Escuso-me pardo – poema de João Bosquo

Não sou preto, não sou branco
Venho de índios do interior de Mato Grosso
de espanhóis fugidos de revoluções
de avós escravos, ou quase,
em usinas do Pantanal

Não sou preto, não sou branco
Um dia já fui filho de pai
próspero comerciante
e depois foi à falência

Minha família morou ‘de favor’
mudei de casa, de rua,
de escola, de amigos,
mudei dentro das regras…

As vicissitudes da vida acontecem
mesmo sem querer, somos levados
e com elas também acontecemos…

Assim aconteceu com minha pele
O IBGE diz que sou pardo
(mas não de leopardo)
um pardo qualquer
que é não cor de casa ou camisa
nem do paletó, da meia
ou de sapato: pardo

Olho ao espelho e sei: não sou branco
tampouco sou preto, escuso-me de ser pardo
Sou brasileiro, moreno, de estatura mediana…

><>A cor ‘morena’, como queria Darcy Ribeiro, talvez defina melhor que a ‘parda’.

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João Bosquo

João Bosquo, poeta e jornalista, editor deste blogue NAMARRA.COM.BR nas redes sociais: @joaobosquo

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  1. Clovis Matos disse:

    Meu caro, Bosquo, bom dia!

    Pardo soa mais ou menos como a cor do burro que fugiu. Não define nada.