Fora da Grande Área do Poema – uma imitação de soneto de João Bosquo

Eu nunca quis ser volante, cabeça de área
Não desejei, jamais, jogar na defensiva
Como um beque desajeitado. Exclamação.
Nunca me vi, sonhei ou cogitei-me Felizardo*

Em minhas visões no Dutrinha fui Bife,
Artilheiro, goleador, driblador até a meta,
Função maior de todos os centroavantes,
Sem resquício de pena ou dó dos arqueiros

Mas, sem talento, não cheguei a gandula
Fiquei na arquibancada arquitetando rimas
E nunca se cumpriram em nenhum verso

Faltou o ritmo, junto com a musa, a poesia,
O equilíbrio nas metáforas de querer ser
Jogador, sem precisar edificar o poema.

><>: *Na versão original, primeira, escrevi Beckenbauer, de Franz Beckenbauer, mas imodesto, na véspera de mandar para a gráfica, optei por Felizardo, que com Severino fez uma das maiores duplas de zaga do Mixto E.C., até a agora o segundo (o primeiro é o Botafogo) no coração torcedor. 

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João Bosquo

João Bosquo, poeta e jornalista, editor deste blogue NAMARRA.COM.BR nas redes sociais: @joaobosquo

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