Como Nava

Cansado de ir ao banheiro
como se fosse simples contorno
e tentar contornar as coisas
da mão em torno do pênis

Cansado de ir ao estádio
e gritar, como se esse grito
fosse aquele guardado a tempos
à espera de novos sentidos

Cansado de procurar o amor
como se mendigo fosse pedir
um carinho, num prato, grátis

Cansado de sozinho ser só
e no meio da sala como Nava
procurar, na gaveta, o revólver.

Publicado originalmente no suplemento Ilustrado, do Jornal do Dia, em 02/02/1986

Poemas de João Bosquo
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