Exposição virtual ajuda professores a contar história das ferrovias paulistas

texto de Elaine Patricia Cruz

Com a intenção de ajudar os professores a contar a história das ferrovias paulistas aos seus alunos, o Arquivo Público do Estado de São Paulo lançou a exposição virtual Ferrovias Paulistas. Pela internet, os professores terão acesso a plantas, correspondências, cartazes, fotos e documentos que mostram a criação e o desenvolvimento das ferrovias em São Paulo e a sugestões pedagógicas de como esse material pode ser trabalhado com os alunos dentro da sala de aula.

“Há documentos diversos: plantas, correspondências, cartazes, fotos. Eles foram reunidos em ambientes ou grupos e, para cada um deles, há propostas de atividades pedagógicas. A ideia é mostrar a diversidade de documentos em cima de um tema como esse e as possibilidades de exploração didática em sala de aula”, explicou Carlos de Almeida Prado Bacellar, coordenador do Arquivo Público, em entrevista à Agência Brasil.

O documento mais antigo sobre as ferrovias paulistas e que faz parte da exposição virtual é uma foto da primeira estação da Companhia Paulista, inaugurada na cidade de Rio Claro (SP) em 1876. A exposição é composta por 162 documentos, que mostram a importância das ferrovias para o desenvolvimento econômico do estado.

Entre as propostas sugeridas para debate em sala de aula estão as greves envolvendo o setor. “Temos preocupação em levantar questões que normalmente os livros didáticos não abordam. Por exemplo: trabalhamos a questão da formação dos trabalhadores da ferrovia e as greves. Não se mostra somente a ferrovia do lado patronal, como a história da ferrovia e sua expansão, mas também o lado do servidor que trabalhou ali dentro e dos problemas que houve. Queremos mostrar o lado mais humano, do trabalhador”, disse Bacellar, acrescentando que o material não é restrito aos professores, podendo ser consultado por qualquer pessoa.

As ferrovias paulistas surgiram em 1867 e foram criadas em função do café. “A ferrovia surgiu como grande solução para equacionar o problema do frete. Esse mecanismo de transporte de grandes volumes permitiu que a cafeicultura se espalhasse por territórios mais ao oeste [do estado], ou seja, mais distante do Porto de Santos. Havia interesse da classe dos cafeicultores, que eram muito próximos do governo, de que o Estado colaborasse na implementação desse novo meio de transporte, que permitia a grande expansão da cafeicultura e, em consequência, o enriquecimento do estado”, explicou Bacellar.

As ferrovias começaram a perder espaço como principal meio de transporte de cargas no país durante a República Velha, quando o governo passou a defender e priorizar o transporte rodoviário. “Washington Luís, último presidente da República Velha, tinha como lema ‘governar é construir estradas’. Isso foi fortemente acelerado na década de 50 com o governo Juscelino Kubitschek. Nessa década, houve uma opção política por incentivar a industrialização do Brasil e isso passou pela implementação da indústria automobilística”, disse Bacellar. Como os recursos não eram suficientes para investir nos dois meios de transporte, destacou, as ferrovias passaram a perder espaço.

Além de apresentar um histórico das ferrovias, o material apresentado pelo arquivo do estado na exposição permitirá discutir a situação atual do transporte ferroviário. “A ferrovia que temos hoje precisa de investimento. Mas ela custa caro. Os traçados mais antigos precisam ser retificados porque eram muito tortuosos, já que quando foram construídas as primeiras ferrovias elas atendiam aos interesses dos cafeicultores”, lembrou.

Atualmente, segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), a malha ferroviária brasileira voltada para o serviço público de transporte de carga tem mais de 29 mil quilômetros de extensão, com participação de cerca de 20% na matriz de transporte do país.

Os documentos e as propostas pedagógicas sobre a exposição estão disponíveis no site http://www.arquivoestado.sp.gov.br/exposicao_ferrovias/

 

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