Jovens do Sistema Socioeducativo recebem certificados de qualificação

A formatura da primeira turma do curso Bandeja Cidadã, de capacitação de garçons e garçonetes do Sistema Socioeducativo de Mato Grosso, com entrega de certificados aos formandos, seguido de um jantar demonstração, aconteceu nesta sexta-feira (27.07), no auditório da Diretoria do Centro Socioeducativo, com a presença do secretário de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh-MT), Paulo Inácio Lessa, da juíza de Direito, Célia Regina Vidotti, ex-titular da Vara Especializada da Infância e Juventude, agraciada com moção de agradecimento.

O curso Bandeja Cidadã, de formação de garçons e garçonetes, segundo a gerente de Educação e Formação Profissional, Virgínia Maria, formou 19 jovens, sendo 17 garçons e duas garçonetes, com idade acima de 16 anos, numa parceria com Rede Cidadã e o Instituto Sociocultural Edson Ramos, que realizou o curso de 20 horas com o objetivo de proporcionar e fortalecer a resiliência, ou seja a capacidade do ser humano lidar com os problemas, superar as adversidades, como também de resistir às pressões de situações adversas, recuperar a autoestima, por meio da capacitação, qualificação e formação humana, com foco na família.

Virgínia Maria disse que o curso de garçom e garçonete também tem o objetivo de atender a demanda crescente do mercado. Com o advento da Copa do Mundo, em Cuiabá e Várzea Grande está-se investindo bastante na construção de novos hotéis e restaurantes. “Essa é uma profissão de fácil colocação no mercado”, analisa. Ela informa ainda que o próximo curso vai acontecer na Unidade Provisória do Pomeri, com jovens que estão detidos, mas não receberam sentenças.

O secretário Paulo Lessa, antes da entrega dos certificados aos participantes do curso, destacou também ato de entrega da moção de agradecimento para as pessoas e empresas parceiras que doaram instrumentos musicais para o projeto “Música e Cidadania”, que visa a formação de conjunto e uma banda de música, no complexo Pomeri.

O major Nivaldo José de Arruda, também instrutor da Rede Cidadã – Projeto da Polícia Militar, destacou que , no processo de ressocialização, além da qualificação existe uma preocupação em inserir o jovem no mercado de trabalho. A Rede Cidadã já manteve contatos com empresários e alguns dos jovens já estão empregados.

A Rede Cidadã também trabalha a questão da família. Segundo o major, a família tem que receber de forma diferente para quando o jovem retornar para o convívio familiar, e ainda a autoestima, para que não ocorra a reincidência.

O parceiro, garçom Edson Ramos, idealizador do Instituto Sociocultural, em um depoimento emocionado contou que na véspera da aposentadoria, começou a preocupar-se com aquilo que deixaria como legado e criou o instituto para trabalhar com adolescentes em conflito com a lei, dos quais já sentiu medo um dia, e hoje são amigos.

Antecedendo a formatura com jantar demonstração, servida pelos novos profissionais, tendo como ‘clientela’ parentes e amigos convidados para o evento, o secretário Paulo Lessa entregou aos doadores de instrumentos musicais para formação de conjunto e banda, como forma de reconhecimento, uma moção de agradecimento.

O projeto Música Cidadã foi idealizado pelo médico Marcelo Maia e contou com a provação da juíza Célia Vidott, a época à frente da Vara da Infância e Juventude, consiste na formação de instrumentistas – para o mercado de trabalho e até como lazer. Para que o projeto ande, necessitava de instrumentos. O médico Marcelo Maia, depois de aprovado o projeto, foi atrás dos possíveis patrocinadores, empresários que encontrou nas pessoas de Leopoldo Nigro, da Rede de Hotéis Mato Grosso; Milton Pechinin, da Marazul Veículos, no ato representado por Donizete Pires; e Guilherme Alves, da empresa Megasom, que vendeu os instrumentos a preço de custo, com redução integral da margem de lucro e doando outra parte. A juíza Célia Vidotti destacou que o trabalho com a música tem o caráter, além de qualificar, sensibilizar, de ajudar as pessoas a saírem da inércia.

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