Eduardo Mahon – cavaleiro andante da literatura, por Rubenio Marcelo

Por Rubenio Marcelo | Consta que Freud, aquele que explica sem explicitar, certa vez afirmou: “os poetas e os romancistas são aliados preciosos, e os seus testemunhos merecem a mais alta consideração, porque eles conhecem, entre o céu e a terra, muitas coisas que a nossa sabedoria escolar nem sequer sonha ainda”. Pois bem… são testemunhos – e experiências – desta natureza que o eclético escritor Eduardo Mahon (poeta, romancista e contista) vem timbrando fielmente em suas andanças pelo estado no qual reside (MT) e também por outras paragens do nosso país e até do exterior. Lúcido e vocacionado para a arte da palavra, possuindo a literatura introjetada no seu modus vivendi, rompendo fronteiras, ele impressiona pela sua ação criadora e o perfil diferenciado de suas obras. Em consciente estado de espírito sintonizado com os desígnios literários, semeia – por onde passa – a primazia da linguagem, apresentando suas publicações, tecendo com maestria (e profundo conhecimento) colóquios fecundos de arte/cultura, e despertando naturalmente em seus (novos) leitores o prazer da leitura.

Aqui, no Mato Grosso do Sul, Mahon – que inclusive é membro correspondente da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras – já lançou, com sucesso, vários dos seus livros autorais, como: ‘Nevralgias’ (de 2013), a sua ‘Trilogia [poética] da Palavra’ (‘Meia Palavra Vasta’, ‘Palavra de Amolar’, ‘Palavrazia’, de 2014), “Doutor Funéreo e outros contos de morte” (2014), “O Cambista” (2014), “O fantástico encontro de Paul Zimmermann” (2016) e, recentemente, o enigmático e instigante volume “Contos Estranhos” (2017), em belíssima edição bilíngue pela Editora Carline & Caniato, obra que possui apresentação da acadêmica (e doutora em letras) Olga Maria Castrillon Mendes. O lançamento deste seu mais recente livro, que, com poder de síntese, compendia 35 inusitados contos e uma novela, foi deveras prestigiado e aplaudido pela comunidade literária estadual e o público em geral – a crítica especializada e a imprensa também destacaram a obra.

Cavaleiro andante da arte literária, um dos nomes significativos da nossa literatura contemporânea, de raciocínio pleno e labor criativo original, estilo inovador e sugestivo, Eduardo Mahon faz do seu mister um motivo sublime e pensado para ampliar seus horizontes, adornar o mundo e iluminar sua alma (e a alma do seu público legente). Conhece o semblante da linguagem e, com jeito especial, maneja a artesania da palavra escrita – e, assim, segue na sua instintiva missão de escrever, despreocupado com o ríspido cotidiano e ciente daquela assertiva pessoana de que ‘a literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida’.
______________________________
* Rubenio Marcelo é poeta escritor e advogado, membro e secretário-geral da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras

Leia também:

Lançamentos de “Contos Estranhos” transformam-se em bonde e agita Mato Grosso

Letras na Estrada – por Olga Maria Castrillon-Mendes

 

Share Button