Agora estamos sem Antônio Cândido, um dos nossos mais lúcidos intelectuais

Antonio Candido morre em São Paulo aos 98 anos

Antonio Candido era professor emérito da Faculdade de Filosofia e Letras e Ciências Humanas da USPMarcos Santos/USP

Marli Moreira – Repórter da Agência Brasil | O escritor, crítico literário e sociólogo, Antonio Candido, morreu à 1h40 da madrugada de hoje (12), em São Paulo, aos 98 anos, e seu corpo está sendo velado no Hospital Albert Einstein, em cerimônia que prossegue até as 17h. O hospital não informou a causa da morte.

Nascido no Rio de Janeiro, em 24 de julho de 1918, o intelectual era professor emérito da Faculdade de Filosofia e Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP) e ganhou vários prêmios importantes da literatura como o Prêmio Jabuti, em duas edições, de 1965 e de 1993; também o prêmio Juca Pato, em 2007; o Prêmio Machado de Assis, em 1993, e o Prêmio Internacional Alfonso Reyes. Continue Reading

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Agora estamos sem Maria Santíssima de Lima

Nota de Pesar Sindjor-MT | Com profundo pesar, o Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor) comunica o falecimento da jornalista Maria Santíssima de Lima, ocorrido na noite dessa segunda-feira (10), em Cuiabá.

Santíssima, como era conhecida, tinha 55 anos de idade e há pouco mais de um mês foi diagnosticada com um câncer de garganta, que estava tratando.

Profissional querida e respeitada, Santíssima é lembrada pelas centenas de colegas que conviveram com ela como exemplo de integridade, responsabilidade, dedicação e amabilidade. Continue Reading

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Cuiabá 300-2 vista e revista por nossos escritores e poetas

Cuiabá 300-2. Roubo o título de nosso cronista urbanista José Antônio Lemos dos Santos, o arquiteto que conhece Cuiabá 300 em todos os seus traçados. No seu último artigo, publicado também aqui neste Diário de Cuiabá, José Lemos lamenta a falta de continuidade da política urbanística registrada em lei, 30 anos atrás para comemorar os 300 de Cuiabá forma mais bela… A política tupiniquim nunca tem continuidade por conta da nossa natural vaidade de acharmos que devemos ser os primeiros, embora os primeiros em Cuiabá, todos sabem, foram os índios paiaguás.

Mas, vamos combinar, apesar de tudo, de todos os percalços, Cuiabá continua. Somos Cuiabá! Assim é o pulsar de todas as vozes cuiabanas daqueles de tchapa e cruz ou naturalizados pela culinária (quem comer cabeça de pacu não sai daqui, já dizia Benjamim Ribeiro), pela cultura, pela arte ou, enfim, pelo calor cuiabano.

Eis os depoimentos de quem ama Cuiabá e seus motivos Continue Reading

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Agora estamos sem João Gilberto Noll, romancista gaúcho, vencedor de cinco edições do Prêmio Jabuti

Gaúcho, autor de Acenos e Afagos, será enterrado em sua cidade natal, Porto Alegre. Foto: Divulgação

Gaúcho, autor de O Cego e a Dançarina, será enterrado em sua cidade natal, Porto Alegre. Foto: Divulgação

Nascido em 15 de abril de 1946, em Porto Alegre, João Gilberto Noll destacou-se por sua atuação na prosa, como romancista e contista. Sua obra também compreendeu a dramaturgia, escreveu para o teatro e teve sua obra adaptada para o audiovisual.

O gaúcho recebeu o Prêmio Jabuti cinco vezes, além de ter vencido o Oceanos e o APCA ao longo de sua carreira. Atualmente, dedicava-se a ministrar uma oficina de literatura sobre as variações do gênero conto. Noll foi professor convidado na Universidade de Berkeley e escritor residente no King’s College, em Londres. Continue Reading

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Livro da Turma da Mônica sobre os ensinamentos de Chico Xavier será lançado dia 8

Sessão de autógrafos do livro contará com Mauricio de Sousa

Comemorando o mês de aniversario do médium, acontecerá no próximo, dia 8 de abril, sábado, o lançamento do livro Chico Xavier e Seus Ensinamentos, escrito por Luis Hu Rivas e Ala Mitchell, com ilustrações do desenhista Mauricio de Sousa, no Shopping Center Norte.

Depois de mais de 100 mil exemplares vendidos da obra Meu Pequeno Evangelho, a editora Boa Nova, em parceria com o desenhista Mauricio de Sousa, traz exemplos incríveis vindos de Chico Xavier, eleito o maior brasileiro de todos os tempos em uma votação popular promovida pelo SBT, em 2012.

Enquanto Mônica e seus amigos se recordam de diversos momentos que já viveram juntos, André, primo do Cascão, Continue Reading

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Agora estamos sem William Gomes, o mineiro mais cuiabano que já tivemos, amante de nossa cultura e do nosso linguajar

Tchá por Deus, ma quê qué esse? É cuiabanês, segundo William Gomes

O radialista William Gomes tem na certidão de registro de nascimento a localidade de “Bel Horzonte”, capital mineira. Um ano depois, porém, começou a respirar os ares desta Cuiabá, que neste 8 de abril completa 300-6 (esta é a contagem regressiva ao tricentenário). Por conta desse breve detalhe, seria William Gomes Lisboa da Costa, por acaso, um pau-rodado? Não! É apenas um detalhe desse cuiabano filho do corumbaense Bichat Gutemberg da Costa, e mimoseana, Rosa Fernandes da Costa, que naquele longínquo início da década dos anos 50 do século 20, moravam em terras das Minas Gerais.

Da infância, conta que estudou na antiga Escola Modelo Barão de Melgaço, quando ainda era no Palácio da Instrução, hoje sede da Biblioteca Estevão de Mendonça; seguiu-se para o Colégio dos Padres (naqueles tempos escola de aluno vadio) e Ginásio Brasil. O científico (hoje Ensino Médio) já foi em São Paulo, onde se formou em comunicação e administração de empresas.

Também foi em São Paulo que William Gomes iniciou no rádio como repórter esportivo. O conhecimento musical possibilitou a fazer programas de estúdio e ano de 1975 retorna a Cuiabá e começa a trabalhar como assessor de imprensa e trabalha, como radialista, em todas as emissoras AM: Rádio A Voz d’Oeste, Rádio Difusora, Rádio Cultura e também a Rádio Industrial, de Várzea Grande, quando de sua inauguração, e como professor, ministra aulas nas áreas de comunicação e administração, na UFMT, pela qual está aposentado. Continue Reading

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Dinalte Tuiuiú o fotógrafo das competições

O repórter-fotográfico do DC tem um dos maiores acervos fotográfico a disposição em sua página do Facebook

O repórter-fotográfico, Dinalte Tuiuiú e este e poeta em março, no lançamento do livro Imitações de Soneto

Se formos contar as corridas – todas as corridas de Reis – Dinalte Miranda, o nosso Tuiuiú, sem sombra de dúvidas ele é o grande vencedor. Ele – se não participou como corredor inscrito – esteve presente em sua grande e absoluta maioria registrando os melhores (e piores) momentos das Corridas de Reis, que este ano chega em sua 33ª edição.

Dinalte Miranda, como seu perfil no Facebook tem o maior acervo de fotos de atletas anônimos, conhecidos e celebridades que já participaram da corrida que acontece todos os anos na capital mato-grossense.

Pelos registros do repórter-fotográfico Dinalte Tuiuiú temos uma noção da importância que ganhou a corrida ao longo das décadas. De um modesto início hoje a Corrida de Reis está no calendário esportivo nacional e internacional, com transmissão ao vivo pela TV.

Dinalte Miranda nascido e criado no bairro da Lixeira, estudou no antigo colégio do Baú, Escola Kardeciana, ligada ao Centro Espírita Cuiabá, do qual Aristotelino Praieiro era presidente; Escola Maria de Glória, passando por mais de dez escolas, muito das vezes abandonando a escola para trabalhar, ajudar no sustento da família, aprendendo a profissão de auxiliar de carpintaria. Continue Reading

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Os 100 anos de Manuel de Barros, o poeta que “não precisava do fim para chegar”

O primeiro livro que li de Manuel de Barros foi o livro “Livro de pré-coisas”, então editado pela Philobiblion, que estava começando. O ano era 1985, trabalhava no extinto “O Estado de Mato Grosso” e no caderno de cultura publicava uma coluna de release e comentários, obviamente, sobre poetas, poesias e livros. Era um pacote de seis livros, entre os quais o “Livro de pré-coisas”, de Manuel de Barros. Li de uma tacada e o texto da editora foi o destaque no fim de semana, depois disso – como confesso – li pouco Manuel de Barros, três ou quatro livros, alguns estão emprestados.

Manoel José Leite Barros é cuiabano, assim de certidão de nascimento, pois logo após a família se muda para Corumbá, então MT e ele narrou isso com poeticidade: “Nasci em Cuiabá, 1916, dezembro. Me criei no Pantanal de Corumbá. Só dei trabalho e angústias pra meus pais. Morei de mendigo e pária em todos os lugares da Bolívia e do Peru. Morei nos lugares mais decadentes por gosto de imitar os lagartos e as pedras. Publiquei dez livros até hoje. Não acredito em nenhum. Me procurei a vida inteira e não me achei – pelo que fui salvo. Sou fazendeiro e criador de gado. Não fui pra sarjeta porque herdei. Gosto de ler e de ouvir música – especialmente Brahms. Estou na categoria de sofrer do moral, porque só faço poesia”, escreveu.

Manuel Barros começou a esboçar seus primeiros poemas aos 13 anos de idade. Seu primeiro livro, intitulado “Poemas”, foi publicado em 1937, quando o autor tinha 21 anos. Talvez, por conta disso não alterou a grafia do nome, como fora proposto pelo acordo de 1943. Continue Reading

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Em Memória do Adeus à Ferreira Gullar – Poema de João Bosquo

Existe, repara, uma hora dentro do minuto e
um segundo, às vezes, é maior que o domingo…

Saio de casa, vou à feira e caminho até descansar
sentado num banco de uma praça perdida num país
que nunca cheguei a conhecer, mas que mora
no centro de meu coração na América do Sul

Uma hora, no meio de um minuto, o poeta pensa:
A vida é lembranças – boas ou más lembranças
e não importa que a gente insista em querer
guardar na memória -, mas elas se perdem…

Um milésimo de segundo é maior que tudo,
maior que um século de tempo contado em horas
quando a pessoa cabe dentro desse milésimo,
mas é menor que a constatação do bóson de Higgs. Continue Reading

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Agora estamos sem Fidel Castro, líder máximo da revolução cubana

Da Agência Brasil

Foto do dia 23 de janeiro divulgada pelo site cubano Cubadebate em 3 de fevereiro. Na imagem, Fidel Castro lê um jornal durante encontro com o líder estudantil Randy Perdomo Garcia Foto de divulgação/direitos reservados

O ex-presidente e líder da revolução cubana, Fidel Castro, morreu anos 90 anos de idade, confirmou na madrugada de hoje (26) seu irmão e sucessor, Raúl Castro. As informações são da agência Ansa.

Em um anúncio na televisão, Raúl disse que era “com profunda dor” que confirmava a “morte do comandante Fidel Castro Ruz”, falecido às 22h29 de Havana do dia 25 de novembro de 2016.

“Em cumprimento da expressa vontade do companheiro Fidel, seus restos mortais serão cremados neste sábado, dia 26”, afirmou Raúl, demonstrando emoção ao ler o breve comunicado. Continue Reading

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Agora estamos sem Carlos Alberto Torres, capitão da seleção tricampeã de futebol

O capitão da seleção brasileira tricampeã de futebol, Carlos Alberto Torres – Divulgação/CBF

Por Isabela Vieira – Repórter da Agência Brasil 
O capitão do tricampeonato da seleção brasileira da Copa do Mundo de 1970, Carlos Alberto Torres, morreu hoje (26), aos 72 anos, no Rio de Janeiro. Ex-lateral direito, atualmente um dos comentaristas do canal de televisão paga Sportv, sofreu um infarto em casa e não resistiu.

Carlos Alberto passou por diversos clubes de futebol, como Botafogo, Santos, onde foi pentacampeão, e Fluminense, time do coração, onde também ganhou o tricampeonato. Ele encerrou a carreira no New York Cosmos, nos Estados Unidos.

Já como treinador, ganhou o título brasileiro de 1983, com o Flamengo; a Copa Conmebol, em 1993, pelo Botafogo; e o Campeonato Carioca, pelo Fluminense, em 1984.

Sua última aparição na televisão, segundo o Sportv, foi no último domingo (23), quando o comentarista participou do programa Troca de Passes.

Fonte: Morre Carlos Alberto Torres, capitão da seleção tricampeã de futebol

><>Certa feita, vendo o jogo – nas poucas vezes que a tv transmite os jogos do Fogão -, nos anos 90, vi a mão do treinador se manifestar de forma decisiva numa partida de futebol. O técnico era CAT, o Capita.

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Funeral de Dario Fo reúne milhares de pessoas em Milão

Da Agência Ansa

Milhares de pessoas acompanharam neste sábado, 15, o funeral do escritor, dramaturgo e Nobel de Literatura italiano Dario Fo, realizado na praça do Domo de Milão, cidade onde ele vivia.

O corpo foi recebido sob gritos de “Dario”, após percorrer cerca de 3 kms no cortejo fúnebre que o levou do Piccolo Teatro Strehler, onde havia sido velado. Debaixo de chuva, parentes, amigos e admiradores acompanharam o caixão pelas ruas do coração de Milão, ao som de “Bella ciao”, música símbolo da Resistência Italiana.

O cortejo também contou com a presença de expoentes do partido populista e antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S), como as prefeitas de Roma, Virginia Raggi, e Turim, Chiara Appendino. Já na praça do Domo, as duas ganharam a companhia do fundador da legenda, o humorista Beppe Grillo. Fo era bastante próximo ao M5S e participou de diversos comícios da sigla.

Problemas com a classe política “Apesar de tudo o que os outros fizeram, eles nunca baixaram a cabeça”, declarou o filho de Fo, Jacopo, falando também de sua mãe, a atriz e dramaturga Franca Rame, morta em 2013.Durante sua vida, o casal sempre teve problemas com a classe política na Itália devido às críticas sociais presentes em suas peças.

Edição: Kleber Sampaio

Fonte: Funeral de Dario Fo reúne milhares de pessoas em Milão | Agência Brasil

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Agora estamos sem Orival Pessini, criador de Fofão, Patropi e Sócrates

Orival Pessini, criador do Fofão, Patropi e Sócrates morreu, na madrugada desta sexta-feira (14). O ator e humorista de 72 anos lutava contra um câncer no baço e estava internado havia duas semanas no Hospital São Luiz, em São Paulo. Ele também teve um câncer na garganta, do qual já estava recuperado. A notícia foi confirmada ao UOL pelo empresário de Orival e sócio da marca Fofão.

O velório está previsto para ocorrer entre 16h e 18h desta sexta no Cemitério Gethsêmani, na Vila Sonia, em São Paulo.

Orival Pessini iniciou sua carreira no teatro. Sua estreia na televisão aconteceu no programa infantil “Quem Conta Um Conto”, na TV Tupi, em 1963. Na década de 70 interpretou os macacos Sócrates e Charles, do Planeta dos Homens (Globo). Estreou, em 1988, no humorístico “Praça Brasil”, da Band, com o personagem Patropi – que levaria mais tarde para os programas “Escolinha do Professor Raimundo (Globo), “A Praça é Nossa” (SBT) e “Escolinha do Barulho (Record)”.

Fonte: Morre, aos 72 anos, Orival Pessini, criador de Fofão, Patropi e Sócrates – Últimas Notícias – UOL TV e Famosos

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Master Literário foi um sucesso

Por João Bosquo

O evento literário no Colégio Master no último sábado, 8, foi verdadeiramente uma festa. Um encontro de escritores, alunos, aplicados alunos, falando de poetas, contistas, romancistas e movimentos literários, além de livreiros, pessoas que gostam, amam os livros e – para não deixar de ser – pais e mães de alunos observando essa organizada algazarra que foi o Master Literário, idealizado para divulgar na nossa mais recente produção literária e cultural.

O evento consistia em criar salas para conhecer os escritores. Os escolhidos para esta primeira edição foram Aclyse de Mattos, Eduardo Mahon, Flávio Ferreira, Ivens Cuiabano Scaff, Luciane Carvalho, Lorenzo Falcão, Lucinda Persona, Marilza Ribeiro e Marta Helena Cocco; e como sala especial a homenagem maior ao nosso mais laureado poeta: Benedito Santana da Silva Freire, ou apenas Silva Freire.

As salas temáticas, sobre a vida e obras dos autores, foram abertas – algumas de livre acesso, enquanto outras com ‘excursão’ obedecendo a um roteiro contando a trajetória literária e ‘pregando sustos’ ao visitante.

Todos, independentes de pontos de vista, adoraram a realização do evento. A poeta Marilza Ribeiro, sempre atenta, foi recepcionada com alegria pelos alunos de sua sala e participou da excursão, para saber o que se falava dela. Legal. Também é a opinião de Lorenzo Falcão. Ele disse que não se lembrava de um evento dessa magnitude no qual reuniu tantos escritores ao mesmo tempo e destacou como o fato mais importante a proximidade com os jovens. “Só isso já está valendo”, disse.

As salas cada uma teve sua performance, digamos, singular. Na sala da poeta, escritora infanto-juvenil e professora, Marta Cocco, uma dupla formada pelos jovens Bia Garcia Marques e Eduardo Salomão, faziam o som ambiente ao acompanhados pelo violão.

Aqui vale um parênteses: Bia Garcia, é bom ressaltar, também participou no varal de poesia, nas proximidades onde as jovens escritoras Stela Oliveira e Poliana Marques, autografavam os seus livros “Campostela: A velha cadeira” e “Gatos da Noite, e “O Passado de Joanna”. As duas são colegas no curso de Comunicação na UFMT. O premiado escritor e jornalista Rui Matos também se fez presente, participando de um ativo escambo com os outros escritores.

A mais singela, opinião deste repórter, foi a de Lucinda Nogueira Persona, com o tema “País da Poesia”, com uma bela retrospectiva fotográfica. Fotos em destaque também aconteceram na sala do poeta Aclyse de Mattos. Luciane Carvalho, com suas ‘quatro estações’, uma das mais performáticas, como a do escritor Eduardo Mahon. A sala do teatrólogo Flávio Ferreira, vizinha exigia uma atenção especial pra localizar. A mais cuiabana, talvez, era a do poeta escritor infanto-juvenil Ivens Scaff, que tem no meio o sobrenome Cuiabano.

O livreiro e ativista cultural, Clóvis Matos, se dizia supersatisfeito com o sucesso do evento. Ele montou sua banquinha (modo de dizer) com sua infinidade de títulos e assuntos durante toda a semana pré-evento e descobriu os jovens estão com sede de leitura.

O editor Carlos Alberto Ozelame, da Editora Entrelinhas, destacou o fato dos alunos trabalharem a regionalidade, os autores locais. “Temos aqui oito salas, oito autores, que os alunos trabalharam os temas, entrevistando os escritores, proporcionando o devido respeito que cada um tem que ter”. Falando do mercado editorial mato-grossense, ele lembra que o Brasil já tem um índice baixo de leitura e em Mato Grosso não é diferente, mas vem se trabalhando junto com as escolas para superar essa deficiência de leitura.

Téo Miranda, da Editora Sustentável, que iniciou suas atividades em parceria com outras entidades fazendo projetos sociais com foco na educação, agora se inicia a publicar livros e o de estreia é o “Amor Essencial”, de Niara Terena, nascida em 2006, e começou a escrever o livro em 2011 que concluiu agora com 10 anos. Quanto ao evento, disse que foi uma iniciativa importante, no sentido de incentivar o jovem no mundo da leitura. A Sustentável, como costuma trabalhar em parceria, procura disponibilizar as suas publicações de forma gratuita.

Ramon Carlini, da Carlini & Caniato, também avaliou como extremamente positiva mostrar a produção regional. A Editorial Carlini & Caniato, para se ter ideia foi a editora que publicou as nove edições dos vencedores do primeiro concurso MT Literatura. Ah, sim, os livrinhos da poeta Stela Oliveira, também são pela C&C. Viva o livro, viva os escritores, viva a escrita.

Leia mais sobreo assunto: Festival “Master Literário” é apresentado aos alunos

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Arquivo Público guarda registros das Candidatas do Estado que se tornaram Miss Brasil

Márcia Oliveira, Josiane Kruliskoski e Jackeline Oliveira, as mato-grossenses que se tornaram Miss Brasil / Fotos: Divulgação

Da Assessoria – O principal concurso de beleza do país, o Miss Brasil, foi realizado neste sábado (01.10) em sua 62ª edição. O primeiro evento oficial, ocorrido em 1954, foi vencido pela baiana Marta Rocha. Com o passar dos anos, 15 estados diferentes conseguiram emplacar suas representantes como a mais bela da nação. Em Mato Grosso foram três candidatas que conseguiram esse feito. A Superintendência de Arquivo Público, ligada a Secretaria de Estado de Gestão (Seges) guarda os registros destas competições.

Capa do diário “O Estado de Mato Grosso” / Divulgação

A Miss de Barão de Melgaço, Márcia Oliveira, 52 anos, natural do Rio de Janeiro, foi a primeira representante de Mato Grosso a se tornar Miss Brasil, em 1985. O jornal O Estado de Mato Grosso de 11 de maio daquele ano, anunciava em um dos seus títulos “MT tem beleza maior que o Pantanal”. O júri que elegeu a vencedora foi formado por várias personalidades da época, uma delas era o jogador de futebol, Pelé.

Em 17 julho, o mesmo jornal comentava sobre o segundo lugar conquistado por Márcia no Miss Sul América, ocorrido em Lima, capital do Peru. Outra façanha, realizada no maior concurso de beleza do mundo, o Miss Universo, também foi lembrada. A Miss ficou entre as 10 mais bonitas no evento disputado em Miami, Estados Unidos.

No ano  2000, Mato Grosso teve mais uma candidata vencedora do Miss Brasil, desta vez foi Josiane Kruliskoski, Miss Sinop, 35 anos, natural de Catanduvas, Paraná. O jornal Diário de Cuiabá de 16 de abril exibia a seguinte chamada “Garota de Sinop vai Disputar o Miss Universo”. Os concursos de beleza conquistados pela Miss e a sua trajetória de vida, foram alguns dos assuntos expostos pelo jornal. Josiane não ficou entre as finalistas do Miss Universo que aconteceu em Nicósia, Chipre.

A última a alcançar o posto de Miss Brasil foi Jackeline Oliveira, 24 anos, eleita em 2013. A jovem natural de Rondonópolis representou sua cidade na competição regional, sendo a primeira Miss que realmente nasceu em Mato Grosso a ganhar o concurso nacional. O jornal A Gazeta de 30 de setembro exibia “MT fatura o Miss Brasil”. As etapas do concurso e o feito conquistado pela rondonopolitana foram abordados pelo veiculo de comunicação. Josiane, vista por muitos como a sósia da atriz Bruna Marquezine, ficou em 5º lugar no Miss Universo realizado em Moscou, Rússia.

Este ano quem defendeu o Estado e concorreu ao titulo de Miss Brasil foi Taiany Zimpel,18 anos, Miss Sorriso. Para ter acesso a documentos referente a esse assunto ou registros relacionados a outros temas, visite o Arquivo Público de Mato Grosso, localizado na Avenida Getúlio Vargas, nº 451, no centro de Cuiabá. O atendimento é das 13h às 19h. Mais informações pelo telefone (65) 3613-1801 ou pelo site http://www.apmt.mt.gov.br.

Fonte: Arquivo Público guarda registros das Candidatas do Estado que se tornaram Miss Brasil – Notícias – mt.gov.br

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Discurso da Presidenta Dilma Vana Rousseff no Senado Federal

Excelentíssimo Senhor Presidente do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski

Excelentíssimo Senhor Presidente do Senado Federal Renan Calheiros,

Excelentíssimas Senhoras Senadoras e Excelentíssimos Senhores Senadores,

Cidadãs e Cidadãos de meu amado Brasil,

No dia 1º de janeiro de 2015 assumi meu segundo mandato à Presidência da República Federativa do Brasil. Fui eleita por mais 54 milhões de votos.

Na minha posse, assumi o compromisso de manter, defender e cumprir a Constituição, bem como o de observar as leis, promover o bem geral do povo brasileiro, sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil.

Ao exercer a Presidência da República respeitei fielmente o compromisso que assumi perante a nação e aos que me elegeram. E me orgulho disso. Sempre acreditei na democracia e no Estado de direito, e sempre vi na Constituição de 1988 uma das grandes conquistas do nosso povo.

Jamais atentaria contra o que acredito ou praticaria atos contrários aos interesses daqueles que me elegeram.

Nesta jornada para me defender do impeachment me aproximei mais do povo, tive oportunidade de ouvir seu reconhecimento, de receber seu carinho. Ouvi também críticas duras ao meu governo, a erros que foram cometidos e a medidas e políticas que não foram adotadas. Acolho essas críticas com humildade.

Até porque, como todos, tenho defeitos e cometo erros.

Entre os meus defeitos não está a deslealdade e a covardia. Não traio os compromissos que assumo, os princípios que defendo ou os que lutam ao meu lado. Na luta contra a ditadura, recebi no meu corpo as marcas da tortura. Amarguei por anos o sofrimento da prisão. Vi companheiros e companheiras sendo violentados, e até assassinados.

Na época, eu era muito jovem. Tinha muito a esperar da vida. Tinha medo da morte, das sequelas da tortura no meu corpo e na minha alma. Mas não cedi. Resisti. Resisti à tempestade de terror que começava a me engolir, na escuridão dos tempos amargos em que o país vivia. Não mudei de lado. Apesar de receber o peso da injustiça nos meus ombros, continuei lutando pela democracia.

Dediquei todos esses anos da minha vida à luta por uma sociedade sem ódios e intolerância. Lutei por uma sociedade livre de preconceitos e de discriminações. Lutei por uma sociedade onde não houvesse miséria ou excluídos. Lutei por um Brasil soberano, mais igual e onde houvesse justiça.

Disso tenho orgulho. Quem acredita, luta.

Aos quase setenta anos de idade, não seria agora, após ser mãe e avó, que abdicaria dos princípios que sempre me guiaram.

Exercendo a Presidência da República tenho honrado o compromisso com o meu país, com a Democracia, com o Estado de Direito. Tenho sido intransigente na defesa da honestidade na gestão da coisa pública.

Por isso, diante das acusações que contra mim são dirigidas neste processo, não posso deixar de sentir, na boca, novamente, o gosto áspero e amargo da injustiça e do arbítrio.

E por isso, como no passado, resisto.

Não esperem de mim o obsequioso silêncio dos covardes. No passado, com as armas, e hoje, com a retórica jurídica, pretendem novamente atentar contra a democracia e contra o Estado do Direito.

Se alguns rasgam o seu passado e negociam as benesses do presente, que respondam perante a sua consciência e perante a história pelos atos que praticam. A mim cabe lamentar pelo que foram e pelo que se tornaram.

E resistir. Resistir sempre. Resistir para acordar as consciências ainda adormecidas para que, juntos, finquemos o pé no terreno que está do lado certo da história, mesmo que o chão trema e ameace de novo nos engolir.

Não luto pelo meu mandato por vaidade ou por apego ao poder, como é próprio dos que não tem caráter, princípios ou utopias a conquistar. Luto pela democracia, pela verdade e pela justiça. Luto pelo povo do meu País, pelo seu bem-estar.

Muitos hoje me perguntam de onde vem a minha energia para prosseguir. Vem do que acredito. Posso olhar para trás e ver tudo o que fizemos. Olhar para a frente e ver tudo o que ainda precisamos e podemos fazer. O mais importante é que posso olhar para mim mesma e ver a face de alguém que, mesmo marcada pelo tempo, tem forças para defender suas ideias e seus direitos.

Sei que, em breve, e mais uma vez na vida, serei julgada. E é por ter a minha consciência absolutamente tranquila em relação ao que fiz, no exercício da Presidência da República que venho pessoalmente à presença dos que me julgarão. Venho para olhar diretamente nos olhos de Vossas Excelências, e dizer, com a serenidade dos que nada tem a esconder que não cometi nenhum crime de responsabilidade. Não cometi os crimes dos quais sou acusada injusta e arbitrariamente.

Hoje o Brasil, o mundo e a história nos observam e aguardam o desfecho deste processo de impeachment.

No passado da América Latina e do Brasil, sempre que interesses de setores da elite econômica e política foram feridos pelas urnas, e não existiam razões jurídicas para uma destituição legítima, conspirações eram tramadas resultando em golpes de estado.

O Presidente Getúlio Vargas, que nos legou a CLT e a defesa do patrimônio nacional, sofreu uma implacável perseguição; a hedionda trama orquestrada pela chamada “República do Galeão, que o levou ao suicídio.

O Presidente Juscelino Kubitscheck, que contruiu essa cidade, foi vítima de constantes e fracassadas tentativas de golpe, como ocorreu no episódio de Aragarças.

O presidente João Goulart, defensor da democracia, dos direitos dos trabalhadores e das Reformas de Base, superou o golpe do parlamentarismo mas foi deposto e instaurou-se a ditadura militar, em 1964. Durante 20 anos, vivemos o silêncio imposto pelo arbítrio e a democracia foi varrida de nosso País. Milhões de brasileiros lutaram e reconquistaram o direito a eleições diretas.

Hoje, mais uma vez, ao serem contrariados e feridos nas urnas os interesses de setores da elite econômica e política nos vemos diante do risco de uma ruptura democrática. Os padrões políticos dominantes no mundo repelem a violência explícita. Agora, a ruptura democrática se dá por meio da violência moral e de pretextos constitucionais para que se empreste aparência de legitimidade ao governo que assume sem o amparo das urnas. Invoca-se a Constituição para que o mundo das aparências encubra hipocritamente o mundo dos fatos.

As provas produzidas deixam claro e inconteste que as acusações contra mim dirigidas são meros pretextos, embasados por uma frágil retórica jurídica.

Nos últimos dias, novos fatos evidenciaram outro aspecto da trama que caracteriza este processo de impeachment. O autor da representação junto ao Tribunal de Contas da União que motivou as acusações discutidas nesse processo, foi reconhecido como suspeito pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal. Soube-se ainda, pelo depoimento do auditor responsável pelo parecer técnico, que ele havia ajudado a elaborar a própria representação que auditou. Fica claro o vício da parcialidade, a trama, na construção das teses por eles defendidas.

São pretextos, apenas pretextos, para derrubar, por meio de um processo de impeachment sem crime de responsabilidade, um governo legítimo, escolhido em eleição direta com a participação de 110 milhões de brasileiros e brasileiras. O governo de uma mulher que ousou ganhar duas eleições presidenciais consecutivas.

São pretextos para viabilizar um golpe na Constituição. Um golpe que, se consumado, resultará na eleição indireta de um governo usurpador.

A eleição indireta de um governo que, já na sua interinidade, não tem mulheres comandando seus ministérios, quando o povo, nas urnas, escolheu uma mulher para comandar o país. Um governo que dispensa os negros na sua composição ministerial e já revelou um profundo desprezo pelo programa escolhido pelo povo em 2014.

Fui eleita presidenta por 54 milhões e meio de votos para cumprir um programa cuja síntese está gravada nas palavras “nenhum direito a menos”.

O que está em jogo no processo de impeachment não é apenas o meu mandato. O que está em jogo é o respeito às urnas, à vontade soberana do povo brasileiro e à Constituição.

O que está em jogo são as conquistas dos últimos 13 anos: os ganhos da população, das pessoas mais pobres e da classe média; a proteção às crianças; os jovens chegando às universidades e às escolas técnicas; a valorização do salário mínimo; os médicos atendendo a população; a realização do sonho da casa própria.

O que está em jogo é o investimento em obras para garantir a convivência com a seca no semiárido, é a conclusão do sonhado e esperado projeto de integração do São Francisco. O que está em jogo é, também, a grande descoberta do Brasil, o pré-sal. O que está em jogo é a inserção soberana de nosso País no cenário internacional, pautada pela ética e pela busca de interesses comuns.

O que está em jogo é a auto-estima dos brasileiros e brasileiras, que resistiram aos ataques dos pessimistas de plantão à capacidade do País de realizar, com sucesso, a Copa do Mundo e as Olimpíadas e Paraolimpíadas.

O que está em jogo é a conquista da estabilidade, que busca o equilíbrio fiscal mas não abre mão de programas sociais para a nossa população.

O que está em jogo é o futuro do País, a oportunidade e a esperança de avançar sempre mais.

Senhoras e senhores senadores,

No presidencialismo previsto em nossa Constituição, não basta a eventual perda de maioria parlamentar para afastar um Presidente. Há que se configurar crime de responsabilidade. E está claro que não houve tal crime.

Não é legítimo, como querem os meus acusadores, afastar o chefe de Estado e de governo pelo “conjunto da obra”. Quem afasta o Presidente pelo “conjunto da obra” é o povo e, só o povo, nas eleições. E nas eleições o programa de governo vencedor não foi este agora ensaiado e desenhado pelo Governo interino e defendido pelos meus acusadores.

O que pretende o governo interino, se transmudado em efetivo, é um verdadeiro ataque às conquistas dos últimos anos.

Desvincular o piso das aposentadorias e pensões do salário mínimo será a destruição do maior instrumento de distribuição de renda do país, que é a Previdência Social. O resultado será mais pobreza, mais mortalidade infantil e a decadência dos pequenos municípios.

A revisão dos direitos e garantias sociais previstos na CLT e a proibição do saque do FGTS na demissão do trabalhador são ameaças que pairam sobre a população brasileira caso prospere o impeachment sem crime de responsabilidade.

Conquistas importantes para as mulheres, os negros e as populações LGBT estarão comprometidas pela submissão a princípios ultraconservadores.

O nosso patrimônio estará em questão, com os recursos do pré-sal, as riquezas naturais e minerárias sendo privatizadas.

A ameaça mais assustadora desse processo de impeachment sem crime de responsabilidade é congelar por inacreditáveis 20 anos todas as despesas com saúde, educação, saneamento, habitação. É impedir que, por 20 anos, mais crianças e jovens tenham acesso às escolas; que, por 20 anos, as pessoas possam ter melhor atendimento à saúde; que, por 20 anos, as famílias possam sonhar com casa própria.

Senhor Presidente Ricardo Lewandowski, Sras. e Srs. Senadores,

A verdade é que o resultado eleitoral de 2014 foi um rude golpe em setores da elite conservadora brasileira.

Desde a proclamação dos resultados eleitorais, os partidos que apoiavam o candidato derrotado nas eleições fizeram de tudo para impedir a minha posse e a estabilidade do meu governo. Disseram que as eleições haviam sido fraudadas, pediram auditoria nas urnas, impugnaram minhas contas eleitorais, e após a minha posse, buscaram de forma desmedida quaisquer fatos que pudessem justificar retoricamente um processo de impeachment.

Como é próprio das elites conservadoras e autoritárias, não viam na vontade do povo o elemento legitimador de um governo. Queriam o poder a qualquer preço.

Tudo fizeram para desestabilizar a mim e ao meu governo.

Só é possível compreender a gravidade da crise que assola o Brasil desde 2015, levando-se em consideração a instabilidade política aguda que, desde a minha reeleição, tem caracterizado o ambiente em que ocorrem o investimento e a produção de bens e serviços.

Não se procurou discutir e aprovar uma melhor proposta para o País. O que se pretendeu permanentemente foi a afirmação do “quanto pior melhor”, na busca obsessiva de se desgastar o governo, pouco importando os resultados danosos desta questionável ação política para toda a população.

A possibilidade de impeachment tornou-se assunto central da pauta política e jornalística apenas dois meses após minha reeleição, apesar da evidente improcedência dos motivos para justificar esse movimento radical.

Nesse ambiente de turbulências e incertezas, o risco político permanente provocado pelo ativismo de parcela considerável da oposição acabou sendo um elemento central para a retração do investimento e para o aprofundamento da crise econômica.

Deve ser também ressaltado que a busca do reequilíbrio fiscal, desde 2015, encontrou uma forte resistência na Câmara dos Deputados, à época presidida pelo Deputado Eduardo Cunha. Os projetos enviados pelo governo foram rejeitados, parcial ou integralmente. Pautas bombas foram apresentadas e algumas aprovadas.

As comissões permanentes da Câmara, em 2016, só funcionaram a partir do dia 5 de maio, ou seja, uma semana antes da aceitação do processo de impeachment pela Comissão do Senado Federal. Os Srs. e as Sras. Senadores sabem que o funcionamento dessas Comissões era e é absolutamente indispensável para a aprovação de matérias que interferem no cenário fiscal e encaminhar a saída da crise.

Foi criado assim o desejado ambiente de instabilidade política, propício a abertura do processo de impeachment sem crime de responsabilidade.

Sem essas ações, o Brasil certamente estaria hoje em outra situação política, econômica e fiscal.

Muitos articularam e votaram contra propostas que durante toda a vida defenderam, sem pensar nas consequências que seus gestos trariam para o país e para o povo brasileiro. Queriam aproveitar a crise econômica, porque sabiam que assim que o meu governo viesse a superá-la, sua aspiração de acesso ao poder haveria de ficar sepultada por mais um longo período.

Mas, a bem da verdade, as forças oposicionistas somente conseguiram levar adiante o seu intento quando outra poderosa força política a elas se agregou: a força política dos que queriam evitar a continuidade da “sangria” de setores da classe política brasileira, motivada pelas investigações sobre a corrupção e o desvio de dinheiro público.

É notório que durante o meu governo e o do Pr Lula foram dadas todas as condições para que estas investigações fossem realizadas. Propusemos importantes leis que dotaram os órgãos competentes de condições para investigar e punir os culpados.

Assegurei a autonomia do Ministério Público, nomeando como Procurador Geral da República o primeiro nome da lista indicado pelos próprios membros da instituição. Não permiti qualquer interferência política na atuação da Polícia Federal.

Contrariei, com essa minha postura, muitos interesses. Por isso, paguei e pago um elevado preço pessoal pela postura que tive.

Arquitetaram a minha destituição, independentemente da existência de quaisquer fatos que pudesse justificá-la perante a nossa Constituição.

Encontraram, na pessoa do ex-Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha o vértice da sua aliança golpista.

Articularam e viabilizaram a perda da maioria parlamentar do governo. Situações foram criadas, com apoio escancarado de setores da mídia, para construir o clima político necessário para a desconstituição do resultado eleitoral de 2014.

Todos sabem que este processo de impeachment foi aberto por uma “chantagem explícita” do ex-Presidente da Câmara, Eduardo Cunha, como chegou a reconhecer em declarações à imprensa um dos próprios denunciantes. Exigia aquele parlamentar que eu intercedesse para que deputados do meu partido não votassem pela abertura do seu processo de cassação.

Nunca aceitei na minha vida ameaças ou chantagens. Se não o fiz antes, não o faria na condição de Presidenta da República. É fato, porém, que não ter me curvado a esta chantagem motivou o recebimento da denúncia por crime de responsabilidade e a abertura deste d processo, sob o aplauso dos derrotados em 2014 e dos temerosos pelas investigações.

Se eu tivesse me acumpliciado com a improbidade e com o que há de pior na política brasileira, como muitos até hoje parecem não ter o menor pudor em fazê-lo, eu não correria o risco de ser condenada injustamente.

Quem se acumplicia ao imoral e ao ilícito, não tem respeitabilidade para governar o Brasil. Quem age para poupar ou adiar o julgamento de uma pessoa que é acusada de enriquecer às custas do Estado brasileiro e do povo que paga impostos, cedo ou tarde, acabará pagando perante a sociedade e a história o preço do seu descompromisso com a ética.

Todos sabem que não enriqueci no exercício de cargos públicos, que não desviei dinheiro público em meu proveito próprio, nem de meus familiares, e que não possuo contas ou imóveis no exterior. Sempre agi com absoluta probidade nos cargos públicos que ocupei ao longo da minha vida.

Curiosamente, serei julgada, por crimes que não cometi, antes do julgamento do ex-presidente da Câmara, acusado de ter praticado gravíssimos atos ilícitos e que liderou as tramas e os ardis que alavancaram as ações voltadas à minha destituição.

Ironia da história? Não, de forma nenhuma. Trata-se de uma ação deliberada que conta com o silêncio cúmplice de setores da grande mídia brasileira.

Viola-se a democracia e pune-se uma inocente. Este é o pano de fundo que marca o julgamento que será realizado pela vontade dos que lançam contra mim pretextos acusatórios infundados.

Estamos a um passo da consumação de uma grave ruptura institucional. Estamos a um passo da concretização de um verdadeiro golpe de Estado.

Senhoras e Senhores Senadores,

Vamos aos autos deste processo. Do que sou acusada? Quais foram os atentados à Constituição que cometi? Quais foram os crimes hediondos que pratiquei?

A primeira acusação refere-se à edição de três decretos de crédito suplementar sem autorização legislativa. Ao longo de todo o processo, mostramos que a edição desses decretos seguiu todas as regras legais. Respeitamos a previsão contida na Constituição, a meta definida na LDO e as autorizações estabelecidas no artigo 4° da Lei Orçamentária de 2015, aprovadas pelo Congresso Nacional.

Todas essas previsões legais foram respeitadas em relação aos 3 decretos. Eles apenas ofereceram alternativas para alocação dos mesmos limites, de empenho e financeiro, estabelecidos pelo decreto de contingenciamento, que não foram alterados. Por isso, não afetaram em nada a meta fiscal.

Ademais, desde 2014, por iniciativa do Executivo, o Congresso aprovou a inclusão, na LDO, da obrigatoriedade que qualquer crédito aberto deve ter sua execução subordinada ao decreto de contingenciamento, editado segundo as normas estabelecidas pela Lei de Responsabilidade Fiscal. E isso foi precisamente respeitado.

Não sei se por incompreensão ou por estratégia, as acusações feitas neste processo buscam atribuir a esses decretos nossos problemas fiscais. Ignoram ou escondem que os resultados fiscais negativos são consequência da desaceleração econômica e não a sua causa.

Escondem que, em 2015, com o agravamento da crise, tivemos uma expressiva queda da receita ao longo do ano — foram R$ 180 bilhões a menos que o previsto na Lei Orçamentária.

Fazem questão de ignorar que realizamos, em 2015, o maior contingenciamento de nossa história. Cobram que, quando enviei ao Congresso Nacional, em julho de 2015, o pedido de autorização para reduzir a meta fiscal, deveria ter imediatamente realizado um novo contingenciamento. Não o fiz porque segui o procedimento que não foi questionado pelo Tribunal de Contas da União ou pelo Congresso Nacional na análise das contas de 2009.

Além disso, a responsabilidade com a população justifica também nossa decisão. Se aplicássemos, em julho, o contingenciamento proposto pelos nossos acusadores cortaríamos 96% do total de recursos disponíveis para as despesas da União. Isto representaria um corte radical em todas as dotações orçamentárias dos órgãos federais. Ministérios seriam paralisados, universidades fechariam suas portas, o Mais Médicos seria interrompido, a compra de medicamentos seria prejudicada, as agências reguladoras deixariam de funcionar. Na verdade, o ano de 2015 teria, orçamentariamente, acabado em julho.

Volto a dizer: ao editar estes decretos de crédito suplementar, agi em conformidade plena com a legislação vigente. Em nenhum desses atos, o Congresso Nacional foi desrespeitado. Aliás, este foi o comportamento que adotei em meus dois mandatos.

Somente depois que assinei estes decretos é que o Tribunal de Contas da União mudou a posição que sempre teve a respeito da matéria. É importante que a população brasileira seja esclarecida sobre este ponto: os decretos foram editados em julho e agosto de 2015 e somente em outubro de 2015 o TCU aprovou a nova interpretação.

O TCU recomendou a aprovação das contas de todos os presidentes que editaram decretos idênticos aos que editei. Nunca levantaram qualquer problema técnico ou apresentaram a interpretação que passaram a ter depois que assinei estes atos.

Querem me condenar por ter assinado decretos que atendiam a demandas de diversos órgãos, inclusive do próprio Poder Judiciário, com base no mesmo procedimento adotado desde a entrada em vigor da Lei de Responsabilidade Fiscal, em 2001?

Por ter assinado decretos que somados, não implicaram, como provado nos autos, em nenhum centavo de gastos a mais para prejudicar a meta fiscal?

A segunda denúncia dirigida contra mim neste processo também é injusta e frágil. Afirma-se que o alegado atraso nos pagamentos das subvenções econômicas devidas ao Banco do Brasil, no âmbito da execução do programa de crédito rural Plano Safra, equivale a uma “operação de crédito”, o que estaria vedado pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

Como minha defesa e várias testemunhas já relataram, a execução do Plano Safra é regida por uma lei de 1992, que atribui ao Ministério da Fazenda a competência de sua normatização, inclusive em relação à atuação do Banco do Brasil. A Presidenta da República não pratica nenhum ato em relação à execução do Plano Safra. Parece óbvio, além de juridicamente justo, que eu não seja acusada por um ato inexistente.

A controvérsia quanto a existência de operação de crédito surgiu de uma mudança de interpretação do TCU, cuja decisão definitiva foi emitida em dezembro de 2015. Novamente, há uma tentativa de dizer que cometi um crime antes da definição da tese de que haveria um crime. Uma tese que nunca havia surgido antes e que, como todas as senhoras e senhores senadores souberam em dias recentes, foi urdida especialmente para esta ocasião.

Lembro ainda a decisão recente do Ministério Público Federal, que arquivou inquérito exatamente sobre esta questão. Afirmou não caber falar em ofensa à lei de responsabilidade fiscal porque eventuais atrasos de pagamento em contratos de prestação de serviços entre a União e instituições financeiras públicas não são operações de crédito.

Insisto, senhoras senadoras e senhores senadores: não sou eu nem tampouco minha defesa que fazemos estas alegações. É o Ministério Público Federal que se recusou a dar sequência ao processo, pela inexistência de crime.

Sobre a mudança de interpretação do TCU, lembro que, ainda antes da decisão final, agi de forma preventiva. Solicitei ao Congresso Nacional a autorização para pagamento dos passivos e defini em decreto prazos de pagamento para as subvenções devidas. Em dezembro de 2015, após a decisão definitiva do TCU e com a autorização do Congresso, saldamos todos os débitos existentes.

Não é possível que não se veja aqui também o arbítrio deste processo e a injustiça também desta acusação.

Este processo de impeachment não é legítimo. Eu não atentei, em nada, em absolutamente nada contra qualquer dos dispositivos da Constituição que, como Presidenta da República, jurei cumprir. Não pratiquei ato ilícito. Está provado que não agi dolosamente em nada. Os atos praticados estavam inteiramente voltados aos interesses da sociedade. Nenhuma lesão trouxeram ao erário ou ao patrimônio público.

Volto a afirmar, como o fez a minha defesa durante todo o tempo, que este processo está marcado, do início ao fim, por um clamoroso desvio de poder.

É isto que explica a absoluta fragilidade das acusações que contra mim são dirigidas.

Tem-se afirmado que este processo de impeachment seria legítimo porque os ritos e prazos teriam sido respeitados. No entanto, para que seja feita justiça e a democracia se imponha, a forma só não basta. É necessário que o conteúdo de uma sentença também seja justo. E no caso, jamais haverá justiça na minha condenação.

Ouso dizer que em vários momentos este processo se desviou, clamorosamente, daquilo que a Constituição e os juristas denominam de “devido processo legal”.

Não há respeito ao devido processo legal quando a opinião condenatória de grande parte dos julgadores é divulgada e registrada pela grande imprensa, antes do exercício final do direito de defesa.

Não há respeito ao devido processo legal quando julgadores afirmam que a condenação não passa de uma questão de tempo, porque votarão contra mim de qualquer jeito.

Nesse caso, o direito de defesa será exercido apenas formalmente, mas não será apreciado substantivamente nos seus argumentos e nas suas provas. A forma existirá apenas para dar aparência de legitimidade ao que é ilegítimo na essência.

Senhoras e senhores senadores,

Nesses meses, me perguntaram inúmeras vezes porque eu não renunciava, para encurtar este capítulo tão difícil de minha vida.

Jamais o faria porque tenho compromisso inarredável com o Estado Democrático de Direito.

Jamais o faria porque nunca renuncio à luta.

Confesso a Vossas Excelências, no entanto, que a traição, as agressões verbais e a violência do preconceito me assombraram e, em alguns momentos, até me magoaram. Mas foram sempre superados, em muito, pela solidariedade, pelo apoio e pela disposição de luta de milhões de brasileiras e brasileiros pelo País afora. Por meio de manifestações de rua, reuniões, seminários, livros, shows, mobilizações na internet, nosso povo esbanjou criatividade e disposição para a luta contra o golpe.

As mulheres brasileiras têm sido, neste período, um esteio fundamental para minha resistência. Me cobriram de flores e me protegeram com sua solidariedade. Parceiras incansáveis de uma batalha em que a misoginia e o preconceito mostraram suas garras, as brasileiras expressaram, neste combate pela democracia e pelos direitos, sua força e resiliência. Bravas mulheres brasileiras, que tenho a honra e o dever de representar como primeira mulher Presidenta do Brasil.

Chego à última etapa desse processo comprometida com a realização de uma demanda da maioria dos brasileiros: convocá-los a decidir, nas urnas, sobre o futuro de nosso País. Diálogo, participação e voto direto e livre são as melhores armas que temos para a preservação da democracia.

Confio que as senhoras senadoras e os senhores senadores farão justiça. Tenho a consciência tranquila. Não pratiquei nenhum crime de responsabilidade. As acusações dirigidas contra mim são injustas e descabidas. Cassar em definitivo meu mandato é como me submeter a uma pena de morte política.

Este é o segundo julgamento a que sou submetida em que a democracia tem assento, junto comigo, no banco dos réus. Na primeira vez, fui condenada por um tribunal de exceção. Daquela época, além das marcas dolorosas da tortura, ficou o registro, em uma foto, da minha presença diante de meus algozes, num momento em que eu os olhava de cabeça erguida enquanto eles escondiam os rostos, com medo de serem reconhecidos e julgados pela história.

Hoje, quatro décadas depois, não há prisão ilegal, não há tortura, meus julgadores chegaram aqui pelo mesmo voto popular que me conduziu à Presidência. Tenho por todos o maior respeito, mas continuo de cabeça erguida, olhando nos olhos dos meus julgadores.

Apesar das diferenças, sofro de novo com o sentimento de injustiça e o receio de que, mais uma vez, a democracia seja condenada junto comigo. E não tenho dúvida que, também desta vez, todos nós seremos julgados pela história.

Por duas vezes vi de perto a face da morte: quando fui torturada por dias seguidos, submetida a sevícias que nos fazem duvidar da humanidade e do próprio sentido da vida; e quando uma doença grave e extremamente dolorosa poderia ter abreviado minha existência.

Hoje eu só temo a morte da democracia, pela qual muitos de nós, aqui neste plenário, lutamos com o melhor dos nossos esforços.

Reitero: respeito os meus julgadores.

Não nutro rancor por aqueles que votarão pela minha destituição.

Respeito e tenho especial apreço por aqueles que têm lutado bravamente pela minha absolvição, aos quais serei eternamente grata.

Neste momento, quero me dirigir aos senadores que, mesmo sendo de oposição a mim e ao meu governo, estão indecisos.

Lembrem-se que, no regime presidencialista e sob a égide da nossa Constituição, uma condenação política exige obrigatoriamente a ocorrência de um crime de responsabilidade, cometido dolosamente e comprovado de forma cabal.

Lembrem-se do terrível precedente que a decisão pode abrir para outros presidentes, governadores e prefeitos. Condenar sem provas substantivas. Condenar um inocente.

Faço um apelo final a todos os senadores: não aceitem um golpe que, em vez de solucionar, agravará a crise brasileira.

Peço que façam justiça a uma presidenta honesta, que jamais cometeu qualquer ato ilegal, na vida pessoal ou nas funções públicas que exerceu. Votem sem ressentimento. O que cada senador sente por mim e o que nós sentimos uns pelos outros importa menos, neste momento, do que aquilo que todos sentimos pelo país e pelo povo brasileiro.

Peço: votem contra o impeachment. Votem pela democracia.

Muito obrigada.

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ABL faz homenagem póstuma a Pitanguy e declara vaga a cadeira 22

A Academia Brasileira de Letras (ABL) realizou na tarde de hoje (25)  homenagem póstuma ao acadêmico e cirurgião plástico Ivo Pitanguy, falecido no último dia 6, aos 90 anos. Ao final da chamada sessão de saudade, restrita aos acadêmicos e à família de Pitanguy, o presidente da ABL, Domício Proença Filho, declarou vaga a cadeira 22, para a qual os interessados terão prazo de um mês para enviar à instituição suas cartas de candidatura.

Fonte: ABL faz homenagem póstuma a Pitanguy e declara vaga a cadeira 22

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Obras raras da Biblioteca Nacional ganham forma inédita de exibição

 

Por Paulo Virgílio*

Com cerca de 9 milhões de volumes, a Biblioteca Nacional é a oitava do mundo e a maior da América Latina. Possui um valioso acervo que inclui raridades bibliográficas, entre elas as 60 mil peças que chegaram ao Brasil no início do século 19, trazidas por Dom João VI e a corte portuguesa, para constituir o núcleo original do que é hoje a biblioteca sediada no centro do Rio de Janeiro.

Uma proposta expográfica inédita permite que 507 obras originais desse acervo possam ser vistas pelo público, na mostra Gabinete de Obras Máximas e Singulares, que a Biblioteca Nacional inaugurou na semana passada. A exposição integra à arquitetura dos corredores do 3° e 4° andares 18 vitrines, especialmente construídas e climatizadas para abrigar o acervo.

São obras que exigem muito cuidado para a sua preservação, o que inviabilizava sua exibição, a não ser por meio de fac-símiles, nas tradicionais vitrines expositoras horizontais. A solução encontrada pela curadora Claudia Fares e pelo arquiteto Temer Neder foi a verticalização, ideia que buscou inspiração nos gabinetes de curiosidades, comuns nos séculos 16 e 17 na Europa.

Obras da antiguidade clássica, animais empalhados, autômatos, minerais, fósseis, fragmentos de meteoritos, esculturas, sementes, plantas conservadas em frascos, instrumentos musicais são exemplos das peças que compunham os gabinetes de curiosidades. Organizados por eruditos, naturalistas, profissionais liberais e nobres interessados pela ciência e pela arte, os gabinetes eram originalmente locais de estudos, periodicamente abertos ao público, e tiveram seu apogeu com a descoberta do Novo Mundo e a curiosidade em torno dos itens então considerados exóticos.

“Eles tinham uma forma de expor muito fascinante e rica. A maneira de associar as obras era sincrética, eles juntavam as coisas da natureza e as da cultura, as de Deus e as dos homens”, explica Claudia Fares. Os mesmos critérios dos eruditos e naturalistas dos séculos 16 e 17 foram utilizados pela curadoria na disposição das obras na exposição.

De acordo com a curadoria, as obras selecionadas são máximas, “por serem superlativas em significado, e singulares por serem, em si mesmas, únicas, o que as qualifica, todas, como raras”. Exibidas pela primeira vez, essas obras raras incluem até mesmo os catálogos dos gabinetes de curiosidades, que vieram de Lisboa como parte da biblioteca real.

“Não tenho dúvida de que essa forma de apresentar as obras vai tornar mais atrativas as exposições na Biblioteca Nacional”, aposta Cláudia Fares. Além dos estudantes e pesquisadores que frequentam suas salas de leitura, a instituição recebe visitantes, nacionais e estrangeiros, interessados em conhecer o acervo, a arquitetura imponente e as obras de arte do prédio.

A exposição Gabinete de Obras Máximas e Singulares fica em cartaz até 31 de outubro e pode ser vista de terça a sexta-feira, das 10h às 17h e aos sábados, das 10h30 às 14h. A entrada é grátis e a Biblioteca Nacional fica na Avenida Rio Branco, 219, na Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro.

*Repórter da Agência Brasil – Edição: Jorge Wamburg

Fonte: Obras raras da Biblioteca Nacional ganham forma inédita de exibição | Agência Brasil

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Agora estamos sem Elke Maravilha: a atriz morreu hoje aos 71 anos, no Rio de Janeiro

Atriz estava internada há quase um mês na Casa de Saúde Pinheiro Machado, após uma cirurgia para tratar uma úlcera e teve falência múltipla dos órgãos

Por Ana Elisa Santana/Portal EBC

Morreu nesta madrugada (16), no Rio de Janeiro, a atriz, apresentadora, jurada e modelo Elke Georgievna Grunnupp, a Elke Maravilha. Ela estava internada há mais de um mês na Casa de Saúde Pinheiro Machado, após uma cirurgia para tratar uma úlcera e teve falência múltipla dos órgãos.

Nascida na Rússia em fevereiro de 1945, Elke se mudou para o Brasil com a família aos seis anos de idade e passou a infância em um sítio em Itabira, no interior de Minas Gerais. Aos 20 anos, ela saiu de casa para morar sozinha no Rio de Janeiro.

Elke trabalhou como bancária, secretária trilíngue e bibliotecária para pagar a faculdade. Ela cursou Letras e se formou tradutora e intérprete de línguas estrangeiras, e foi professora de inglês e francês. Filha de um russo e uma alemã, desde a adolescência ela já falava nove idiomas: russo, português, alemão, italiano, espanhol, francês, inglês, grego e latim.

Apesar de não pensar em seguir carreira artística, aos 24 anos Elke começou a trabalhar como modelo e manequim, após aceitar convites recebidos devido a sua beleza considerada exótica para os padrões brasileiros. Muito alta e naturalmente loira, ela trabalhou com estilistas famosos da época. Inicialmente discreta, aos poucos ela abriu espaço para sua extravagância. “Aos poucos fui me impondo, mesmo como manequim. No início fazia um pouco o jogo, porque também sei ser chique: fazer um cabelo convencional, uma maquiagem leve, etc. Mas aquilo para mim era fantasiar-me. Eu não sou aquilo! E o legal é que os próprios costureiros começaram a entrar no meu barato, entender o meu estilo e proposta estética e fazer roupas especiais para eu desfilar”, diz declaração em seu site oficial.

Fez cursos de cinema e teatro e trabalhou na televisão: foi batizada como Elke Maravilha pelo jornalista Daniel Más, e se tornou conhecida ao ser chamada dessa forma por Chacrinha, com quem ela trabalhou durante 14 anos.

“Um dia tocou o telefone com alguém me convidando para ir no programa do Chacrinha. Eu não conhecia porque não via televisão, mas aceitei. Então perguntei a um amigo sobre como era o tal programa e ele me disse que era um programa de auditório que tinha um apresentador que tocava uma buzina o tempo todo. Achei legal, comprei uma buzina e entrei lá buzinando; o Painho se encantou comigo e eu com ele. Foi assim que começou!”, lembra.

Trabalhando como atriz, ela começou em “Barão Otelo no Barato dos Bilhões”, com Grande Otelo, e atuou em filmes como “Pixote”, de Hector Babenco; “Quando o Carnaval Chegar” e “Xica da Silva”, de Cacá Diegues. Por sua interpretação em “Xica da Silva”, Elke foi premiada com a Coruja de Ouro como melhor atriz coadjuvante. Sua estreia no cinema foi como dona de um bordel no filme “Memórias de um Gigolô”, com direção de Walter Avancini, e a atuação lhe rendeu o convite para ser madrinha da Associação das Prostitutas do Rio de Janeiro.

Ela é muito reconhecida, também, por ter trabalhado por anos como jurada dos programas de calouros de Silvio Santos, no SBT, emissora onde comandou o talkshow “Elke”.

Em meio aos desfiles no início da carreira, Elke conheceu a estilista Zuzu Angel, de quem se tornou amiga. Durante a ditadura militar, em 1971, ela foi presa por desacato no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, por rasgar cartazes com a fotografia de Stuart Angel Jones, filho da amiga Zuzu, alegando que ele já havia sido morto pelo regime. Com o episódio, ela perdeu a cidadania brasileira. Atualmente, Elke possuía apenas a cidadania alemã.

Elke se casou oito vezes mas não quis ter filhos. Além da imagem marcante, o legado de sua carreira fica em mais de 10 peças de teatro, 30 filmes e cerca de 15 trabalhos e participações especiais em novelas e outros programas de televisão.

Fonte: Elke Maravilha morre aos 71 anos, no Rio de Janeiro

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Agora estamos sem Cauby Peixoto: o cantor morre aos 85 anos

Por Ana Lúcia Caldas
Um dos maiores cantores da música brasileira, Cauby Peixoto morreu na noite desse domingo (15), aos 85 anos, em São Paulo. Ele estava internado desde o dia 9 de maio no Hospital Sancta Maggiore, no Itaim Bibi, na zona sul de São Paulo. Segundo o fã clube do artista, ele morreu por volta da meia-noite de ontem. O hospital informou que o cantor teve um quadro de pneumonia.

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Agora estamos sem Tereza Rachel: atriz e empresária, morre no Rio de Janeiro

por Paulo Virgílio
Repórter da Agência Brasil

A atriz e empresária teatral Tereza Rachel morreu no sábado (2), aos 82 anos, no Hospital São Lucas, em Copacabana, zona sul do Rio, de complicações decorrentes de um quadro agudo de obstrução intestinal. A informação foi divulgada hoje (4) pela assessoria de imprensa do hospital, onde Tereza Rachel estava internada desde o dia 30 de dezembro do ano passado.

Nascida em Nilópolis, na Baixada Fluminense, em 19 de agosto de 1935, Teresinha Malka Brandwain Taiba de La Sierra adotou o nome artístico de Tereza Rachel. Ela iniciou a carreira em 1955, na peça Os Elegantes, de Aurimar Rocha.

Atuou em cerca de 30 peças, mas ficou mais conhecida pelo grande público pelos papéis que interpretou, muitas vezes de vilãs ou mulheres temperamentais, em 21 telenovelas, como O Astro (1978), Baila Comigo (1980), Louco Amor (1983), Que Rei sou Eu? (1989) e A Próxima Vítima (1995). Continue Reading

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Agora estamos sem Harper Lee, autora de O Sol é Para Todos

por Leandra Felipe – Correspondente da Agência Brasil

Morreu hoje (19), aos 89 anos, a escritora norte-americana Harper Lee, no estado do Alabama. A causa da morte não foi divulgada. A escritora venceu o Prêmio Pulitzer em 1961 pela obra “O Sol é Para Todos”, que retratou o sul do país marcado pela luta racial. O livro mostra a injustiça social em meio à crise econômica enfrentada pela região.

Harper Lee viveu quase toda sua vida de maneira discreta e isolada. Após ganhar o Pulitzer, não lançou novos trabalhos até 2015, quando foi publicado seu segundo livro: Vá, Coloque um Vigia. A obra foi recuperada de manuscritos que estavam guardados, encontrados em 2014. A escritora vivia sozinha em uma casa de repouso em sua cidade natal, Monroeville. Continue Reading

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Manga Madura no Quintal

O amarelo
não é uma cor, apenas cor
vai além do horizonte
acompanha o morrer do sol

O amarelo
quando chega, de manhã cedinho,
provoca espantos, o galo canta…
O amarelo, vê, é luz

O amarelo
na minha memória, é manga
petita manga madura

O amarelo
até saliva, hoje em dia
para mim,
é água na boca

15/8/2008

Poemas de João Bosquo
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Mãe e Filha

in Maria Hosana, uma amiga

Veja a menina
     com saudades
     doutra menina
     nesta tarde de sábado

Ela só pensa
    como pensa
    outra menina
    nesta tarde de sábado

Ah!, se pudesse
     essa menina
     nesta hora de sábado
     estava ao lado doutra menina.

1984
Poemas de João Bosquo
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