De olho no aeroporto – Artigo de José Antônio Lemos

José Antônio Lemos

Desculpe a repetição, mas se não repetir não dá para registrar nas crônicas cuiabanas essa inimaginável moagem pela qual passou a ampliação do Aeroporto Marechal Rondon. Repito que em fevereiro do ano passado escrevi um artigo denominado Molecagem dedicado não à presidente Dilma, recém-empossada, mas a setores de seu governo, bem como àqueles pagos para bem representar os interesses de Cuiabá e Mato Grosso em todos os níveis políticos, em especial no federal, que haviam deixado a situação chegar onde havia chegado. Referia-me ao tratamento que o estado vinha recebendo da União nas mais diversas áreas e muito especial quanto às obras de ampliação do aeroporto de Cuiabá tendo em vista a Copa do Mundo de 2014 e Copa das Confederações em 2013, esta ainda pretendida pela cidade. Na ocasião criticava o adiamento da entrega do projeto então previsto para setembro de 2011 – já atrasado – para março de 2012, ano em que as obras já deveriam estar concluídas. Entendia ser absurdo o prazo de mais de ano para a elaboração de um projeto de ampliação, diante de um cronograma na época já exíguo para as obras.

Porém, ontem veio a boa notícia de que finalmente foi programada para hoje a entrega pela Infraero ao governador Silval Barbosa do projeto do novo Aeroporto Internacional Marechal Rondon. Viva!

Passado 1 ano e 3 meses, um mês atrás, escrevi outro artigo dizendo que a situação que já era péssima havia piorado. A entrega do projeto que fora adiada para início de março de 2012 só foi feita no fim daquele mês, com o agravante de que – após mais de ano de elaboração – o tal projeto ainda iria passar por “modificações nas partes hidrossanitária e eletrônica”, com nova entrega prevista para meados de junho! Lembrava que a Infraero é uma das maiores e mais bem sucedidas empresas aeroviárias do mundo, e a empresa responsável pelo projeto foi vencedora de uma licitação nacional, portanto, no mínimo uma empresa tecnicamente respeitável. Como então seria possível aceitar que, após mais de ano de elaboração, um projeto dessa responsabilidade tenha sido entregue com problemas “nas partes hidrossanitária e eletrônica”? Perguntava se a Infraero não teve o interesse, o bom-senso ou ao menos a curiosidade técnica de dar uma passadinha na sede da empresa projetista durante esse mais de ano de projeto para saber se tudo ia dentro das especificações? Uma troca de e-mails? Mesmo sendo um projeto prioritário para o país por causa da Copa, preferiram esperar a entrega para só então verificar se havia algum erro? Por outro lado, seria possível que uma empresa idônea pudesse errar no projeto hidrossanitário de um aeroporto que nem é tão grande assim? Não acreditava em nenhuma das duas possibilidades. Seria um desrespeito às estruturas técnicas das duas empresas.

 Passou o mês de junho e nada do projeto, nem de satisfações públicas enquanto nas outras sedes os preparativos avançam. O artigo do ano passado chegou a aventar uma sabotagem contra Cuiabá como sede da Copa, e contra a própria presidenta Dilma. Porém, ontem veio a boa notícia de que finalmente foi programada para hoje a entrega pela Infraero ao governador Silval Barbosa do projeto do novo Aeroporto Internacional Marechal Rondon. Viva! Mais de três anos e um mês após Cuiabá ter sido escolhida como sede da Copa do Pantanal, enfim a obra será licitada. Ainda dá tempo, em especial com o RDC. Como gosto de lembrar, Brasília foi inaugurada em três anos e o Empire State foi feito em 451 dias. É importante destacar que as seleções podem chegar com um ou dois meses de antecedência para a necessária aclimatação, portanto, antes de junho de 2014, o que será bom para o movimento na cidade. Entretanto, foi muita moagem e gato escaldado tem medo de água fria. Vamos continuar de olho no aeroporto, torcendo para que tudo dê certo e tenhamos muitos motivos de aplausos até a conclusão da obra.

><> Pra quem não sabe, José Antônio Lemos dos Santos é arquiteto, urbanista e professor universitário.

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