Festa na Academia Mato-grossense de Letras: Aclyse Mattos é eleito para a cadeira 3

A escolha do novo acadêmico aconteceu neste sábado, 17, em reunião da entidade na Casa Barão de Melgaço

Este repórter com o escritor, em selfie de 2015

Aclyse Mattos, eleito para a cadeira 3 da Academia Mato-grossense de Letras,  se auto define como poeta nas horas cheias e professor nas horas vagas. Calcular essas horas, se elas são mais cheias ou mais vazias, não tem como. Não existe uma métrica precisa para saber se o poeta é decassílabo ou se o professor é prosa livre, ou vice-versa, ou se os dois estão misturados ao ficcionista criador de contos, compositor aprendiz, músico, ex-líder de um sexteto e, claro, pai, marido, cidadão cuiabano nascido na Cidade Verde de 57 anos atrás. Com o novo membro a Academia Mato-grossense de Letras (AML) se rejuvenesce ainda mais.

O escritor romancista, contista e poeta, também membro e ex-presidente da AML, Eduardo Mahon, festeja o novo colega acadêmico e diz que “uma eleição na AML é uma dupla vitória: a primeira, do candidato que tem a obra reconhecida e será lembrada sempre: a segunda, da própria Academia que continua priorizando a literatura como critério de ingresso. Precisamos cada vez mais de poetas, cronistas, contistas e romancistas para continuar com uma instituição legitimada pelo amplo respaldo popular e dos estudiosos de literatura que temos em Mato Grosso”.

Aclyse Mattos teve como primeiro endereço, vamos assim por dizer, a Rua Treze de Junho, embora tenha morado dois anos em São Paulo. O pai, Gabriel de Mattos Filho, engenheiro agrônomo, com o golpe civil militar de 1964 (embora alguns direitistas digam revolução) volta para Cuiabá a pedido da avó de Aclyse. Já que não se sabia como iriam ficar as coisas.

Ainda nessa questão de endereço, Aclyse Mattos teve uma coleção. Tanto é que chegou a escrever um poema “Autorruagrafia” de todas as ruas que já morou. Numa pincelada rápida, lembra que já morou na Comandante Costa, antiga Rua da Fé, Pedro Celestino, Antônio Maria, Getúlio Vargas e Dom Bosco, entre a Joaquim Murtinho e Barão de Melgaço.

Retomando a trajetória. Em São Paulo, além de estudar, formou uma banda de música e começou a compor as suas canções. Esse é um caso bem atípico já que todos os cuiabanos vão para o Rio de Janeiro. Essa cultura é bom explicar, antes dos aeroportos, das estradas de asfaltos, o meio de transporte era o rio, descendo o Cuiabá, até o Rio Paraguai, chegando no Rio Paraná, contornando Montevidéu, deságua no Atlântico daí até a Capital Federal era um pulo.

Aqui em Cuiabá estudou violão, com Mestre Isaac, sax com Mestre Bolinha, integrando a banda de música da Escola Técnica. Esse estudo, meio que forçado, se deve ao fato que o pai, Gabriel Mattos, entre os irmãos era o único que não sabia tocar nenhum instrumento. Esse aprendizado, porém, teve um senão. Aprendeu tocar lendo direto da partitura nunca teve a prática de solfejo. Quando chegou na faculdade havia a prática do ditado. A professora tocava um trecho e os alunos tinham que passar para a partitura e aí começava o drama de Aclyse. “Eu apanhava, nem sei como conseguia passar de ano”, conta. Ele acredita que esse estudar música fortaleceu ainda mais o lado poético.

Tranca o curso, muda-se, seguindo a tradição cuiabana, para o Rio, onde mora 14 anos e lá tem uma história de ruas – que está no poema – e vai formar a banda de música, o sexteto “Peça Original em Concerto”.

Integravam a banda os irmãos Ângelo Mário, o Maíto, e Gabriel Mattos Neto e mais três cariocas. Além das músicas próprias o conjunto tocava músicas de jovens compositores cuiabanos como Adérito Pinheiro, Euclides, Alex Matos e Luizinho, até essa carreira musical ser rifada, por uma profissão mais estável para poder casar.

Assim vieram os livros: “Assalto a mão amada” (poemas) – que foi lançado em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Cuiabá; “O Sexofonista” (contos), “Papel Picado” (poemas de três versos), “Natal tropical” (infantil), “Quem Muito Olha a Lua Fica Louco” e finalmente “Festa”, o mais recente.

Participaram da eleição de Aclyse Mattos, a presidente Marília Beatriz de Figueiredo Leite, Sueli Batista (secretária),José Cidalino Carrara, Nilza Queiroz Freire, Sebastião Carlos Gomes de Carvalho, Tertuliano Amarilha, Martha Cocco, Agnaldo Rodrigues, Olga Maria Castrilon Mendes, Benedito Pereira, Benedito Pedro Dorileo, Wanderlei Reis, Moisés Martins, Amini Haddad Campos, Cristina Campos, Fernando Tadeu, Lucinda Nogueira Persona, Avelino Tavares, Ivens Cuiabano Scaff e Eduardo Mahon.

 

 

 

João Bosquo

João Bosquo, poeta e jornalista, editor deste blogue NAMARRA.COM.BR
nas redes sociais: @joaobosquo

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