Entre aspas: Governador Pedro Taques antecipa a disputa eleitoral e dá um chega pra lá em Antônio Joaquim, presidente do TCE-MT, pré-candidato do PMDB

 

><>Matéria assinada pelo colega Eduardo Gomes, do DC, sobre o bate-boca (des) institucional entre o governador Pedro Taques e Antônio Joaquim, presidente do TCE-MT.

Taques e Joaquim em rota de colisão

Governador usa rede social para criticar conselheiro do TCE e disse não aceitar que seus secretários sejam humilhados

EDUARDO GOMES
Da Reportagem

Depois da tentativa fracassada do Tribunal de Contas do Estado (TCE) em conseguir junto a Secretaria de Fazenda (Sefaz) dados confidenciais de empresas do agronegócio que operam em exportação de commodities agrícolas e até de acioná-la judicialmente diante de sua recusa, o governador Pedro Taques saiu em defesa do posicionamento de sua equipe, acusou o presidente do TCE, conselheiro Antônio Joaquim, de utilizar aquela instituição para fins eleitoreiros e apontou fatos graves que ali teriam ocorrido. O troco foi quase na mesma moeda. Joaquim exigiu respeito, disse que Taques “precisa ter humildade para entender que não é o dono do Estado”. Mesmo rechaçando o presidente não tocou nas acusações feitas pelo governante.

Na noite da segunda-feira, numa rede social Taques citou que o alerta do TCE expõe o rebaixamento daquela corte de contas vinculada à Assembleia Legislativa. Reforçando seu convencimento o governador citou a denúncia sobre venda de vagas por ex-conselheiros que se aposentaram precocemente. \”O TCE, a meu ver, está se permitindo rebaixar mais uma vez. A primeira vez aconteceu quando permitiu as negociatas de venda de vagas, antes veladas e agora reveladas por denúncias que pipocam a todo lado\”, alfinetou e em tom de desabafo acrescentou que no TCE tem um caso de conselheiro hereditário, numa referência ao conselheiro Campos Neto que assumiu a vaga de seu pai Ary Leite de Campos.

Na mesma postagem Taques falou sobre omissão do TCE ao permitir que o ex-governador Silval Barbosa – preso desde setembro de 2015 acusado de improbidade administrativa – praticasse tantos casos de corrupção “embaixo de suas barbas (do TCE), seja por conivência ou por incompetência”, acrescentando que o TCE esteve presente na Secretaria da Copa do Mundo (Secopa), onde ocupava uma sala para proceder fiscalização em tempo real, e resumiu, “deu no que deu: obras de péssima qualidade, sem prazos, com descontrole total. Sobrou pra gente organizar essa zona\”.

Taques foi além criticando a tentativa de Joaquim à sua propalada candidatura ao governo ou ao Senado em 2018, mesmo ocupando função que impede filiação partidária. “Agora (o TCE), se permite servir de trampolim (ou seria poleiro?) eleitoral para o seu presidente, autodeclarado candidato chamar para si holofotes em ações politiqueiras, midiáticas e desprovidas de valor real”.

Na postagem Taques rechaçou o pedido de informações, criticou fatos no TCE que ganharam manchetes e resultaram inclusive no afastamento do conselheiro Sérgio Ricardo por decisão judicial, e criticou a postura de Joaquim, que mesmo na presidência da instituição tem seu nome associado a disputa eleitoral; o governador foi duro ao afirmar “que (Joaquim) quer prospectar CPFs (de diretores de empresas) com que interesse? Avaliando o potencial dos contribuintes para futuras doações de campanha? Muito estranho tudo isso”, resumiu.

Na manhã de ontem Joaquim concedeu coletiva no TCE e tentou amenizar a situação. Na sessão plenária do TCE logo após a reunião com os jornalistas, o presidente também evitou polemizar com Taques. Porém, à tarde, em redes sociais, rebateu o governador, mas nem assim o fez sobre todo o teor da crítica recebida. “Não vejo como necessário refutar ponto a ponto, mas creio que alguns esclarecimentos sejam necessários”, ponderou Joaquim e assim tirou do cenário os temas Campos Neto e Sérgio Ricardo.

Mesmo cauteloso para preservar seus pares, Joaquim ironizou o governador “a meu ver, está gastando munição com alvo errado”, citou enquanto qualificava a postagem do governante de “ataque desproporcional”.

Joaquim lembrou que sempre respeitou Taques e pediu a recíproca. “Tenho orgulho da minha biografia e, como presidente, exijo do senhor governador o mesmo respeito que lhe tributo no desempenho de sua função. Jamais permitirei contaminar a minha gestão na Presidência do com questões político-eleitorais, pois não vou violentar os meus limites morais e éticos. Respeito demais a minha história e a instituição que honrosamente sirvo com determinação”, desabafou. O presidente foi além, “ao se referir ao TCE como um poleiro, o governador agride a todos que nele trabalham. Na ânsia de atingir um, atingiu a instituição Tribunal de Contas…”, lamentou.

Na postagem Joaquim insistiu que quer os dados fiscais das exportadoras. Ele julga que eles são necessários para eventuais auditorias do TCE, que se dispõe a assinar termo de confidencialidade.

SEM RECADO – No pronunciamento que fez na posse de 26 procuradores do Estado Taques elogiou e lembrou que o TCE compartilha fiscalização com órgãos do governo e o Ministério Público. O governador cumprimentou o conselheiro-substituto Luiz Henrique Lima, ali presente, e quatro conselheiros ausentes começando por Waldir Teis, mas omitiu os nomes de Joaquim e Campos Neto. Na fala ele citou uma frase de Platão “sou amigo de todos, mas sou mais amigo da Constituição”.

Após a fala, enquanto caminhava para o seu gabinete, Taques conversou apressado com jornalistas. “A citação de Platão foi um recado para Antônio Joaquim?”, perguntou um. “Eu não sou homem de mandar recado”, respondeu. “Mas ela (a frase) ratifica sua postagem sobre Joaquim e o TCE?”, insiste o entrevistador. “Ratifica sim. Eu não aceito ingerência nem que humilhem meus secretários”, resumiu.

Fonte: http://www.diariodecuiaba.com.br/detalhe.php?cod=502900

Eis a declaração do governador postada nas redes sociais:

TCE MT, a meu ver, está se permitindo rebaixar mais uma vez.

A primeira vez aconteceu quando permitiu as negociatas de venda de vagas, antes veladas e agora Reveladas por denúncias que pipocam a todo lado. Ali teve de tudo pra ocupar vaga, até Conselheiro hereditário.

A segunda vez foi quando permitiu que todas as negociatas do Governo Silval (antes supostas e agora expostas) acontecessem embaixo das suas barbas, seja por conivência ou por incompetência. Cabe a ressalva de que o TCE esteve presente na Secopa, com auditores permanentes lá, com este mesmo modelo “inovador” de auditoria durante a execução. Deu no que deu: obras de péssima qualidade, sem prazos, com descontrole total. Sobrou pra gente organizar essa zona.

Agora, se permite servir de trampolim -ou seria poleiro?- eleitoral para o seu presidente, autodeclarado candidato, chamar para si holofotes em ações politiqueiras, midiáticas e desprovidas de valor real.

Nada justifica que, ao invés de analisar os dados e sistemas de controle, querer acesso a CPFs e valores individuais. Não interessa a eles os processos, mas sim os nomes. Quer prospectar CPFs com que interesse? Avaliando o potencial dos contribuintes para Futuras doações de campanha? Muito estranho tudo isso.

Namarra

Matérias, notas que nós (eu e Meu Peixe) gostaríamos de escrever e observações diversas.

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