Category: O Editor Esqueceu de Marcar

Escuso-me Pardo

Não sou preto, não sou branco Venho de índios do interior de Mato Grosso de espanhóis fugidos de revoluções de avós escravos, ou quase, em usinas do Pantanal Não sou preto, não sou branco Um dia já fui filho de pai próspero comerciante e depois foi à falência Minha família morou ‘de favor’ mudei de casa, de rua, de escola,

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Minha Poesia Cuiabana

Minha poesiaanda meio afrescalhadameio purpurina, alegoria Minha poesiasó quer saber de andarno meio da rua, farol fortesalto alto Minha poesianão fala de gente,de pessoasmeninos de rua,de passeios de mãos dadas Minha poesiaanda meio esquisitasocial-democratameio mulatinhaum pé na sala, outro na cozinha Minha poesiaacorda bem cedobrincando que é sérianem dá bom dia pro padeiro Minha poesiatem dia acorda machooutro, meio feminina(Quem

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Abertura

1.Não tem como sairdeste carroO escapamentofica do outro lado. 2.– Não tem escapamentoO carro está no estacionamento. Poemas de João Bosquo

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Não Digo mais Verdades

para Cirlene Lopes Não digo mais verdadesDigo apenas saboresEntre o azedo do cajáE o tênue tom chocolate A verdade, ninguém sabe,Consegue imaginarOu fazer uma fotografiaAntes do nosso anoitecer Os sabores estão prontosIncrustados na línguaDos lábios que articulamos Os sabores, sinceros,São permanentesMelhor que a dita verdade. 25.04.13 Poemas de João Bosquo

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A Puta e o Poeta

In Antônio Sodré, el poeta da transmutação A puta não sabe do poetaEl poeta, por sua vez,não sabe nada da puta… Veja bem:el poeta escreve versosa puta anda na calçada Os dois se desconhecemembora morem na mesma cidadee vivam de mesmos dissabores/amores. Poemas de João Bosquo

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Seu Tempo Passou

O tempo passa, o tempo voa/A poupança Bamerindus/Continua numa boa/A poupança Bamerindus! O tempo passa…Você passou por mime machucou meu coraçãoO vento do coração apaixonadoprovoca um temporalarrepia as veias,acelera o batuquee bate nervosofeito um pandeiro malucocomo meu coração O tempo passa…Você passou delirante,fez um estragoum rebuliço,jogou-me no lixonum buracosem fundosem xeque-matearrebentou meu coraçãoque mesmo assimsorri como um bêbado felizem delírio O

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Tudo

Antes de tudoantes até do próprio silêncioantes de Deus existiro homem também não existia Antes de tudo…Porém Deus, antes de tudo,deu um sopro de vidae a alma humana se feze a existência passou a ser Antes de tudoo homem passou a serhumano ser que à tudoimpregnou com sua presençae Deus se fez humano também Depois de tudoQuando a alma de

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Ver Deus

O mundo, como vemos o mundo,é uma forma de não ver Deus…Somos parte do mundo, enquanto matériadele viemos e a eles retornamosAssim também somos, enquanto alma,parte de Deus e a ele voltamosquando nossa matéria aqui se cansa Assim como Jesus também somos divinosporque a porção que nos realiza,enquanto seres humanos,é doada por Deusnum sopro de vidae esse sopro a ele

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Natureza

O homem mata!É da natureza do homemou de Deuso homem matar? O homem vive!É da natureza de Deusdeixar o homem viver. O homem morre!É da natureza humanao homem morrerenquanto Deus vive. 2003 Poemas de João Bosquo

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Querida

A mulher quando sai de siderruba o muro de Berlima bolsa de valoreso câmbio, o pulso de Mike Tyson A mulher quando sai de siroda a baiana, arma o barracodesarma James Bondfaz farofa e picadinho A mulher quando sai de siMostra os dentesmorde as orelhasdesmancha as mandíbulas A mulher quando sai de siÉ firme na tesouracorta o terno de linhorecorta

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Qual é o Segredo de Chico Buarque

Qual é o segredo desse cantor cariocaQue fala a todos ao mesmo tempoCom a simplicidade da canção popular? – A canção popular de Chico é BrasileiraÉ  carioca, é paulista, é Bye, Bye BrasilÉ trombadinha que mora no céu, pivete no farolVendendo chiclete e que sonha ser Pelé Quem é capaz de contestar a poesiaQuando dita com sinceridade do disco de

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Segundo Ato

Quem é que é, José,O bicho papão da parada?O salário do servidorOu os juros do sistema?O benefício do aposentadoOu o rombo nos cofres exauridos?… Quem é que é, Maria,A vilã desgraçada, sem graça?O pão na mesa do trabalhadorOu o lucro do investidorPagos com o superávitDo governo federal? 2005 Poemas de João Bosquo

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A Alma Aponta

A alma aponta seu destino,bem antes, muito bem antes, de nascer.Depois desconhece a escolhare/clamapor um outro dia. A alma, porém,volta a lembrarde todo combinadoquando retornaao porto/ponto inicial. 2006 Poemas de João Bosquo

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O Que Sinto

O que sinto É um labirinto Que parte A todo instante De dentro dum eu Que não mais existe. Poemas de João Bosquo

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Pranto Derramado

Olha, quanto pranto derramadosem consentimento justoou condenadoquando riso soltoa fórcepssem sentidosentimento justoou desajustado. 2008 Poemas de João Bosquo

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A Espera

A mulher espera sentadaEspera seu homemQue demora em chegar Ele não tem horaChega a qualquer momento… A mulher espera ansiosa“Será que vem?”O relógio anda, não espera Ele não tem horaChega no instante que quer A mulher espera seu amorEstá com a vulva úmidaLábios sedentos em beijar Ele não tem horaChega com atraso sem avisar A mulher espera sentadaEla não sabe

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Quem Pensa Em Silêncio

Quem pensa em silêncioPensa melhorQuando desce de navioO rio que atravessaA cidadeQue existe desde a nascente Quem pensa em silêncioNão diz o que pensaE espera curso do rioCumprir seu próprio cursoPara finalmente desembarcar Quem pensa em silêncioOlha as margensComo uma mensagemPaisagem de futuras paragens Quem pensa em silêncioFica quieto até o fioDe voz dos peixesPoder ser ouvidaPelo ouvido do coração.

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Relógio

A poesia neste momento é tão difícil Tão difícil de sentir, de fazer sentido tudo, sem pecha, está tão parecido, igual no filme, mocinho e bandido, com o mesmo traje multicolorido. A poesia neste momento é fugidia Não se segura em nenhuma nova rima Que não se vê nem à luz do meio-dia A poesia, senhores, é proletária, extraordinário nada

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Nada Passará em Branco

Nada passará em brancoTudo que podemos imaginar,dentro e fora do Universo,tem um sentido único… O que vai ou vem,como um pêndulo,nas nossas vidas,provem de um só Criador E a Ele – somente a Ele –teremos, um tempo, que mostrarnossos débitos e eventuais créditosem nosso caderno de contas. 2004 Poemas de João Bosquo

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O Poeta Quem Diz

Poeta que não sabe o que dizé um poeta que não sabe o que dizPoeta que não sabe quem éé um poeta que não sabe nada É um poeta que sabe quenão sabe que finge que sabeque não sabe e sabe ao mesmo tempo Poeta que não diz o que pensanão pensa o que diz o que dizque pensa o

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Fulana

Quem amou essa meninaamouSentiu o gosto docegostoso de fazer amor Essa meniname deixou loucoArdente de paixãoprocurava por eladia e noitenos lugares mais distantesda cidade, do país, do planetavisitando os cabarés de Pequimos bordéis de Paris Quem amou essa meninaamou do bom e do melhorsentiu o gosto da peledo suor, dos líquidos, dos fluídos… Essa meninafugiu por entre as pernasDos meus

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Canto Estrangeiro

a Levi Batista Detesto esta cidadeNão suporto esta cidadeNeste momentoNeste instanteCheia de mandões     mandados Hipocrisia Vazia Xenofobias Azedas Detesto esta cidadeSem poder neste momentoo sentimentoSem poder neste instanteo visitanteManifestarDefecarO podre da cidadeO podre na cidadeA manifestação puraE simples do pulmão. Publicado originalmente no suplemento Arte e Cultura do jornal Fim de Semana, em 29/06/1984. Poemas de João Bosquo

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Camões Viajante

Camões era viajanteE ficouEu, poeta passageiro,Vou pr’os Lusíadas. 2006 Poemas de João Bosquo

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Poema Natimorto

 Poema  Sem motivoNão nasceNem floresce Ele é nati     morto   Defectivo   Pré ativoJamais      Nativo 2006 Poemas de João Bosquo

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Quatro Meninos

A história que contonão é mentira não… É a história do meninoque vinha andandoalegre e feliz até que viuno outro lado da calçadaoutros três meninos… O primeiro estava chorandoum choro que não via todo diaO segundo em pé com os dedos na bocaenquanto o terceiro vinha gritandocom um saco cheio de papelcarregando nas costas… O menino de barriga cheiae bem

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Assim Somos

Quem se lembrará de um dia como hojede um período como o nosso aindaem que todos se dizem que não sabiame da responsabilidade… Ah!, como fogem Quem, num futuro distante, abrirá o livroe vai ler que tudo não passou de reflexode nós mesmos na realidade sem acabadaenquanto somos assim mesmos, meio vivos meio mortos, meio sem pé e sem cabeçaNão

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Início, meio e fim

Tudo tem um início, meio e fimO começo do iníciosó termina depois que passa o meioque tem também, por sua vez,um início, meio e fim Nunca, nunca como nunca,Percebemos o mais difícilO início do fim Quando o fim começaMuito das vezes,nem sabemos que começou,e vai se acabando no seu inícioantes de começar o meiopara se chegar ao fim O meio

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Philosophia

Poesia sem filosofia não é poesia,diz o filósofo professoralFilosofia sem poesia não é filosofia,ensina o poeta sonhador Entender a natureza, saberdas coisas que acontecemcomo acontecem no mundoe revelar ao próprio mundo Ver o simples e o complexoe constatar que tudo é passageiromenos o motorista e o cobrador Que a flor guarda um segredocomo os pássaros quando piame os poetas livres,

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O Boi

O boi no palcode leilãoé o astro O tataravôdo boiera da Índia O dono do boié fazendeirono Pantanal O bezerrofilho do boivai virar assado. 1994 Poemas de João Bosquo

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A Noite é Outro Dia

A noite é outro diaos homens são tão diferentesdentro das casas de luzes acesas A noite é outro diaas árvores guardam sombrasde luzes das casas dormindo A noite é outro diapassarinho passa sozinhopostes e luzes no caminho A noite é outro diamenos precisão de claridadeno sonho da cidade em casas… A noite é outro diaa vez a gente lembra e

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