Eduardo Mahon lança livro e João Gordo estreia filme nesta terça, 1 de agosto

O livro é “Contos Estranhos” e o filme é “O Poder da Palavra” que movimentam, nesta terça-feira, o Cine Teatro

Integrantes do Bonde do Mahon – Foto: Divulgação

O lançamento… Ops, o ciclo de lançamento do livro “Contos Estranhos”, de Eduardo Mahon, se encerra neste dia primeiro de agosto, terça-feira, com um evento no Cine Teatro Cuiabá, quando também (além dos autógrafos, tête-à-tête do escritor e o seu público amado leitor – que não é pequeno – tão tradicional num lançamento de livro) acontece a avant-première do filme-documentário “O Poder da Palavra”, de João Manteufel, o João Gordo, que conta com a participação de Aclyse Mattos, Lorenzo Falcão, Luciene Carvalho, Lucke Mamute, Marília Beatriz de Figueiredo Leite, Ramon Carlini, Vera Capilé, Waldir Bertúlio e, claro, do escritor Eduardo Mahon. O filme tem 60 minutos e não sei quantas palavras, por isso tudo o evento está sendo tratado como “Bizarro, incomum, esquisito”.

Este repórter não vai discordar do “bizarro, incomum e esquisito” dos lançamentos deste 10cimo livro de Eduardo Mahon que, como noticiamos a primeira vez neste mesmo Namarra, começou em março, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, depois se desdobrou pelas mato-grossenses Cáceres, Sinop, Pontes e Lacerda e também na FLIC de Chapada de Guimarães, onde a festa contou também com a participação de outros escritores – Ivens Cuiabano Scaff, Olga Maria Castrillon-Mendes, Cristina Campos e Marli Walker – que também participaram dos eventos. Agora, se junta à trupe, um cineasta, o João.

O filme começa a ser exibido às 19h30, portanto não percamos a hora.

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Tenho pouco para falar do filme. A única informação que recebi é que a poeta (desde Cecília Meireles, todas querem ser chamadas de ‘poeta’, contrariando o gênero poetisa) Luciene Carvalho faz um depoimento emocionante, pra lá de bacana, e se revela como atriz… Mas, pelo que me lembro dos tempos do Flamp, Luciene já era uma estrela.

Vamos ao livro. “Contos Estranhos”, recapitulando, começou – segundo o autor – a partir de uma prosaica pergunta “e se?” e de tal pergunta se prolongou a imaginação criadora e surgiram os contos, como “A Hérnia”, “A menina que roubava cores”, “O homem sem gravidade” e outros, somados 35 foram reunidos e mais a novela “O Homem do País Que Não Existe”.

Para quem vem acompanhando a produção do ativo advogado, polemista e escritor, os resultados são surpreendentes. Os romances “O Cambista” (2015) e “O Fantástico Encontro de Paul Zimmermann” (2016), ambos tem uma narrativa cinematográfica que envolve o leitor pela clareza textual. Não é fácil. Isso sem falar da necessidade de se fazer que produto final, o livro, suporte da história chegue até as mãos do leitor.

Olga Castrillon-Mendes, professora e pesquisadora de literatura da Unemat, que prefacia o livro, destaca o trabalho de Mahon, ao espalhar os seus textos para um número maior de possíveis leitores.

Eduardo Mahon, segundo Olga Castrillon-Mendes, “é um dos que mais se comunica com o leitor em potencial pela forma como distribui e faz circular sua obra. Certamente contribuindo para a configuração da cadeia sistêmica que envolve meio social, história, produção e formação, como aquela traduzida por Antônio Cândido e repensada por críticos e teóricos contemporâneos”.

A poeta e acadêmica Lucinda Nogueira Persona, no posfácio do livro, falando em linguagem, diz que “em Contos Estranhos, importa salientar, entre outros elementos, a economia da linguagem. Em cada frase, o autor opta por um enxugamento que agiliza a marcha da escrita e jamais prorroga o desfecho. Assim, o narrador revela-se resoluto do início ao fim”.

Com outras palavras – creio – a poeta Lucinda Persona está nos dizendo do drama do escritor, como no poema “O Lutador”, de Carlos Drummond de Andrade que afirma que “Lutar com palavras/ é a luta mais vã/ Entanto lutamos/ mal rompe a manhã/ São muitas, eu pouco./ Algumas, tão fortes/ como o javali/ Não me julgo louco/ Se o fosse, teria poder de encantá-las/ Mas lúcido e frio/ apareço e tento/ apanhar algumas /para meu sustento num dia de vida”.

A luta empreendida por Mahon é pela economia da linguagem – como destaca Lucinda – tanto que os contos são um paragrafo só. Os diálogos dentro do texto dispensam os sinais gráficos – (travessão) e “” (aspas) por exemplo e o leitor não precisa dessas sinalizações para compreensão da narrativa direta, intuitiva e – alguns momentos – chocante.

A leitura dos livros de Mahon, no atual contexto mato-grossense, é interessante inclusive para compreensão do universo literário no qual vivemos. Boa leitura.

Lá no início foi escrito que o ciclo de encerramento se esgota em agosto. Mentimos. Em outubro o autor já tem agendado o lançamento do livro Contos Estranhos em São Paulo, em destacada livraria paulista.

Fonte: DC Ilustrado

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