Copa, a intervenção necessária

Parece ter muita gente com papel decisivo na preparação do país e de nossa cidade para a Copa do Mundo, para os quais ainda não caiu a ficha da extraordinária responsabilidade assumida. Para estes, apesar dos grandes valores financeiros e do potencial midiático que envolve, a Copa é apenas mais um projeto paroquial como qualquer outro no qual se pode pintar e bordar ao sabor de seus interesses ou de outras intenções menores. Ainda não entenderam que são parte de um grande projeto nacional, de interesse mundial, que tem a obrigação de ser um divisor de águas em termos de qualidade de vida urbana no país, principalmente para Cuiabá, Várzea Grande e todo Mato Grosso.

Outro dia foi demais. Um ocupante de um dos cargos mais altos no governo federal – e representante de Mato Grosso! – cometeu a barbaridade de dizer que a Copa do Pantanal poderia ser transferida para Goiânia. Teria esquecido que a Copa do Mundo no Brasil ganhou mais duas sedes, completando as 12 escolhidas pela FIFA, em função das belezas do Pantanal e da Amazônia? “Pagot, oh, Pagot!”, como diria o senador Mario Couto, do Pará, por mais linda que seja – e é – terra de tantos amigos e com muito a ensinar em termos urbanísticos, Goiânia não tem o Pantanal. Para mim o diretor do DNIT quis desviar as atenções do contundente discurso do senador paraense feito na mesma semana no Senado contra sua pessoa. E conseguiu. Não lhe importou os prejuízos que suas palavras pudessem trazer à imagem da cidade, talvez até influenciando de forma negativa algum grande investidor na decisão por um empreendimento em Cuiabá. Cuiabá e Manaus foram escolhidas pelas maravilhas que são o Pantanal e a Amazônia, não pelo ranking das cidades melhores estruturadas do Brasil, caso em que muitas outras concorreriam. Ao contrário, o objetivo é prepará-las como plataformas turísticas, e esta é uma chance que Cuiabá não pode perder.

Antes disso o presidente da Assembléia Legislativa resolveu medir forças com o governador Silval Barbosa recém-empossado, escolhendo como campo de batalha o projeto da mobilidade urbana, já anteriormente decidido pelo governo, aprovado pela própria Assembléia, com financiamento assegurado e em fase final de detalhamento. O governador aceitou a rediscussão e enquanto não se decide entre o VLT ou BRT os demais projetos aguardam para o detalhamento definitivo. Já o novo presidente da Agecopa decidiu mostrar seu poder mudando os locais dos Centros de Treinamento, que também já tinham seus projetos concluídos. Antes chegou a tentar mudar a cobertura da Arena Pantanal. Imagine! Mas o máximo veio com a insuperável Infraero. Segundo a empresa vencedora da licitação para a construção do “puxadinho”, o edital da Infraero usou endereço errado para a obra, no Aeroporto Marechal Rondon. A obra emergencial do “puxadinho” vai completar um ano de sua primeira licitação e até agora nada. Abre os olhos secretário Vuolo.

Felizmente parece ainda existir algum resto de bom senso entre nossas autoridades. Tão logo ouviu o infeliz pronunciamento do diretor do DNIT, o senador Blairo Maggi, buscou corrigir o estrago dirigindo-se à presidenta Dilma que ratificou os compromissos do governo federal para com Cuiabá e a Copa do Pantanal. A intervenção era necessária e veio com a força institucional e política indispensável à restauração da seriedade e da ordem no andamento das coisas. A Copa do Pantanal faz parte da Copa do Mundo de 2014 e é um projeto nacional, não apenas de Cuiabá. O Brasil está exposto aos olhos do mundo, e só terá êxito com o sucesso de todas as suas sedes, principalmente aquelas menores como Cuiabá, em tese, mais fáceis e com menores custos de intervenção. Não dá mais para brincar com o tempo. A hora é de fazer. Sem firulas.

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José Antônio Lemos dos Santos

José Antonio Lemos dos Santos, arquiteto e urbanista, é professor universitário. Troféu "João Thimóteo"-1991-IAB/MT/ "Diploma do Mérito IAB 80 Anos"/ Troféu "O Construtor" - Sinduscon MT Ano 2000 / Arquiteto do Ano 2010 pelo CREA-MT.

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