Casa da Cultura berço do resgate da Cultura Popular: Flor Ribeirinha

Por Raimundo Henrique* | Foi muito emocionante e gratificante ler no Facebook a performance do Grupo de Dança Flor Ribeirinha representando o Brasil em festival internacional e obtendo o primeiro lugar.

Nesta leitura de rotina fui tomado de profunda reflexão com relação ao meu tempo passado em terra considerada pelos da que hoje estou residindo de “muito distante”.

Para mim é na realidade minha terra não de coração, mas de corpo e alma mesmo. Neste lugar “distante” convivi com pessoas nascidas e sempre radicadas em seu espaço natal que me abriram portas em todos os sentidos: social, profissional e familiar.

Foi no plano profissional que me “enturmei” com o povo local e os imigrantes em geral, principalmente na velha e produtiva CASA DA CULTURA ZULMIRA CANAVARROS, meu berço de aprendizagem para a vida tendo como companhia, em sua maioria, filhos/filhas da terra, apaixonados pelo trabalho que faziam, sim pelo salário, mas principalmente por sentirem prazer no que realizavam. Todos, sem exceção, deixaram sua marca de produtividade que aqui neste pequeno espaço nomeio o Senhor Joaquim, representando a todos, como o exemplo maior de dedicação e responsabilidade.

Entre os anos de 1980/1983 a CASA DA CULTURA deu início a um resgate de itens diversos das tradições cuiabanas, no meu caso, ouvindo e aprendendo com os filhos da terra e com a leitura dos “Cadernos Cuiabanos”, minha bíblia para o trabalho que desenvolvi a partir daqueles anos.

Usos, hábitos e manifestações tradicionais relegadas a bairros pobres da periferia de Cuiabá e comunidades da zona rural, tendendo a se tornarem apenas lembrança dos mais vividos, foram o foco dos trabalhos desenvolvidos na Casa da Cultura e posteriormente dado sequência com a dinamização da TURIMAT – Empresa Mato-grossense de Turismo.

Correr Presépio, Cururu, Siriri, Boi-à-Serra, Dança do Congo (Nossa Senhora do Livramento), o Ranqueado Cuiabano, pessoas como Dona Domingas Leonor do São Gonçalo da Beira Rio, Luiz Marques que fundou a AFOMT (Associação Folclórica de Mato Grosso), Francisco do bairro Pico do Amor, Geraldo do bairro São Benedito, o conjunto musical Cinco Morenos(Várzea Grande), Netinha do Artesanato, entre um número incalculável de pessoas simples que tocavam o ganzá, o tamborete, a viola de cocho; poetas, compositores, cantores, grupos musicais, de dança, teatro, artes plásticas, literatura. Foi uma avalanche silenciosa de atividades de resgate das manifestações culturais com recursos financeiros e materiais pouquíssimos, mas muita riqueza de propósitos e objetividade.

FLOR RIBEIRINHA com sua conquista coroou com palmas de ouro o esforço, a dedicação, a responsabilidade de todos, os letrados e de pouca escolaridade, em alguns casos até nenhuma, a aplicação correta e sem desvio de qualquer ordem dos recursos financeiros e materiais colocados à disposição. FLOR RIBEIRINHA é exemplo de quando o serviço público é realizado com amor e voltado para o bem-estar do próximo obtemos resultados positivos.

Meus parabéns ao FLOR RIBEIRINA, esta foi uma vitória de Mato Grosso, do Brasil, mas principalmente de toda uma comunidade simples no viver, mas riquíssima no fazer.

* Raimundo Henrique de Sousa Almeida. Turismólogo. Trabalhou na Casa da Cultura.

 

 

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