Eduardo Mahon autografa nesta terça, 13, o seu segundo romance: “O Fantástico Encontro de Paul Zimmermann”

O acadêmico, poeta, polemista e romancista Eduardo Mahon lança nesta terça-feira, dia 13 de setembro, o seu segundo romance intitulado “O Fantástico Encontro de Paul Zimmermann”, pela editora Carlini e Caniato.

O romance conta a história de um banqueiro que se vê pelas câmeras de segurança da mansão onde mora até surgir o que ele pensa ser um outro, uma réplica de si mesmo. Mahon tinha incursionado no mundo da literatura do fantástico no romance anterior. Em “O Cambista”, apresentou um mundo onde segredos eram negociados e em “Doutor Funéreo”, livro de contos, tratou das muitas formas de morte de forma sucinta e bem-humorada.

Esse é o 9o livro de Eduardo Mahon que é titular da Cadeira 11 da Academia Mato-grossense de Letras e sócio correspondente da Academia de Letras de Mato Grosso do Sul. Essa trajetória é acompanhada de perto pela intelectual Marília Beatriz de Figueiredo Leite, amiga, colega de AML e atual presidente da instituição literária. Como os outros livros de Mahon, a orelha do livro é de responsabilidade dela. A mestra em semiótica analisa que os livros de Mahon podem ser divididos em “teatrais” e “cinematográficos” – é possível ver a cena descrita, foto a foto, quadro a quadro, tamanha é a riqueza de signos que o autor fornece. Marília ressalta o excêntrico personagem Zimmermann como um homem de sucesso, cercado de medos e encerra a orelha do livro propondo uma necessária terapia analítica literária. A escritora Luciene Carvalho assina embaixo: “o texto de Mahon é tão assustador em possibilidades que, de vez em quando, penso que seria melhor não ter lido. Mexeu demais com a minha paz”.

O poeta Aclyse Mattos, um dos mais respeitados escritores mato-grossenses, escreveu um dos posfácios. Ele analisa: “Este é o mote do romance de Eduardo Mahon: O Fantástico Encontro de Paul Zimmermann. O tema do duplo, numa sociedade em que a proliferação das imagens nos faz personagens, autores, vilões ou vítimas à revelia de nosso controle. A sociedade do controle e da informação acaba por soterrar-nos entre controles e informações. Há controles sobre controles. Meta-informações e meta-dados sobre dados e informações. Quase o fantástico conto de Borges (que amava e praticava o gênero) em que o rei pede um mapa do reino na escala de 1 por 1: ou seja, do tamanho do próprio reino. Não se trata de ficar cego de tanto enxergar, mas de perder a materialidade de tanto se virtualizar. Mas, como a literatura é sempre virtualizada, que tal se a virtualidade se materializasse?”

Já o poeta e jornalista, repórter deste Namarra e do DC Ilustrado, João Bosquo, reflete sobre a obra de Mahon, concluindo: “Ao fim da leitura desta história, o amigo leitor, assim como eu, pode estar frustrado. Pois de encontro nada aconteceu. Na verdade, o que se deu foi um desencontro de Paul Zimmermann com ele mesmo. Um desencontro, sim, que foge de todas as expectativas construídas ao longo da narrativa. Embora o frio, gélido e canalha financista no fim fosse merecedor de uma punição, esperava-se a ‘vitória’ da realidade sobre a ficção. Aquele que perdeu o domínio da realidade – do controle da realidade – e esse talvez seja o maior medo de todos nós; das pessoas – cuja marca é o rompimento do romance com Elissa e finalmente o domínio do território da casa. Não basta desligar os aparelhos. O Outro já era uma coisa palpável, real. Digo desencontro porque nós-outros não queremos a vitória da realidade virtual. Sou contra a vitória do Outro. Quando HAL 9000 quer dominar a nave Discovery, em “2001 – Uma Odisseia no Espaço”, o astronauta David Bowman entra nas suas entranhas e o desliga e nos dá a certeza que o homem não será superado pela máquina. Paul Zimmermann ao criar um reflexo tangível de si mesmo, nos tira essa certeza”.

Mahon diz que prefere lançar seus livros da Casa Barão de Melgaço, mas enquanto o casarão passa pela longa requalificação, optou pela Casa do Parque, onde receberá os amigos para o coquetel de lançamento.

Aos leitores deste DC Ilustrado, fica a provocação do autor: ”Até onde a tecnologia é capaz de criar uma réplica, a despeito da vontade do eu-original? E, finalmente, em que medida uma imagem que projetamos de nós próprios tem menos legitimidade para a vida do que a realidade?”

Os leitores, claro, só saberão responder depois da leitura dessa surpreendente ficção do absurdo.

Serviço:

Livro: O Fantástico Encontro de Paul Zimmermann

Dia: 13 de setembro de 2016

Horário: 19h30

Local: Casa do Parque

Namarra

Matérias, notas que nós (eu e Meu Peixe) gostaríamos de escrever e observações diversas.

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