De olho nas obras

No próximo 31 de maio completam 4 anos da escolha de Cuiabá como uma das sedes da Copa do Mundo de 2014. Aliás, mesmo antes da escolha o assunto já se desenvolvia, ao menos desde 2006 quando de uma visita do então presidente da CBF a Cuiabá, momento em que o então governador Blairo Maggi percebeu que a capital mato-grossense poderia disputar nacionalmente uma das sedes, ainda só 10 naquele momento em que nem o Brasil havia sido escolhido para a Copa. Nem sequer se pensava que uma das sedes seria no Pantanal. De lá para cá muita coisa aconteceu. Acho que dá até para identificar os anos de 2006 até 2012 como uma fase heroica neste monumental processo da Copa em Cuiabá. Primeiro um momento de grandeza de visão e coragem para decidir entrar numa arriscadíssima disputa que nem o maior dos otimistas poderia sequer imaginar, quanto mais vencer. Depois uma etapa da competência técnica e política na preparação de informações e planos para convencimento da FIFA de que Cuiabá deveria ser a escolhida, superando outras belas e até melhor preparadas cidades brasileiras concorrentes.

Cuiabá venceu e imediatamente teve que cair na realidade de que aquele momento que vivia não era um sonho. Ou por outra, era sim um sonho, mas um sonho real que trazia junto a obrigação de se preparar adequadamente para um dos maiores eventos do planeta, uma imensa responsabilidade não só perante si própria, mas perante o Brasil e o mundo. A menor das sedes e para muitos, a menos preparada. O patinho feio com a obrigação de mostrar-se em pouco tempo como um belo cisne capaz de agradar ao mundo. Uma tarefa hercúlea por si só e que contava ainda com o agravante de poderosa oposição de algumas das cidades preteridas, que vez por outra ainda vocifera incrustada em alguns setores da imprensa nacional, bem como de compreensíveis vozes discordantes locais, desde aquelas questionando investir na Copa, ao invés de na saúde ou na educação, até aqueles crentes de que a Copa seria apenas um pretexto para uma enorme roubalheira pública, ou aqueles outros para os quais sempre nada dará certo, posição que vai desaparecendo à medida em que as obras avançam.

Acontece que Cuiabá, aos trancos e barrancos vem superando todas estas etapas e hoje desapareceram aqueles riscos da cidade perder a Copa e dos investimentos públicos e privado não acontecerem. Muito ao contrário, a cidade é um grande canteiro de obras e vive um momento de superofertas de vagas de trabalho em todas as áreas da economia. Carros de som percorrem os bairros oferecendo vagas. Alguém já tinha visto isso? Os principais investimentos sacrificam a mobilidade urbana cotidiana, mas tomam forma aos nossos olhos, tais como a Arena, o aeroporto, viadutos, trincheiras, pontes, novas avenidas, a fábrica de cimento, shoppings, torres hoteleiras e de apartamentos, grandes lojas, etc., tudo em um ambiente de euforia e grandes perspectivas. Se outro dia o ambiente era de incredulidade quanto às obras, hoje é de crescente encantamento com o desenvolver delas.

O risco é passar da fase heroica para uma de deslumbramento, esquecendo que quase tudo ainda está por fazer em menos de 1 ano. Mesmo que a maior parte das obras já tenha sido iniciada, se encontre em ritmo acelerado e em estágios de irreversibilidade, é preciso continuar cobrando, criticando e aplaudindo quando necessário. Cadê o Fan Park? Como o VLT se integrará aos demais modais de transporte? Que modelo de gestão será adotado para o transporte público metropolitano, hoje ainda tocado pelas mãos de Cuiabá, de Várzea Grande e do governo do estado, nem sempre concordantes? Assim como o olho do dono é que engorda o gado, o bom olho do cidadão é que deve cuidar da cidade.

 

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