João de Deus, a FEB e os espíritas: “não julgueis para não ser julgado”, por Marcos Villas-Bôas

Marcos de Aguiar Villas-Bôas | A prisão de João de Deus tomou repercussão enorme, tendo sido discutida em todo o Brasil e até fora dele. Sob um ponto de vista, todos os acontecimentos em torno dela vêm servindo como motivadores de conversas a respeito de temas como espiritualidade, espiritismo, religião, mediunidade, cura e outros, o que é muito bom para expandir o conhecimento das pessoas acerca deles.

As visões espirituais em dimensões de consciência mais expandida vão muito além das compreensões médias dos humanos encarnados. Esta terceira dimensão, na qual se encarna num corpo físico muito denso, é de consciência bastante limitada, não sendo possível, em regra, compreender nem de perto os fins que os guias espirituais têm por detrás dos acontecimentos.

Todos os fatos recentes que cercam João de Deus têm promovido muita circulação de informações sobre espiritualidade e incentivado o aprendizado. Ao contrário do que pensam aqueles que querem apenas ver circular informações em acordo com o que pensam, os espíritos da luz sabem que o ganho de consciência, nesta fase de evolução, precisa vir muitas vezes pela divergência e em situações complicadas.

Os principais veículos nacionais vêm tratando do caso de João de Deus ao longo de semanas e deram espaço a instituições e pessoas do meio espiritualista para que se manifestassem. Essa movimentação pode ajudar muitos a ganhar mais consciência e, por conta disso, resolvemos apresentar aqui uma humilde e pequena contribuição.

É muito provável que o “estouro” da situação de João de Deus tenha acontecido neste exato momento devido a ele ser crítico para o ganho de consciência da população mundial, considerando que estamos a alguns meses da chamada “data limite” (19 de julho de 2019) e de ser completado o ciclo de sete anos iniciado em 2012 que intensificou em muito a aceleração cármica.

Tudo isso, portanto, está dentro das programações da luz, daqueles que direcionam o planeta a partir do plano espiritual. Não há razão para a perda de fé que muitos estão demonstrando. Alguns têm questionado até mesmo a mediunidade de João de Deus, pois, na sua espremida visão dualista, não seria possível que alguém acusado de tantos crimes pudesse ser um médium de cura assessorado por espíritos.

É muito importante ter consciência de que espíritos sábios, encarnados ou desencarnados, não julgam os seus irmãos de jornada, nem se afastam simplesmente porque eles estão transgredindo a Lei. Quando isso se torna grave, se não está ainda na hora de algo como uma prisão ou um desencarne acontecer, os guias da luz se afastam e outros menos elucidados assumem, o que pode ter sido o caso. Esses espíritos menos elucidados não são necessariamente terríveis, maléficos, trevosos ou algo do tipo. Como entre os encarnados, há espíritos em todas as faixas de vibração.

A extraterrena pleidiana chamada Shellyana, que se manifesta por meio da médium Mônica Medeiros, médica e pesquisadora experiente, afirmou em evento recente que os fenômenos praticados por João de Deus eram verdadeiros e que cabe a cada um aguardar a atuação da lei humana e da Lei divina.

Deve-se esperar as investigações, pois, segundo a lei humana no Brasil, antes de uma sentença transitada em julgado o indivíduo conta com a presunção de inocência, apesar de que o STF decidiu ir contra o texto expresso da Constituição Federal de 1988 ao prender pessoas, sem caráter preventivo, cujas sentenças não haviam ainda transitado em julgado, ou seja, não tinham passado por todos os graus do Judiciário com o esgotamento dos recursos e declaração expressa do fim do processo.

A rigor, a imensa maioria da população tem pouco a ver com João de Deus, mas muitos se acharam no direito de julgá-lo, condená-lo etc., em lugar de deixar que a lei a humana e a Lei o façam. Mesmo as pessoas supostamente ofendidas de modo direto não deveriam focar em palavras duras contra ele ou em sentimentos densos, pois a própria Lei pede que sejamos misericordiosos com nossos irmãos.

Ao jogar a sua insatisfação sobre o outro de forma não amorosa, aquele se julga vítima, ou defensor de uma vítima, já passa a ser também algoz. Isso não significa que todos devem ser sempre submissos, omissos, apagados. É possível colocar-se com firmeza e amor incondicional ao mesmo tempo, dando limites ao que parece ser injustiça. Age-se para evitar ou conter a injustiça, e não para externar as próprias densidades sentimentais e emocionais quando se vê outro fazendo algo que se julga feio. Importante lembrar que aquilo que mais incomoda é quase sempre o que está dentro de cada um.

O amor incondicional, quando realmente existe, permite que vejamos tudo como aprendizado e uma maior consciência a respeito de como funcionam as leis cármicas e de afinidade permite compreender que ninguém passa por nada que não estivesse vibrando primeiro, então, aos olhos de Deus, a consciência suprema, ninguém é vítima. Não se está a dizer que, no que toca aos fatos materiais, pessoas que tenham realmente sido assediadas tenham necessariamente culpa. É preciso compreender o tema sob diversos níveis de consciência, todos utilizados ao mesmo tempo, que podem parecer contraditórios inicialmente, mas, na verdade, conciliam-se em paradoxos.

Tão acostumadas a sentir raiva, criticar e julgar com dureza, a exigir dos outros que sejam como querem e assim por diante, é muito difícil para a imensa maioria das pessoas compreender que ninguém é vítima e que o mal é apenas uma ilusão. O dualismo pregado pelas religiões, pautadas no bem e mal, Deus e diabo, colabora muito para que as pessoas entrem na ilusão do mal que deve ser julgado e condenado.

Deus é o amor pleno e incondicional. É o bem irrestrito, mas um bem diferente daquele compreendido pela maioria dos humanos. O mal pleno, por outro lado, não existe. Não há algo que possa se contrapor a Deus, pois ele é tudo, está em tudo, até mesmo nos que acham que são seus inimigos, sendo apenas uma questão de mais tempo ou menos tempo para que descubram isso.

Muitas vezes, pelo fato de o próprio indivíduo estar vibrando aquilo, o bem (o aprendizado) vem por meio da dor e do sofrimento. Se João de Deus é culpado dos crimes de que é acusado, ele apenas foi instrumento divino para levar àquelas pessoas, que são consideradas vítimas na visão e na lei humana do país, aquilo que já estavam vibrando. O objetivo é o mesmo: permitir-lhes aprender a amar mais e expandir as suas consciências.

Isso não quer dizer que João de Deus não transgrediu a lei humana e a Lei. Esse é um tema complexo, cuja compreensão depende de se sair dos dualismos e reducionismos. Se ele realmente assediou alguém, feriu ambas as leis e consequências advirão daí. Na visão da lei humana, ele é culpado e deverá ser punido, talvez com prisão.

Na visão da Lei, não há culpa, nem punição. Ele deverá passar por situações que possam lhe dar o aprendizado necessário a não mais gerar os mesmos tipos de pensamentos, sentimentos, emoções e comportamentos que transgrediram a Lei, como invadir o livre-arbítrio do outro no âmbito sexual valendo-se de fraude. Essa é uma mudança de perspectiva que pode parecer sutil a muitos, mas de grande importância para o amor incondicional e para o aprendizado de todos.

Do lado daquelas que são consideradas vítimas na visão humana, não há injustiça, pois apenas é permitido a alguém transgredir a Lei quando o outro ligado àquele acontecimento está vibrando a necessidade de um aprendizado daquele tipo. Se as supostas vítimas de João de Deus não estivessem vibrando aquilo, nem teriam ido lá ou ele não teria a oportunidade de realizar os supostos assédios. Repita-se: isso não quer dizer que tenham culpa sob um ponto de vista criminal ou mais humano encarnado, nem quer dizer que não mereçam o amor incondicional de todos, o devido amparo psicológico etc. Sobre ninguém ser vítima, vale a pena ler diversas mensagens dos mestres ascensionados sobre o tema, como no Diálogo com os Espíritos n. 704, realizado com o mestre El Morya Khan.

Se concluíssemos que alguém passa por algo injustamente do ponto de vista da consciência suprema, estaríamos dizendo que Deus, o todo, é injusto. Essa compreensão diminuta é o que causa a perda da fé por muitos. Em verdade, nunca tiveram um grau elevado de fé, que é uma confiança irrestrita na consciência suprema e na sua Lei, algo que só vem com grande expansão de consciência.

A maioria das pessoas tem apenas uma fé religiosa, pautada em dogmas que geram ilusões e, ao se depararem com situações difíceis, perdem-na rapidamente, pois não construíram uma fortaleza interior, com equilíbrio emocional e domínio de si, decorrentes normalmente do autoconhecimento e do autodesenvolvimento obtidos, por exemplo, por meio de meditação e terapias.

Não é de surpreender, assim, que tantos espíritas tenham julgado João de Deus e corrido para afirmar a todos que ele não é espírita, inclusive a Federação Espírita Brasileira. Antes disso, não se tinha conhecimento de críticas tão duras realizadas pela FEB ou mesmo pelas federações espíritas estaduais ao trabalho dele, que durou algumas décadas.

A nota publicada pela FEB tem pontos muito positivos, como o de orientar a não serem feitos julgamentos precipitados e discursos de ódio, o que tem acontecido amplamente nas redes sociais por obra de espíritas ou não; mas, parte do conteúdo da própria nota já não seria um julgamento? A nota tem o cunho de afastar João de Deus do espiritismo, como se a FEB fosse a intermediária capaz de afirmar quem é espírita ou não.

Em lugar de apenas estimular a expansão da consciência e do amor, a FEB assume a posição de muitas outras instituições religiosas, como se estivesse excomungando João de Deus, o herege. A situação era exatamente a mesma: pessoas que se diziam católicas ou que eram tidas por católicas precisavam ser declaradas publicamente não católicas para proteger a instituição e a sua interpretação das palavras de Deus. Nessa linha, muitos médiuns de cura foram acusados de bruxos e bruxas, excomungados e/ou queimados na fogueira.

Esse é o ponto 1 da nota da FEB: “O médium João de Deus não é Espírita. Suas práticas não estão dentro das atividades do Espiritismo que não adota rituais e não tem como objetivo principal a cura de corpos físicos e sim o melhoramento moral da humanidade.” Os centros espíritas, quase sempre, têm prece de abertura, palestra doutrinária, prece de encerramento, passes e ingestão de água fluidificada, mas, para dizer-se acima das outras religiões, a FEB e muitos espíritas alegam que não fazem rituais. Rituais podem ser úteis ou inúteis. Fazer ou não ritual não é o ponto.

Muitos podem até não compreender o que acontece quando a FEB solta uma nota como essa pelo fato de o inconsciente coletivo aceitar que instituições sejam as “bocas” da religiosidade e digam qual é a palavra de Deus e dos espíritos. Qual foi o ganho de amor e consciência para a humanidade a partir da nota da FEB?

O que se vê ali, no geral, é uma instituição tentando se proteger e blindar a doutrina religiosa da qual está à frente, exercendo o poder, pelo fato de que as acusações contra João de Deus, que são muito graves, estavam levando muitos a questionarem a existência de espíritos e, dentro desse caminho, o próprio espiritismo, que é muitas vezes confundido como “A doutrina dos espíritos”, algo para que a FEB contribui em várias ocasiões.

A declaração da FEB de que médiuns em destaque ou que trabalham sozinhos não seriam espíritas para evitar a vaidade é algo tacanho. A vaidade surge em qualquer situação, sobretudo nos grandes grupos, porque ela consiste em estar em destaque em meio a outras pessoas. A busca pelo poder, por ser um orientador dos demais, por ser mestre, por emitir declarações dizendo o que é e o que não é a respeito de questões muito além do nosso plano dimensional, também pode ser dirigida pela vaidade, e normalmente é.

A mesma ação pode ter vibrações muito diferenciadas. Tudo depende da forma utilizada e dos fins que se pretende atingir. Como frequentemente é difícil sabermos os fins das pessoas, julgar faz ainda muito menos sentido e tende a gerar injustiças. Ao julgar para diminuir, desprezar, pedindo punição com raiva etc., já se fere a Lei.

Alguns vão talvez afirmar que o autor deste texto está, então, julgando a FEB e os espíritas, como já aconteceu em decorrência de textos passados, mas a vibração aqui não é essa. A intenção é incentivar a reflexão acerca dos rumos que o espiritismo e outras religiões tomaram, apesar de se julgarem muito diferentes das demais, quando não superiores.

Os inúmeros benefícios gerados pelo espiritismo são inegáveis na visão do autor, mas as limitações de consciência e outros malefícios também parecem inegáveis, motivo pelo qual é interessante pensar em como evoluir cada vez mais.

Dentro da concepção da FEB de que médium não pode se destacar, nem trabalhar sozinho, ou não estaria comungando com a doutrina de Kardec, os médiuns do Dr. Fritz também não seriam espíritas, assim como quaisquer outros médiuns que terminam se destacando por serem instrumentos de espíritos eficientes na cura. Todos os encarnados têm algum grau de vaidade. O muito vaidoso não deve ser tido por um herege, pecador, alguém que deve ser afastado. Ele é apenas mais um irmão em fase de aprendizado.

Como o próprio Dr. Fritz chama atenção nos inúmeros Diálogos com os Espíritos realizados com ele, muitos dos espíritas, sobretudo no caso da poderosa FEB, se perdem na sua vaidade de achar que sabem qual é a visão dos espíritos, já caindo na ilusão de pensar que ela seria apenas uma, além de que quererem determinar como todos os outros devem agir para que possam receber a alcunha de espírita.

Se as colocações da FEB e de parte dos espíritas fossem realizadas, ao menos, nos moldes de “essa é a nossa interpretação, que não precisa ser a de outros”, haveria mais fraternidade e humildade nelas, mas a nota tem um caráter de declaração vinda do Vaticano, que define o que é certo e o que é errado em termos de espiritismo, e quem é e quem não é espírita.

A instituição espírita repete equívocos da instituição católica e de outras instituições religiosas. Essa postura é tão equivocada quanto a de palestrantes e médiuns espíritas famosos que gostam de dizer qual a visão espírita sobre determinado assunto, e não qual a visão dele próprio a respeito de como o espiritismo entenderia aquele assunto.

No caso deste autor, fique bem claro que ele não é mestre, orientador, nem boca dos espíritos; não se pretende melhor, nem pior do que qualquer outro; não quer doutrinar, nem convencer ninguém de nada. Trago aqui apenas reflexões, que podem ser utilizadas por cada um como melhor entenderem.

Na minha visão, deveria caber à FEB apenas divulgar livros e organizar eventos. Não há que existir uma instituição para aclarar o que é espiritismo, o que é ser espírita, quais casas e quais médiuns poderiam ser considerados espíritas etc. Isso sempre foi daninho na humanidade e termina reduzindo o espiritismo ao que um grupo dirigente da instituição acha, ou alguém pensa que não existiriam interpretações bem razoáveis das obras de Kardec diferentes daquelas da FEB?

João de Deus é um ser humano como qualquer outro, nosso irmão de aprendizado e tem também as partículas divinas dentro de si. Sabidamente ele curou milhares de pessoas, inclusive de doenças tidas por incuráveis pela medicina tradicional ou curáveis apenas por meios que causam males terríveis à própria saúde do paciente.

Outro equívoco da FEB, no meu entender, é desassociar a cura do corpo físico por um médium incorporado da cura moral, pois, como lembra Dr. Fritz nos Diálogos com os Espíritos, ele é apenas a isca. Com a cura do corpo físico e o fenômeno mediúnico, muitos céticos terminam acreditando que são espíritos e que não morrem, assim como muitos espiritualistas passam a sentir-se mais atraídos pelos ensinamentos vindos dos planos espirituais. O objetivo nunca deve ser tornar alguém adepto de uma religião, mas consciente de que está encarnado temporariamente para uma experiência de aprendizado em direção ao amor incondicional, a mais consciência, o que muda completamente a nossa visão acerca de quase tudo.

João de Deus pode ter cometido atos contra a lei humana e contra a Lei. Tem livre-arbítrio para isso e responderá por isso. Quase tudo podemos, mas nem tudo nos convém. Não há porque ele ser enxovalhado, expurgado, separado do que é ou não espírita, ou qualquer outra coisa.

Como temos dito neste e em outros textos, a FEB e parte dos espíritas repetem o que fizeram outras religiões, mas isso é natural, uma vez que o inconsciente coletivo é muito forte, assim como os gatilhos subconscientes decorrentes de vidas passadas e atuais.

Se houvesse mais foco no amor incondicional e menos na defesa e difusão de uma doutrina segundo a interpretação de uma instituição, a nota da FEB, transcrita abaixo na íntegra, teria se iniciado talvez do ponto 3 e terminado no ponto 9. São muito úteis os itens que tratam da falibilidade humana e da manifestação de amor que é deixar a cargo da lei humana e da Lei divina julgarem qualquer pessoa.

Lembre-se: o que é imposto de cima para baixo fere o livre-arbítrio e, na maioria das vezes, estará ferindo a Lei. Além dos impositivos itens 1 e 2 da nota, o item 10, que dá a entender ser João de Deus um falso profeta, é também de se lamentar. Se ele perpetrava curas incríveis, como o próprio vice-presidente da FEB admitiu à Globo, tinha com ele espíritos trabalhando, e não era falso no que fazia em boa parte do tempo.

É curioso como é comum à FEB e a alguns espíritas atribuírem a alcunha diminutiva de “falso profeta” a qualquer um que aja contra os seus interesses e/ou entendimentos. Isso não seria contra a Lei também?

Obviamente que, se for mesmo culpado, os guias da luz não comungavam dos assédios, mas não é típico de espíritos sábios deixar para trás um encarnado que pode ajudar tantas pessoas pelo fato de ele cometer equívocos no meio da jornada.

Se o uso da mediunidade de João de Deus fosse muito focado em prejudicar pessoas, provavelmente ele teria sido deixado pelos guias da luz e talvez guias menos lúcidos tivessem tomado seus lugares, o que acontece frequentemente com magos negros, muitos dos quais pensam estar sendo assessorados por poderosos guias da luz, mas já estão há muito tempo presos a entidades ignorantes que, após o seu desencarne, os escravizam nos planos mais densos.

Se e quando isso aconteceu com João de Deus, é difícil para os encarnados saberem ao certo, motivo pelo qual todos deveriam seguir suas vidas buscando expandir o amor incondicional, a consciência, em lugar de gastar tempo criticando, julgando, gerando raiva, ódio, desprezo etc.

Se esse tempo todo fosse empregado na busca do autoconhecimento, em meditações e na oração que desperta a consciência suprema dentro de cada um, o planeta ganharia muito mais, ficaria muito mais difícil para os espíritos ignorantes atuarem e eles terminariam sendo levados à luz com mais rapidez.

Leia a íntegra da Nota veiculada pela Federação Espírita Brasileira sobre o polêmico caso João de Deus

Sobre o CASO JOÃO DE DEUS:

Considerando a repercussão nacional do CASO JOÃO DE DEUS o Centro de Estudos Espíritas “Nosso Lar” esclarece:

1. O médium João de Deus não é Espírita. Suas práticas não estão dentro das atividades do Espiritismo que não adota rituais e não tem como objetivo principal a cura de corpos físicos e sim o melhoramento moral da humanidade;

2. Nem todo médium é espírita. Os médiuns espíritas atuam dentro de critérios estabelecidos pelas obras de Allan Kardec e enraizados no Evangelho de Jesus;

3. Compete à justiça averiguar as acusações estabelecidas sobre as ações de João de Deus;

4. O Espiritismo, doutrina codificada por Allan Kardec, não foi abalado uma vez que está acima dos homens;

5. Todo ser humano está sujeito a quedas e falhas e responderá às leis humanas e divinas; desejamos que João de Deus se coloque à disposição da justiça para todos os esclarecimentos necessários, como compete a toda pessoa que se dedica ao bem, e que responda por tudo que lhe for imputado;

6. Convidamos a todos os Espíritas à confiarem em Deus e na justiça humana para que as autoridades competentes cuidem do caso;

7. A todos desejamos paz e continuidade do trabalho inabalável do Espiritismo pedindo a Deus que abençoe os corações que, laborando em nome do amor, erguem a bandeira da verdade;

8. Evitemos ainda, julgamentos precipitados e discursos de ódio de qualquer natureza e a quem quer que seja;

9. A justiça saberá agir de forma a estabelecer a verdade;

10. Aos espíritas lembramos sempre das orientações bíblicas: “Caríssimos, não acrediteis em todos os Espíritos, mas provai se os Espíritos são de Deus, porque são muitos os falsos profetas, que se levantaram no mundo”. (João, Epístola I, cap. IV: 1).

*Marcos de Aguiar Villas-Bôas é terapeuta holístico, consultor jurídico e político, escritor, palestrante, espiritualista universalista, praticante de meditação e amante do todo e de todos. Deixou a sociedade de um dos cinco maiores escritórios de advocacia do país, sediado em São Paulo/SP, para seguir seu sonho de realizar pesquisas em Harvard e em outras universidades estrangeiras, mas, após atingir muitos dos seus objetivos egoicos e materiais, percebeu, por meio da Yoga, de estudos e práticas espiritualistas sem restrições religiosas, que seus sonhos e missões iam muito além. Hoje busca despertar a consciência, o mestre dentro de si, e ajudar os outros a fazerem o mesmo, unindo o material e o espiritual, e superando todas as demais dualidades.

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