Certidão de Óbito

Estou morto, sei, não parece…
Morri na hora em que perdi aos poucos
a esperança que me acompanhava
em ver o homem se revelar humano

Estou morto, um pouco mais morto
desde a hora que sai de mim
e me perdi na alucinação, querida,
querendo saber mais de nós

Estou morto, um pouco menos,
não importa, desde o momento atroz
quando me vi que sou assim sem voz

Estou morto, a certidão confirma:
O poeta ali jaz, na folha em branco
sem nenhum traço de poesia e luz.

2003
Poemas de João Bosquo
Share Button

João Bosquo

João Bosquo, poeta e jornalista, editor deste blogue NAMARRA.COM.BR nas redes sociais: @joaobosquo

Você pode gostar...