Kleber Lima em seu primeiro contato com artistas e produtores culturais promete abrir as portas da SEC

Eduardo Mahon, que promoveu o encontro, com o cineasta Rodrigo Piovezan

Por João Bosquo | A primeira impressão é a que fica. A revisão, mais tarde, pode até mudar alguns pontos de vista, mas não todos, vamos combinar assim. O primeiro encontro do futuro secretário de Estado de Cultura, Kleber Lima, com parte da comunidade cultural, intelectual, pensante e discursiva em suas mais diferentes áreas – artes, audiovisual, literatura, enfim, e poética – regado com muita água e coca-cola, tendo como pano de fundo um jantar de apresentação no apê do escritor, acadêmico e polemista Eduardo Mahon, na noite desta quarta-feira, 27, foi a melhor possível. A promessa assumida pelo futuro secretário de abrir as portas, de fato, da Secretaria de Cultura e dialogar diretamente com os produtores culturais, artistas, poetas enquanto pessoas foi recebida com entusiasmo.

Explico esse entusiasmo. O legado do atual secretário, Leandro Carvalho, foi sem dúvida a criação do arcabouço legal. O denominado CPF, propalado em todas as falas e manifestações públicas do secretário. Ou seja, a aprovação dos projetos de lei do Conselho Estadual de Cultura, Plano Estadual de Cultura e Fundo Estadual de Política Cultural do Estado de Mato Grosso, além do Sistema Estadual de Cultura de Mato Grosso. Mesmo esse arcabouço encontra ainda hoje eventuais críticos. Salvou-se a pele dos gestores e muitos – e bota muito nisso – artistas ficaram a ver navios, principalmente por conta do agravamento da economia. Mas isso, parece, são águas que passarão.

Esse sentimento de alienação da gestão com relação aos verdadeiros anseios das diversas áreas de atividade cultural pode ser sentido no emocionado depoimento da poetisa, acadêmica e artista – como assim se qualifica, a escritora Luciene Carvalho. Ela questionou a mecânica imposta, na qual o intermediário – o gestor cultural – passou ser mais importante que o realizador, o artista.

Atentos a fala do futuro secretário de Cultura

Alguns presentes, claro, manifestaram surpresa com a indicação dele para a SEC. Kleber Lima reconheceu que em sua trajetória profissional e pública nunca atuou na área cultural. Sempre foi do jornalismo e marketing político, mas que estava disposto a ouvir e dialogar e já prometeu para o próximo dia 11, o dia seguinte à sua nomeação, na SEC, um café da manhã para ouvir e iniciar essa trajetória de diálogo em prol da cultura mato-grossense.

O anfitrião Eduardo Mahon comemorou a mudança na SEC. Segundo ele, o futuro secretário de Cultura é uma pessoa articulada e entende que o artista precisa ser empresário dele mesmo prescindindo de intermediário, mas para tal deve ter uma mão ajudando na construção dos projetos.

“Acredito que a formação política de Kleber Lima entende, compreende e é sensível para minoração da importância e do lucro dos intermediários da cultura. Acredito que não tem tempo para se fazer uma grande mudança conceitual, mas me parece que ela já entendeu que quem deve ser apoiado são os artistas. O conselho de Cultura, com a entrada de Kleber, vai se resignificar”, acredita Mahon. Ele também avaliou como positivo o encontro desejando sorte.

Maria Hercilia Panosso, professora de dança, manifestou por meio da rede social a “louvável” promoção do encontro por parte de Mahon. “Uma ação louvável, uma recepção extremamente bem cuidada, harmoniosa e principalmente: o respeito e a atenção aos artistas”.

O artista e teatrólogo Carlos Roberto Ferreira, o nosso eterno Carlinhos, também pela rede social, elogia a iniciativa de Mahon e deseja ao futuro secretário “muita coragem, paciência, pulso político, ousadia e sensibilidade cultural”.

Luciene Carvalho, Aclyse Mattos, Ivens Scaff, Cristina Campos, em registro self

Kleber Lima assume a pasta de Cultura, segundo ele mesmo anunciou, no dia 10 de janeiro. Esse prazo ele pediu ao governador Pedro Taques para fechar algumas pendências na GCom. Do jantar participaram nomes como Ruth Albernaz, Zilda Barradas, Ivens Scaff, Bruno Bini, Carlina Rabello Leite, Paulo Traven, Rai Reis, Alberto Beto Machado, Enock Cavalcanti, Cristina Campos, Rodrigo Piovezan, Ivens Scaff, Raul Lazaro, Kelson Panosso e Carla Rocha. A proposta do novo secretário é ampliar a audiência de forma a abranger todas as áreas de Cultura, cada vez mais ativas, em nosso Estado.

Share Button