Desapego – Uma imitação de Soneto

Sinto, como sinto, com o passar dos anos que
Minha alma calmamente vai se desapegando
Deste corpo que, em verdade, nunca me pertenceu

O desapego do corpo não significa desprezo
Não. Tenho muito apreço por este corpo
Que me carrega para onde vou, quando vou
Sem se importar qual seja este ou aquele lugar

O corpo, repara, é um veículo, tem regras próprias
E, qual a sua lógica, desde antes mesmo de ser
Comigo dentro, elas já estão lá manipulando
A enzima mais precária ao ar que circula vermelho…

O corpo é um ciclo que se cumpre perenemente
E a alma, com o tempo, percebe melhor ao tempo
Qual o momento do desapego total e voar ao sol…

><>Poema integrante do livro “Imitações de Soneto”, editado ano passado, mas que tenho alguns exemplares pra distribuição. Contato pelo Messenger do facebook.com/joaobosquocartola.

 

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