Frente a frente com a juíza Selma Arruda, Permínio Pinto diz que seu “erro foi a omissão” ao permitir instalação do esquema de arrecadação de propinas na Seduc

O ex-secretário de Educação do Estado do governo Pedro Taques, Permínio Pinto (PSDB) – preso pelo Gaeco na primeira fase da operação Rêmora deflagrada em maio deste ano, para combater fraudes em licitações e contratos administrativos de construções e reformas de escolas da Secretaria de Educação de Mato Grosso (Seduc) – foi ouvido na tarde desta quinta-feira, 12 de dezembro, pela juíza Selma Arruda, da Sétima Vara Criminal de Cuiabá e confessou participação – mas não a liderança – no esquema de fraudes que acontecia na sua pasta.

Permínio Pinto inicia sua narrativa contando que, antes mesmo tomar posse como secretário, em dezembro de 2014, foi procurado pelo empresário Alan Malouf, sócio do Buffet Leila Malouf, que se apresentou como avalista de sua indicação como secretário de Educação, antes mesmo de ser comunicado pelo Gabinete de Comunicação. “Ele me recebeu no escritório dele, se apresentou, disse que tinha sido o coordenador financeiro das eleições de 2014 e tinha participado da minha indicação para a Seduc. E aí, já como secretário, ele voltou a me procurar para ir ao escritório dele, anexo ao Buffet, e assim eu o fiz”.

Foi nesse segundo encontro, segundo Permínio, já como secretário, que Alan Malouf o apresenta ao empresário Giovani Guizardi. Ele falou dos “investimentos” na campanha eleitoral de Pedro Taques.

“Ele me apresentou ao Giovani Guizardi, fez algumas ponderações, inclusive que tinha feito ‘investimentos’ consideráveis na campanha e que precisava ser ressarcido. Nesse mesmo dia, ele e o Giovani me apresentaram um plano para que o Giovani pudesse procurar os empresários prestadores de serviço da Seduc e pedir a eles parte dos seus lucros”.

Na sua narrativa, Permínio Pinto, ainda renitente em participar do esquema, “disse a ele que tinha muito medo, estava na vida pública há mais de 20 anos e nunca tinha participado de nenhum esquema, e que as pessoas o ‘tinham como referência’, mas ele me garantiu que isso seria feito de forma discreta e que eu seria preservado”.

Permínio disse ainda que chamou a atenção de Alan Malouf, porque eu tinha se especializado para ser secretário de Educação e tinha chances de ter uma trajetória política já para 2016 (candidato a prefeito) ou 2018 (deputado estadual). “Ele sabia desse meu potencial e se colocou à disposição para coordenar até a eleição que eu pudesse disputar”, declarou. Mas cometeu um erro, um “grande erro”, segundo suas palavras, “ao permitir que Alan Malouf e Giovani Guizardi fizessem o esquema de arrecadação de propina e fraudes nas licitações”.

“Meu erro foi a omissão. Eu sabia que o Alan tinha atuado como coordenador financeiro e que além de procurar espaços para prestar serviços, ele ia procurar empresários para ser ressarcido”.

“Eu permiti, omiti para que eles fizessem essas articulações que fizeram. Mas chamei a atenção deles para que não houvesse sobre preço nas planilhas. Tanto que chamei o Fábio Frigeri, sabendo da competência dele, e pedi para que vigiasse as planilhas para que não houvesse superfaturamento”.

Quando perguntado pela juíza Selma Arruda, se foi o governador Pedro Taques (PDSB) quem mandou Alan Malouf procurá-lo para recuperar as doações feitas na campanha ou se saberia se mesmo esquema acontecia em outras secretarias de Estado, Permínio implora. “Me perdoe doutora, mas eu não quero envolver ninguém, eu não tenho certeza, eu só quero falar de mim e do que eu fiz”.

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