Em Memória do Adeus à Ferreira Gullar – Poema de João Bosquo

Existe, repara, uma hora dentro do minuto e
um segundo, às vezes, é maior que o domingo…

Saio de casa, vou à feira e caminho até descansar
sentado num banco de uma praça perdida num país
que nunca cheguei a conhecer, mas que mora
no centro de meu coração na América do Sul

Uma hora, no meio de um minuto, o poeta pensa:
A vida é lembranças – boas ou más lembranças
e não importa que a gente insista em querer
guardar na memória -, mas elas se perdem…

Um milésimo de segundo é maior que tudo,
maior que um século de tempo contado em horas
quando a pessoa cabe dentro desse milésimo,
mas é menor que a constatação do bóson de Higgs.

Ferreira Gullar, poeta, crítico de arte e ensaísta, desencarnou na manhã deste domingo, 4, por volta das 10h, no Rio de Janeiro, aos 86 anos de idade.

Ferreira Gullar, pseudônimo de José Ribamar Ferreira, nasceu em São Luís, 10 de setembro de 1930, sobre a questão do nome ele declarou o seguinte:

“Gullar é um dos sobrenomes de minha mãe, o nome dela é Alzira Ribeiro Goulart, e Ferreira é o sobrenome da família, eu então me chamo José Ribamar Ferreira; mas como todo mundo no Maranhão é Ribamar, eu decidi mudar meu nome e fiz isso, usei o Ferreira que é do meu pai e o Gullar que é de minha mãe, só que eu mudei a grafia porque o Gullar de minha mãe é o Goulart francês; é um nome inventado, como a vida é inventada eu inventei o meu nome.”

Autor de “Poema Sujo”, que tive o prazer de ler em 1977, uma edição da Civilização Brasileira, quando da edição de “Abaixo-Assinado”, em parceria com L. E. Fachin.

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João Bosquo

João Bosquo, poeta e jornalista, editor deste blogue NAMARRA.COM.BR nas redes sociais: @joaobosquo

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