Eduardo Mahon faz superlançamento de “Contos Estranhos”

Além de cidades polos de Mato Grosso, escritor vai autografar novo livro em São Paulo e em Portugal

Eduardo Mahon tem horas que parece menino, criança mesmo, quando vê os exemplares de um novo livro saído do forno. Ele não se contém e começa a distribuir livros para quem de alguma forma acredita que vai ler o conteúdo. O livro, revelo, tem capa amarela, com uma série de pequenas caricaturas do autor, criada pela editora Elaine Caniato. O livro tem o sugestivo título “Contos Estranhos”, com 35 contos e uma novela e tradução dos contos, daí o subtítulo “Weird tales”. Pronto. Está feita a resenha.

Isso foi o que combinamos ao final de nossa conversa regada a café, feito na horinha, em seu escritório de advocacia, pela colaboradora Atailze Coelho, que o acompanha há mais de 15 anos.

Falemos agora da obra e do escritor.

Eduardo Mahon, mais uma vez escreve um livro que chama, atrai, obriga o leitor a terminar de ler o texto iniciado. A vantagem agora, vamos combinar, é que os contos são curtos (avaliação do próprio Mahon) extensão de uma folha A4 em word, ou mais ou menos 3 laudas de 70 toques (na antiga contabilidade dos jornais do século passado), que afinal é um bom tamanho, que beira aí uns 4 mil caracteres. Se tivéssemos em uma pista de atletismo, o tempo de leitura –sem interrupções– seria de 4 minutos e alguns segundos. Numa viagem de ônibus, por exemplo, de 15 minutos será possível ler três contos de uma vez.

Os contos tem um estilo único – idênticos em todos eles, com a narrativa ligeira, apresentação da personagem e o foco da trama. Esse núcleo narrativo, porém é que são elas, daí a definição de “contos estranhos”. Se em “Doutor Funéreo e outros contos de morte” tinha um tema referencial – morte – o mesmo não acontece neste novo livro. O autor é didático ao explicar. Ele lembra que o romance “O fantástico encontro de Paul Zimmermann” (2016) tem o estilo que tecnicamente conhecemos como “realismo fantástico”, da escola de Gabriel Garcia Márquez, e o ‘termo’ estranho aqui na definição desses contos são usados com uma significação mais (ou menos) ampla do realismo fantástico, vai se saber.

“Contos estranhos” sendo que o estranho é estranho, estranho porque é inverossímil, embora a verossimilhança seja uma busca quase que permanente dos escribas; estranhos porque são insólitos, contos fabulosos nos quais se apresentam várias possibilidades, raças ou gênero. O conto que abre a coleção é “A Hérnia”, baseado em fatos reais, já que o autor está com uma perturbando-lhe a barriga… O desfecho não sabemos se será o mesmo. Se for, será muito, muito estranho.

Todas as histórias, por menos insólita que seja, são estranhas. O leitor vai adorar, pois num piscar d’olhos se sabe o desfecho da história – já disse são menos de cinco minutos para a leitura de um conto. Algumas histórias nos remetem a outras. Por exemplo, o conto “Segundas-feiras”, no qual a personagem Marlene Vieira, sempre acorda às segundas, lembrou-me o filme “Feitiço do Tempo”, com Bill Murray, cujo personagem Phil, sempre acorda no ‘dia da marmota’, numa remota cidade americana.

Poderíamos ficar aqui nesse pingue-pongue de lembranças. Paro, mas antes devo dizer que – até esta matéria ser publicada – devo ter terminado de ler a novela “O homem do país que não existe”, que de alguma forma, bem estranha, fez-me lembrar duma outra novela de um escritor mineiro, Oswaldo França Júnior, com o titulo de “Aqui e em outros lugares”, editado nos anos 80, embora no expediente do livro conste como romance. Aqui e em outros lugares o que importa é a boa literatura.

Um detalhe importante, porém, não podemos deixar de mencionar. É a radicalização da escrita, que de certa forma já vinha acontecendo e agora chegou ao extremo. O autor aboliu todos os sinais gráficos – travessão de indicação de diálogos, aspas nos diálogos, assim como os parágrafos. O conto tem apenas um único parágrafo. Eduardo Mahon diz que essa abolição dos sinais torna a leitura mais ágil. Deve ser, mesmo.

O livro recebe o endosso prefacial de Olga Maria Castrillon-Mendes, professora e pesquisadora da Literatura da Unemat e ocupante da cadeira 15 da AML; e, no posfácio, da nossa querida poeta Lucinda Nogueira Persona.

Essas mudanças e experimentações, claro, só podem se dar no conto. A essência é um, apenas um drama, com um ou dois personagens; espaço e um curto espaço de tempo, mas não existe regra quanto ao tamanho, número de linhas tanto que hoje se pratica o miniconto e o radicalismo dos chamados micro contos que, aqui em Cuiabá, citamos Odair de Morais que escreve contos na medida do twitter, ou seja, 140 toques.

Lá no início dissemos que Mahon não se segura – como pai de primeira viagem – fica ansioso para mostrar o filho. Como diz Mário de Andrade no Prefácio Interessantíssimo: – “Todo escritor acredita na valia do que escreve. Se mostra é por vaidade. Se não mostra é por vaidade também”.

O escritor, para nossa surpresa, também incorporou o espírito marqueteiro e vai lançar o livro em diversos pontos não só no estado, como em outros estados e em Portugal.

Segue o calendário de lançamento: no último dia deste março, 31, uma sexta-feira, Mahon estará em Campo Grande, na Sede do Instituto Histórico de MS; Dia 18 de abril, em Cáceres, no Centro Municipal de Cultura; entre os dias 17 e 19 de maio, em Portugal, durante o Congresso Internacional de Conto, Aveiro, na Biblioteca Nacional de Lisboa; em junho, em Tangará (dia que a Fac. Letras/Unemat ainda confirmará) e Sinop (dia em que o IFMT ainda confirmará) e finalmente 1º de agosto em Cuiabá, no Cine Teatro Cuiabá, e para fechar a agenda dia 12 de setembro, em São Paulo, na Livraria Cultura, da Av. Paulista.

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