Letras na Estrada – por Olga Maria Castrillon-Mendes

Por Olga Maria Castrillon-Mendes | Quem pensa que literatura só se faz com editores, livrarias e apoios externos, pode se surpreender com esta experiência que reúne um pouco de boa vontade e muito de humanidade.

Uma proposta de difusão da literatura brasileira produzida em Mato Grosso coloca as letras na estrada. Tendo como gênese o 1º Encontro de Escritores Cacerenses, promovido pelo Núcleo de Estudos Literários/Centro de Pesquisas em Literatura/CEPLIT/UNEMAT e o Instituto Histórico e Geográfico de Cáceres, em 2013, o evento local incorporou-se às propostas da Academia Mato-Grossense de Letras. Capitaneada pelo escritor Eduardo Mahon, os três últimos encontros reuniram, em Cáceres, Sinop e Tangará da Serra, centenas de alunos da graduação e da pós-graduação em Estudos Literários, além da comunidade escolar. Pelos positivos resultados, poderá se transformar num Programa Itinerante de Difusão da Literatura Local, a partir da força do coletivo emanada das Instituições.

Voltados para a produção e democratização do acesso ao livro e aos acervos, os escritores chegam ao leitor, compõem mesas de debates, lançam obras, falam sobre o ato da escrita, a emergência do diálogo leitor/obra/público, a literatura como veículo para pensar, dialeticamente, os problemas sociais e humanos. O jovem leitor é o alvo principal dos escritores. No devir que prenunciam é que reside a esperança de transformação das mentalidades e das atitudes individuais e coletivas.

Nesse propósito, a viagem estradeira (outras virão, com outros atores) esteve a cargo de três escritores: Cristina Campos, além de exímia pesquisadora da cultura, é poeta. Como cientista, estuda o sentido mítico pantaneiro. Mato Grosso para ela está nas entranhas das palavras, na forma como é dita, pensada, sentida. Nesse húmus poetou seu Bicho Grilo. Ao lado de Ivens Scaff, que lança Asas de Ícaro: versos de enamoramento e seus antônimos, estreiam em narrativas infanto-juvenis e atingem a essência do fazer poético. Eduardo Mahon, além de intelectual empenhado nas questões sociais, experimenta as nuances dos gêneros e não se apega a nenhum deles. Sua necessidade é tocar o leitor de tal forma que o incomoda na correta medida do verso ou da narrativa minimalista, como faz em Contos estranhos.

Os três desenham campos de produção singulares, ao mesmo tempo, díspares e harmoniosos, friccionados entre o tudo e o nada, mas simbólica e artisticamente tocados pelo que há de mais humano no leitor.

Por estas estradas sem-fim os resultados são imprevisíveis.

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Eduardo Mahon – cavaleiro andante da literatura, por Rubenio Marcelo

 

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