ao estádio praticamente abandonado e a uma praça que poucos sabem a sua localização. E o Padre Pombo, então?

PAC Cidades Históricas – A restauração da Casa Barão de Melgaço está dentro do Projeto ‘PAC Cidades Históricas’. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) uma iniciativa do governo federal sob a coordenação do Ministério do Planejamento que promoveu a retomada do planejamento e execução de grandes obras de infraestrutura social, urbana, logística e energética do país.

Cuiabá foi a única cidade do Estado a entrar no projeto, e o valor calculado de todas as obras seria de R$ 10,49 milhões, que irão beneficiar ainda o Casarão de Bem Bem, que hoje abriga a Escola de Música; Casarão Irmã Dulce – onde esá Iphan; o Casarão Rua Voluntários da Pátria esquina Eng. Ricardo Franco, sede do Museu da Imagem e do Som; Casarão Rua Sete de Setembro; o Casarão da Rua Pedro Celestino, 79, sede do Escritório de Gestão do Centro Histórico; o Casarão a Rua Pedro Celestino, 16, esquina com a Rua Campo Grande; o Casarão da Rua Pedro Celestino, s/n – Posto Municipal de Apoio à Policia Militar; o Casarão da Funai e a Igreja Senhor dos Passos. Vamos ficar na torcida para que todas estas obras estejam prontas até os 300 anos da nossa capital.

João Bosquo

João Bosquo, poeta e jornalista, editor deste blogue NAMARRA.COM.BR
nas redes sociais: @joaobosquo

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