Então Vamos Falar de Literatura… 2 – Por Sebastião Carlos

Por Sebastião Carlos | O Prêmio Nobel de Literatura é sem sombra de dúvida o prêmio literário mais importante do mundo. Não somente pelo aporte financeiro, mas sobretudo pelo prestigio social e cultural que dá ao ganhador. Talvez por isso mesmo nem sempre essa outorga tem sido consensual, e em muitas ocasiões foi altamente polêmica. Em duas ocasiões ele foi recusado. Em 1958, o poeta e romancista russo Boris Pasternak foi impedido de aceitar pela pressão do governo soviético e, em 1964, Jean – Paul Sartre, o conhecido intelectual francês, recusou formalmente alegando que a aceitação do prêmio implicaria em perder a sua identidade e independência de filósofo. Mas as criticas mais fundamentadas que se faz à Academia Sueca é que ela deixou de lado escritores de fundamental importância para a cultura mundial. O prêmio, outorgado desde 1901, não concedeu o galardão a clássicos do porte Tolstoi, Zola, Marcel Proust, Franz Kafka, Ibsen, James Joyce, Paul Valéry, Nobokov, Jorge Luis Borges e alguns outros. O Brasil, apesar de sua importância no contexto latino-americano, até agora não conseguiu. [O pequeno Chile tem dois, significativamente, poetas: Gabriela Mistral e Pablo Neruda].

Pois bem, o último prêmio também causou celeuma. O premiado, que só confirmou a aceitação várias semanas depois e que não foi à a entrega oficial em 10 de dezembro mandando apenas o discurso, foi Bob Dylan. Merecia? Não merecia? Tem porte e obra para tanto? Foram as discussões que logo surgiram. Alguns disseram que se era para premiar, pela primeira vez, um compositor – cantor por que não Leonard Norman Cohen, o celebrado cantor, compositor, poeta e escritor canadense, autor de inúmeras e marcantes canções como Hallelujah, que por sinal faleceria no mês seguinte ao anuncio, aos 86 anos.
O fato, com controvérsias ou não, é que Robert Allen Zimmerman, nascido em 24 de maio de 1941, em Duluth, Minnesota, foi indicado por, conforme a Academia, “ter criado novos modos de expressão poética no quadro da tradição da música americana”.

Aqueles que viveram os intensos e inquietantes anos 60 sabem da importância politica e romântica, ou se preferirem, politica com romantismo que Dylan representou. Em suas canções estão presentes estilos que vão do protesto pacifista, as denúncias de injustiças e de explorações, o retrato do caos humano e social da sociedade contemporânea. A raiva e as angustias daqueles anos tumultuados e esperançosos da Guerra Fria, das ditaduras no continente latino americano, da intervenção ianque no Vietnã, enfim, das transformações dos costumes fizeram dele o grande interprete do período. Particularmente, considero algumas musicas suas muito longas e, como não sou nada em inglês, algumas letras muito difícil de assimilação, mesmo com boa tradução. De toda forma, não há como deixar de considerar que uma das maiores canções de nosso século, por ao mesmo tempo reunir bela construção poética, ser um vigoroso protesto humanitário e possuir um romantismo mais que envolvente foi escrita e interpreta pelo novo Prêmio Nobel. No meu entender, e acredito de imensa maioria, esta canção é Blowin’ In The Wind, em português “Soprando ao vento”.

ENTÃO VAMOS FALAR DE LITERATURA …. – 2 O Prêmio Nobel de Literatura é sem sombra de dúvida o prêmio literário…

Publicado por S Carlos Gomes de Carvalho em Domingo, 18 de junho de 2017

 

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