Category: O Editor Esqueceu de Marcar

Natureza

O homem mata!É da natureza do homemou de Deuso homem matar? O homem vive!É da natureza de Deusdeixar o homem viver. O homem morre!É da natureza humanao homem morrerenquanto Deus vive. 2003 Poemas de João Bosquo

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Querida

A mulher quando sai de siderruba o muro de Berlima bolsa de valoreso câmbio, o pulso de Mike Tyson A mulher quando sai de siroda a baiana, arma o barracodesarma James Bondfaz farofa e picadinho A mulher quando sai de siMostra os dentesmorde as orelhasdesmancha as mandíbulas A mulher quando sai de siÉ firme na tesouracorta o terno de linhorecorta

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Qual é o Segredo de Chico Buarque

Qual é o segredo desse cantor cariocaQue fala a todos ao mesmo tempoCom a simplicidade da canção popular? – A canção popular de Chico é BrasileiraÉ  carioca, é paulista, é Bye, Bye BrasilÉ trombadinha que mora no céu, pivete no farolVendendo chiclete e que sonha ser Pelé Quem é capaz de contestar a poesiaQuando dita com sinceridade do disco de

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Segundo Ato

Quem é que é, José,O bicho papão da parada?O salário do servidorOu os juros do sistema?O benefício do aposentadoOu o rombo nos cofres exauridos?… Quem é que é, Maria,A vilã desgraçada, sem graça?O pão na mesa do trabalhadorOu o lucro do investidorPagos com o superávitDo governo federal? 2005 Poemas de João Bosquo

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A Alma Aponta

A alma aponta seu destino,bem antes, muito bem antes, de nascer.Depois desconhece a escolhare/clamapor um outro dia. A alma, porém,volta a lembrarde todo combinadoquando retornaao porto/ponto inicial. 2006 Poemas de João Bosquo

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O Que Sinto

O que sinto É um labirinto Que parte A todo instante De dentro dum eu Que não mais existe. Poemas de João Bosquo

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Pranto Derramado

Olha, quanto pranto derramadosem consentimento justoou condenadoquando riso soltoa fórcepssem sentidosentimento justoou desajustado. 2008 Poemas de João Bosquo

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A Espera

A mulher espera sentadaEspera seu homemQue demora em chegar Ele não tem horaChega a qualquer momento… A mulher espera ansiosa“Será que vem?”O relógio anda, não espera Ele não tem horaChega no instante que quer A mulher espera seu amorEstá com a vulva úmidaLábios sedentos em beijar Ele não tem horaChega com atraso sem avisar A mulher espera sentadaEla não sabe

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Quem Pensa Em Silêncio

Quem pensa em silêncioPensa melhorQuando desce de navioO rio que atravessaA cidadeQue existe desde a nascente Quem pensa em silêncioNão diz o que pensaE espera curso do rioCumprir seu próprio cursoPara finalmente desembarcar Quem pensa em silêncioOlha as margensComo uma mensagemPaisagem de futuras paragens Quem pensa em silêncioFica quieto até o fioDe voz dos peixesPoder ser ouvidaPelo ouvido do coração.

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Relógio

A poesia neste momento é tão difícil Tão difícil de sentir, de fazer sentido tudo, sem pecha, está tão parecido, igual no filme, mocinho e bandido, com o mesmo traje multicolorido. A poesia neste momento é fugidia Não se segura em nenhuma nova rima Que não se vê nem à luz do meio-dia A poesia, senhores, é proletária, extraordinário nada

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Nada Passará em Branco

Nada passará em brancoTudo que podemos imaginar,dentro e fora do Universo,tem um sentido único… O que vai ou vem,como um pêndulo,nas nossas vidas,provem de um só Criador E a Ele – somente a Ele –teremos, um tempo, que mostrarnossos débitos e eventuais créditosem nosso caderno de contas. 2004 Poemas de João Bosquo

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O Poeta Quem Diz

Poeta que não sabe o que dizé um poeta que não sabe o que dizPoeta que não sabe quem éé um poeta que não sabe nada É um poeta que sabe quenão sabe que finge que sabeque não sabe e sabe ao mesmo tempo Poeta que não diz o que pensanão pensa o que diz o que dizque pensa o

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Fulana

Quem amou essa meninaamouSentiu o gosto docegostoso de fazer amor Essa meniname deixou loucoArdente de paixãoprocurava por eladia e noitenos lugares mais distantesda cidade, do país, do planetavisitando os cabarés de Pequimos bordéis de Paris Quem amou essa meninaamou do bom e do melhorsentiu o gosto da peledo suor, dos líquidos, dos fluídos… Essa meninafugiu por entre as pernasDos meus

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Canto Estrangeiro

a Levi Batista Detesto esta cidadeNão suporto esta cidadeNeste momentoNeste instanteCheia de mandões     mandados Hipocrisia Vazia Xenofobias Azedas Detesto esta cidadeSem poder neste momentoo sentimentoSem poder neste instanteo visitanteManifestarDefecarO podre da cidadeO podre na cidadeA manifestação puraE simples do pulmão. Publicado originalmente no suplemento Arte e Cultura do jornal Fim de Semana, em 29/06/1984. Poemas de João Bosquo

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Camões Viajante

Camões era viajanteE ficouEu, poeta passageiro,Vou pr’os Lusíadas. 2006 Poemas de João Bosquo

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Poema Natimorto

 Poema  Sem motivoNão nasceNem floresce Ele é nati     morto   Defectivo   Pré ativoJamais      Nativo 2006 Poemas de João Bosquo

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Quatro Meninos

A história que contonão é mentira não… É a história do meninoque vinha andandoalegre e feliz até que viuno outro lado da calçadaoutros três meninos… O primeiro estava chorandoum choro que não via todo diaO segundo em pé com os dedos na bocaenquanto o terceiro vinha gritandocom um saco cheio de papelcarregando nas costas… O menino de barriga cheiae bem

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Assim Somos

Quem se lembrará de um dia como hojede um período como o nosso aindaem que todos se dizem que não sabiame da responsabilidade… Ah!, como fogem Quem, num futuro distante, abrirá o livroe vai ler que tudo não passou de reflexode nós mesmos na realidade sem acabadaenquanto somos assim mesmos, meio vivos meio mortos, meio sem pé e sem cabeçaNão

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Início, meio e fim

Tudo tem um início, meio e fimO começo do iníciosó termina depois que passa o meioque tem também, por sua vez,um início, meio e fim Nunca, nunca como nunca,Percebemos o mais difícilO início do fim Quando o fim começaMuito das vezes,nem sabemos que começou,e vai se acabando no seu inícioantes de começar o meiopara se chegar ao fim O meio

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Philosophia

Poesia sem filosofia não é poesia,diz o filósofo professoralFilosofia sem poesia não é filosofia,ensina o poeta sonhador Entender a natureza, saberdas coisas que acontecemcomo acontecem no mundoe revelar ao próprio mundo Ver o simples e o complexoe constatar que tudo é passageiromenos o motorista e o cobrador Que a flor guarda um segredocomo os pássaros quando piame os poetas livres,

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O Boi

O boi no palcode leilãoé o astro O tataravôdo boiera da Índia O dono do boié fazendeirono Pantanal O bezerrofilho do boivai virar assado. 1994 Poemas de João Bosquo

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A Noite é Outro Dia

A noite é outro diaos homens são tão diferentesdentro das casas de luzes acesas A noite é outro diaas árvores guardam sombrasde luzes das casas dormindo A noite é outro diapassarinho passa sozinhopostes e luzes no caminho A noite é outro diamenos precisão de claridadeno sonho da cidade em casas… A noite é outro diaa vez a gente lembra e

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Sonho Americano

Meu sonho americano…Sonhei minha cidadeno mesmo lugar de sempremeus avós vivos e alegresminha mãe sem dor nenhumatranquila na certezado retorno depois do trabalho Meu sonho americano…Sonhei todas as criançasde minha pobre Américacom suas faces rosadasem ciranda em um enorme jardim Meu sonho americano…Sonhei todos os homensem guarda, sentinelascom rifles, enxadas e foiceszelando pelo coração da América Meu sonho americano… 1975

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Desmoronamento

O tempo, repara,saiu de fora pra dentrocomo uma metáforae ficou parado O tempo não é singularnão é pluralnão é coisa algumaO tempo é tempo Quando só,olhando os velhosque andam na praçaacompanhados de suas velhas,não posso deixar de observar:o tempo com o tempobrinca e desmorona as gentes. Curitiba, 10.10.2011 Poemas de João Bosquo

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De musas e Gonçalves Dias

Tristes musas tardiasDe um romantismoArredioDe um não-Gonçalves Dias. II Passam os anosPassam os mesesPassam Gonçalves DiasE as musas não vêm                          nem vão. Poemas de João Bosquo

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Te Chamo Irmão

Te chamo irmãoPor que assim creioSe ainda não o fizCreio que o dia chega Te chamo irmãoPor que assim devoSe ainda não pagueiA moeda se cunha Dentro do meu coraçãoE assim será, sempre,Irmão de meu irmão Mesmo quando nãoPuder pronunciar nomeDe quem nos fez iguais. 2006 Poemas de João Bosquo

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Senha Perdida

Quem viu a senha trezentos e vinte e dois perdida, por aí? Por favor devolva, meu cartão de crédito está precisando. Ela é imprescindível para qualquer movimentação entre o crédito de esperanças e débitos de ilusões. Poemas de João Bosquo

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No Precipício

Não me molhe com sais de lágrimas.Me lambuze com meldoce, doce, doce de amor Faça comigo gostosa esquisiticena vértice da noiteescondidos nos lençóislaços dos sexos sedentos Não me expulse como falas banais.Me retenha com beijospuros, duros, sucos de paixão Faça comigo marota peralticeque esconde os corposna gênese madrugadano precipício do prazer. Publicado originalmente no suplemento Ilustrado, do Jornal do Dia,

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Pai Nosso que Estais no Céu

Pai Nosso que estais no céuPai de Nosso Senhor Jesus de NazaréNosso irmão maior e mestreDai-nos a fé e compreensãoPara entendermos a sua infinita Justiça Dai-nos a crença superiorDa eternidade da almaJunto ao Espírito Santo,Nosso consolador prometido Dai-nos o entendimento perfeitoQue o único caminho para a pazA verdadeira paz entre os homensComeça e termina no Cristo de Deus Dai-nos, Senhor,

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Auto-estima

Se não posso dizer o que sintoEm meu peito brasileiro, sofredorPor um governo que disse que seriaDa nossa auto-estima o redentor Mas, no entanto traiu as promessasComo se promessas fossem vãsPalavras que se perdem ao ventoFalso sentimento de gentes insãs Esquecendo no fundo do baú a dorDa trajetória anterior ao sucessoDe ocupar o posto de mandatário maior… Se não posso

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