Eleições, aeroporto e ferrovia – artigo de José Antônio Lemos

José Antônio Lemos

Pela terceira vez este ano lembro o artigo de fevereiro do ano passado intitulado “Molecagem”, que já expressava naquela época toda a minha preocupação com o atraso na ampliação do Aeroporto Marechal Rondon para a Copa do Mundo de 2014 e a Copa das Confederações que ainda era pretendida por Cuiabá. Na ocasião criticava o adiamento da entrega do projeto, então previsto para setembro de 2011, para março de 2012. Achava excessivo o prazo de mais de ano para a elaboração de projeto de ampliação de uma estação de passageiros que afinal nem é tão grande assim. Nesse artigo do ano passado já aventava a possibilidade de sabotagem contra Cuiabá como sede da Copa e até contra a própria presidenta Dilma, líder maior do grande evento.

Cerca de 1 ano depois fiz outro artigo criticando um novo adiamento da entrega do projeto, agora de março para meados de junho, sob alegação de necessidade de correções. E na ocasião da entrega, que só aconteceu com novo atraso em julho, fiz novo artigo saudando a tão esperada entrega e a expectativa da imediata licitação em ritmo de RDC para início das obras. Só que até fins da semana passada o processo licitatório não havia sido concluído e no último domingo, ao invés de sair seu resultado veio a notícia da revogação da licitação do aeroporto. Segundo o secretário da Secopa seria pela necessidade de “revisões” no orçamento entregue pela Infraero, isso após quase 2 anos elaborando o projeto. O que dizer? Depois do “Molecagem” usado no artigo do ano passado, a vontade foi usar agora como título um palavrão bem expressivo para toda a indignação pelo desrespeito com que a Infraero vem tratando Mato Grosso e Cuiabá, uma das sedes da Copa do Mundo. Em consideração aos caros leitores e leitoras usei um título elegante, deixando o palavrão a critério de cada um.

Resumo da ópera: após quase 3 anos e meio de Cuiabá ter sido escolhida como uma das sedes da Copa, até hoje a Infraero não conseguiu licitar a obra de ampliação do aeroporto da cidade. E faltam 600 dias! Não se trata de problema técnico, incompatível com a qualidade dos corpos técnicos da Infraero e da empresa que elaborou o projeto. Isso é sabotagem mesmo. Só pode ser coisa de gente graúda na Infraero, que já está lá há mais tempo e que até hoje não aceitou o fato de Cuiabá ter sido escolhida como uma das sedes da Copa 2014. Sempre é bom lembrar que o aeroporto, junto com a Arena e a avenida ligando os dois, é um dos projetos sem o qual a Copa se inviabiliza, mesmo que a cidade esteja toda pintada em ouro. Isso é sério, faz tempo que acompanho o assunto independente de eleições, mas as eleições existem justamente para o povo avaliar como os governos tratam as coisas públicas.

Sem dúvida o aeroporto e a ferrovia devem ser cobrados pelos eleitores nestas eleições. São projetos fundamentais para o futuro do estado e para a cidade. Não se trata de oportunismo político, não sou candidato. E foi o governo federal que cortou o trecho ferroviário até Cuiabá e agora revoga com o estado a licitação de seu aeroporto em pleno processo eleitoral. Não dá para passar sem protesto, não somos amebas. O aeroporto e a ferrovia têm sim que ser bandeiras de todos os cidadãos, entidades representativas, setores produtivos e principalmente dos políticos com mandatos ou candidatos, mesmo os da situação, no caso destes para ir a Brasília cobrar de seus parceiros as providências corretivas, ou então defender sem tergiversar o absurdo corte da ferrovia ou a brincadeira da Infraero com o aeroporto. A única arma do cidadão é o voto, que só pode ser usado em períodos eleitorais. Sem ferrovia, sem voto. Sem aeroporto, também.

José Antônio Lemos dos Santos

José Antonio Lemos dos Santos, arquiteto e urbanista, é professor universitário. Troféu “João Thimóteo”-1991-IAB/MT/ “Diploma do Mérito IAB 80 Anos”/ Troféu “O Construtor” – Sinduscon MT Ano 2000 / Arquiteto do Ano 2010 pelo CREA-MT.

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