Heitor Magno e a arte da manipulação

Com as mais diversas ferramentas, artista usa imagens das fotografias como tela

Este repórter em selfie realizada por Heitor Magno

Foto arte ou arte foto, não sei dizer direito, mas ela está no olhar, o jeito de olhar do artista plástico Heitor Magno, várzea-grandense que já tem trabalhos publicados – fotografias manipuladas – em catálogos, revistas e sites especializados pelo Mundo. Ele um dia pensou em fazer designer de moda na faculdade Cásper Libero em São Paulo, mas acabou seguindo essa tendência ao descobrir o nicho aqui mesmo na terra natal e daqui espalha sua arte para o mundo.

Os primeiros estudos foram no Colégio Coração de Jesus. Num mundo de antigamente, até a metade da segunda metade do século 20, os gêneros eram separados naquela escola. Meninos estudavam no Colégio dos Padres e as meninas no Colégio das Freiras. Lembrando os alunos de raiz estudavam na escola pública enquanto os nutellas iam para escola particular. Esses valores mudaram depois do golpe militar de 1964.

Voltemos ao nosso artista universal: o segundo grau foram nos cursinhos renomados até o vestibular em São Paulo. Foi em São Paulo que o jovem Heitor Magno começou a entrar em contato com as galerias de arte – que não são poucas, vamos combinar – e com esse olhar reciclado, digamos, volta para Mato Grosso e começa a trabalhar com fotografia em eventos, quando começou a descobrir nuances além do registro da reportagem fotográfica.

Heitor Magno

Essa decisão de trabalhar com a fotografia já tinha um rastro anterior. Heitor Magno conta que já fazia fotos, mas no seu retorno observou que aqui em Mato Grosso se precisava de alguém para trabalhar a fotografia de forma diferente. Ele começou a sonhar com a fotografia enquanto arte, criação artística. “Não sou o fotógrafo que vai até ao Pantanal, Chapada ou no interior para fazer uma foto para cartão postal. Eu uso a foto como uma tela em branco e passo a criar com arte digital em cima da imagem. E aqui em Mato Grosso não tinha ninguém que fazia isso”, conta.

Explica-se. Enquanto o repórter-fotográfico captura a imagem e depois trabalha alguns elementos com as ferramentas disponíveis, principalmente o Photoshop, para ‘limpar’ essa imagem, Heitor Magno usa as mesmas ferramentas para manipular, intervir artisticamente e podemos apreciar fotografias que nos lembram, por exemplo, um Salvador Dali.

Além das fotos enquanto tela, um dos artefatos usados pelo artista é a própria pintura, desenhos e que depois são fotografados e a partir daí nova intervenção digital com os softwares disponíveis.

Em 2012 aconteceu a primeira exposição individual do Heitor, “Nuances – Siriri e Cururu”, no Sesc Arsenal, sobre o siriri e cururu. Heitor Magno fora chamado para fotografar o evento e na seleção ele notou que algumas fotos não ficaram ‘boas’, fora de foco, distorcidas. Foram essas fotos que passaram pelo processo de intervenção digital para a exposição. Junto com a exposição ele realizou uma oficina, mostrando as técnicas de intervenções nas fotos-telas. Em 2013, participou do aniversário de Cuiabá com uma exposição sobre a cidade.

Em 2014 participa do livro sobre o corpo masculino editado em Nova York, com outros 10 artistas escolhidos ao redor do mundo. O convite para participar do livro aconteceu a partir da página no Flickr.com/photos/heitorm. Ainda pelo Flickr recebe o convite para uma exposição em Bruxelas. Em seguida participa do livro Antolook com 140 fotógrafos do mundo todo.

Em 2016, foi convidado para participar da exposição que marcou o retorno (eterno retorno) de Clóvis Irigaray, com a mostra “Irigaray: Arte Cidade”, na qual o artista foi o fio condutor de uma das mais significativas mostras do ano.

Agora, bem recentemente, acabou de ministrar uma oficina-curso no Sesc Arsenal, com participação de 20 alunos, sobre manipulação e fotografia.

O ArtPeople, site especializado na arte digital, que procura mostrar os novos artistas, talentos desconhecidos, tem o artista mato-grossense e descreve que o mesmo “usa a técnica de dupla exposição que permite clonar e aparecer ao lado de si mesmo em várias de suas fotos, além de incorporar falhas em seus rostos para transmitir emoções desconhecidas e expressões invisíveis”.

Fundada em janeiro de 2001 até o presente, o ArtPeople oferece uma coleção de arte em uma variedade de mídias, incluindo pinturas acrílicas originais e esculturas além de fazer o link com a rede social para artistas, designers e clientes.

Ano passado, Heitor Magno ainda teve projeto aprovado pelo edital Circula MT quando realizou a mostra titulada “Santuários-Pelo Olhar de Heitor Magno”, que circulou por municípios como Santo Antônio do Leverger, quando além da exposição realizou oficinas ensinando a sua técnica.

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João Bosquo

João Bosquo, poeta e jornalista, editor deste blogue NAMARRA.COM.BR nas redes sociais: @joaobosquo

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