Coral UFMT mostrou que os Beatles são bárbaros

A vibrante apresentação marcou o retorno às atividades da reitora Myrian Serra que sofrera AVC

Não lembrava mais porque gostava dos Beatles – não tocam mais nas rádios e nas tvs. O espetáculo Coral UFMT canta Beatles, com direção musical e regência de Dorit Kolling e direção cênica e coreografia de Reynaldo Puebla, me fez lembrar: The Beatles são bárbaros. O espetáculo que estava programado para acontecer em dezembro do ano passado, marcando o início da gestão da nova reitora, Myrian Thereza Serra que, por infelicidades (ou felicidades, nunca sabemos) da vida, teve uma AVC, e acabou sendo adiado, mas finalmente aconteceu neste último final de semana, no Teatro da UFMT, com a presença da reitora, que inicia assim a sua gestão.

Foram dezoito músicas num espetáculo de pouco mais de uma hora, com um coral em alto astral, numa atmosfera em que se respirava alegria – até por conta da volta da professora Myrian – e uma plateia disciplinada que não usou o flash das câmeras conforme pede o regulamento. Uma noite de arte vibrante. Pensar que teve gente que preferiu o Safadão.

O espetáculo para nós, como assim para muitos, foi um recall para a memória. Lembrei, sim que ainda guri, assisti ao filme “Help”, no Cine Tropical, na década de 60. O cinema foi inaugurado em 1965, mesmo ano de lançamento do filme e ele deve ter demorado no mínimo um ano, ou mais, para ser exibido por aqui. As músicas nas ondas do rádio, claro, chegavam no auge do sucesso. Ainda não tínhamos eletrola estereofônica em casa, por isso nada de LPs. Coisa que só foi acontecer na década de 70. Tudo isso me ocorreu enquanto o Coral da UFMT cantava os Beatles.

Sei, é injusto destacar momentos, pois no conjunto o espetáculo foi magnifico, com a alegria e seriedade dos integrantes do coral, mas nós não escapamos de nossas injustiças e acabo destacando algumas interpretações – pelo arranjo, coreografia, ou pelo impacto da própria canção em nós – como “Yellow Submarine”.

Outros dois momentos que destaco foi a interpretação solo de “Yesterday”, pelo Helberth Silva, que já tem um belo currículo de participações em grandes espetáculos, mas lembrei da Alegria Cristã. Outras solistas foram Mayara Vincenzi (leio no programa que, no mundo paralelo, ela é médica veterinária) e Gabriela Queiroz, graduada em Arquitetura e Urbanismo.

A primeira, Mayara Vincenzi contou sozinha “Come Together”. Ela se apresenta nas noites cuiabanas “cantando grandes nomes do rock nacional e internacional”. Para quem não a conhecia foi uma grata surpresa. Depois outro destaque foi o duo dela com Gabriela Queiroz contanto “Let it be”, uma canção que nos garante que os Beatles, antes de tudo, fazia música popular para também nos confortar a alma e dizer “Let it be, let it be/ Let it be, let it be”, porque muito das vezes pior do que está não pode ficar.

Sou injusto, sei, mas o público presente (com pouquíssimas ausências, já que todos os bilhetes foram trocados) ao final do espetáculo foram justíssimos ao aplaudir de pé comemorou com entusiasmo também o retorno da professora Myrian Serra.

A produção do espetáculo contou ainda com a participação dos músicos Ricardo Kalan Schwartz, bateria; Rodrigo Cavalcante, teclado; Nelson Cunha, baixo elétrico, e Augusto Krebs, na guitarra.

Relembrando: o Coral da Universidade Federal de Mato Grosso desenvolve, há 37 anos, um trabalho musical voltado aos estudantes de diversos cursos da universidade, professores, servidores e comunidade em geral.

O repertório é variado e abrange a música erudita, popular, folclórica, sacra e regional, além de peças sinfônicas. Desde que foi criado, em 29 de abril de 1980 pelo então reitor o médico Gabriel Novis Neves e pelo vice-reitor Benedito Pedro Dorileo, o grupo já realizou concertos no Uruguai, no Paraguai e na Argentina. No Brasil foram centenas de apresentações por Mato Grosso e outros estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Paraíba, Sergipe, Pernambuco, Mato Grosso do Sul, Goiás, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

O Coral da UFMT está sob a supervisão de Naíse Santana, tendo como preparador vocal André Vilani. O grupo que já teve como regentes o maestro Peter Ens e Vilson Gavaldão de Oliveira (por onde andará Vilson Gavaldão de Oliveira?) está, desde agosto de 1989, sob a direção artística e regência da maestrina Dorit Kolling.

João Bosquo

João Bosquo, poeta e jornalista, editor deste blogue NAMARRA.COM.BR
nas redes sociais: @joaobosquo

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