Literamato uma festa para o livro mato-grossense

O evento conta com participação de literatos e escritores locais e palestrantes de outros estados

A Literamato (Festa de Literatura de Mato Grosso) que começa no próximo dia 19, quinta-feira, e irá até o domingo, 22, no Centro de Eventos Pantanal – só pra provocar – não é nenhuma Literamérica. Mas, sem dúvida nenhuma, será um grande evento, talvez o maior evento dos últimos anos voltado para as letras, com participação de escritores – de vários matizes como teatro, cinema, música, artes plásticas e, claro, a literatura e o livro, no qual todas as letras perenizam.

O propósito – segundo os realizadores de forma bem piegas no site do evento –  é “gerar uma experiência inesquecível e positiva relacionada a literatura” lembrando sempre que “as letras vão muito além do livro e do que pode ser impresso nos papéis e nas telas. Com elas é que se compõem as músicas. O teatro, o cinema e a televisão não existiriam se não fossem estruturados sobre os roteiros e textos de onde saem a magia que vemos nos palcos, nos filmes e nas salas das nossas casas. As artes plásticas e as artes digitais se valem das histórias, escritas ou contadas, para inspirar as telas, quadros, fotos e instalações que tanto encantam”.

Fica o dito pelo não dito e vamos à programação e o elenco de palestrantes que irão dar vida a este evento, cuja solenidade de abertura acontece às 18 horas do dia 19, com as presenças de autoridades, como de praxe. O evento, porém, tem início antes, às 14 horas, com a oficina do Livro ao Palco, com Juliana Capilé; seguindo-se do espetáculo “A Donzela Guerreira”, baseada no conto de João Guimarães Rosa, com a Cia Mundu Rodá, de São Paulo, no auditório Borboletas, o mesmo das oficialidades. Enquanto isso, no Pavilhão, as atividades na área de teatro e artes plásticas.

Na parte literária, propriamente dita, acontece o laboratório de worldboilding, que é a construção de cenário para ficção científica. Demorei pra entender a razão, mas aceitei quando me lembrei do livro “Budapeste”, romance de Chico Buarque, que nunca tinha estado na capital da Hungria, mas a usou como pano de fundo, utilizando-se de mapas e fotografias, sempre precisar ‘inventar’ nada. Na sequencia, no Espaço Criança, tem contação de histórias e para fechar a noite – neste segmento – o painel Literatura de Vanguarda em Mato Grosso com as escritoras, professoras e doutoras Cristina Campos e Olga Mendes.

Na parte do cinema, com Patrícia Oriolo, teremos a oficina de roteiro: Como começar a escrever para cinema, TV e internet. Enquanto na música acontece a oficina Poética Musical, com Magno Mello .

No segundo dia, sexta, 20, a programação é uma continuidade das oficinas, nas mesmas salas e instrutores, mas na parte da literatura já acontecem varias atividades, como palestras, audiências e painel, como Identidade e escrita do autor indígena, com Cristino Wapixana  e Marcelo Mahuari ; A importância da literatura para a crítica social, com Paulo Lins  e Flavia Helena ; Audiência Pública: Plano Estadual de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas, tendo como mediadora Waldineia Almeida, e A literatura brasileira e o livro hoje, com Luiz Ruffato , Stella Maris Rezende , Marta Cocco . Na parte musical, enfim, num palco externo, shows com Caio Mattoso e Geraldo Espindola.

No sábado, 21, continuação das oficinas, e as diferentes palestras e audiências na Literatura, como Oficina de Escrita Criativa, com Luiz Renato; A Cabeça dos Novos Autores, com Marcelo Maluf , Sheyla Smaniotto , Lucas Rodrigues , Santiago Santos ; Formando leitores na escola e em casa e Caminhos para aproximar crianças e jovens dos livros, com Illan Brenman ; Literatura de ficção científica e fantasia brasileira, com Dr. Fábio Fernandes  e Eduardo Mahon ; Leitura e Acessibilidade: Como leem as crianças com deficiência?, com Wanda Gomes  e Marcino Oliveira ;  painel A literatura brasileira e o livro hoje, com Luiz Ruffato , Stella Maris Rezende , Marta Cocco . Na parte musical Show Fábulas, com Caixa de Brinquedos e Show Dilúvio, com Dani Black , ambos no palco externo. Dentro da programação oficial a entrega da premiação do 2º MT Literatura e lançamento da terceira edição.

Dentro da programação oficial, acontece a entrega do 2º Prêmio MT de Literatura, cujos ganhadores são: Categoria Poesia – “Gênero, Número, Graal”, de Luiz Renato e “Entraves”, de Divanize Carbonieri. Categoria Prosa – “Os mesmos”, de Teodorico Campos de Almeida Filho, “O assassinato na Casa Barão”, de Marcelo Leite Ferraz; “Contos do Corte”, de Afonso Henrique Rodrigues Alves e “As intermitências da água”, de Fernando Gil Paiva Martins. Categoria Infanto-juvenil – “Papo cabeça de criança travessa”, de Maria Cristina de Aguiar Campos e “Mundo dos sonhos – O ferreiro e a cartola”, de Victor Hugo Machado dos Anjos. Categoria Revelação – “Nu”, de Helena Werneck dos Santos e “Tikare: alma de gato”, de Alexandre Marcos Rolim de Moraes.

Agora vamos abrir um parêntese, pois merece. Na sequência acontece o lançamento do 3º Prêmio MT de Literatura. \o/ Viva! Urra!, mas, peralá. No último dia 10, a SEC disponibilizou em seu site, para participação popular, a minuta do regulamento para  que o “Interessados possam ter acesso ao conteúdo e contribuir com críticas e sugestões até o dia 30 de outubro”.

Como? O lançamento será no dia 20, ainda com o regulamento sendo debatido pelos interessados ou a participação popular é apenas um ‘faz de conta’.  Este repórter, que também escreve seus versos, irá contribuir e desde já apresenta sua sugestão de que o capítulo da contrapartida, com obrigatoriedade de publicar as obras seja suprimido. Prêmio é prêmio e recebedor do prêmio deve gastar com aquilo que lhe aprouver, ou na mesa de bar tomando todas, ou – sei lá – na reforma da casa.

A SEC não pode alegar que não disponibiliza de recursos. Basta, simplesmente reduzir a premiação, de R$ 30 mil pra R$ 20 mil, e com os R$ 100 mil abrir uma licitação pra ver qual editora (tem que ser editora mesmo) topa lançar os 10 livros por esse valor e a editora dirá o formato se brochura ou capa dura, se papel sulfite ou papel jornal, pois ela sabe os custos.

No último dia teremos, na parte de teatro, Dramaturgia mato-grossense contemporânea, com Juliana Capilé, Tatiana Horevich, Anderson Lana e Marilia Beatriz; nas artes a fala Um passeio da literatura no campo das artes Plásticas, com a sem papas na língua, Aline Figueiredo. Na área da literatura, a palestra Literatura nas Escolas, com Luiz Renato, Odair Moraes e Aclyse Matos. Depois uma Conversa de Criança, com Niara Terena, autora de “Amor Essencial” e o painel Poéticas Contemporâneas, com Marli Walker, Luciene de Carvalho, Ivens Scaff e Lucinda Persona.

No capítulo Cinema acontece a Sessão de cinema e papo com roteiristas e pra fechar Show Paulo Monarco e 5 a Seco .

Porque lembramos da Literamérica, lá no início?  Porque nós cuiabanos, temos o triste hábito, desde Miguel Sutil e Pascoal Moreira Cabral de sermos o primeiro.

A Literamérica tinha um propósito mais amplo, de promover o intercâmbio cultural entre todos os países da América do Sul, na primeira edição, em 2005, teve-se a participação de oito embaixadores, sendo que 13 países representados. Embora tenham realizadas duas edições em anos seguidos, a ideia era fazer uma bienal. Embora na segunda edição tenha a visitação de mais de 200 mil pessoas, o governador de então – pra economizar – mandou cancelar o evento. Um evento que promovia o nome de Cuiabá, Mato Grosso de forma positiva, portanto gerador de renda pelo turismo. Mas…

O escritor João Carlos Vicente Ferreira, então secretário de Cultura, nos contou que “a ideia era de fazer com que a feira acontecesse de dois em dois anos, em Cuiabá e de dois em dois anos em outro país da América do Sul, ou mesmo uma cidade brasileira, com esse nome: Literamérica, por conta de que foi Mato Grosso que iniciou essa proposta, pelo fato de sermos o Centro Geodésico da América do Sul”.

Recentemente tivemos em Chapada dos Guimarães a FLIC – Festa Literária de Chapada dos Guimarães, que acreditamos deve continuar receber todo apoio – não só da prefeitura local, mas também da prefeitura de Cuiabá. Os gestores cuiabanos devem lembrar que, quanto maior o sucesso de um evento realizado em Chapada, mas turistas Cuiabá recebe, pois, vamos combinar novamente – a capacidade hoteleira chapadense não é das maiores.

IMPORTANTE 

><>Na tarde deste sábado, 14, os organizadores publicaram no site do evento uma lacônica nota de CANCELAMENTO

Em virtude de questões técnicas e operacionais, e com o intuito de fazer a melhor festa literária de Mato Grosso, a Casa de Guimarães informa o adiamento da Literamato, que seria realizada de 19 a 22 de Outubro, em Cuiabá. O evento acontecerá no início de 2018 e a data será informada em breve.

Este blogueiro e Meu Peixe estamos apurando para saber a verdade dos fatos. Esta matéria, como de praxe, também seria publicada no DC Ilustrado, na próxima terça, véspera do evento.

Acreditamos que é muito, muito estranho um can14celamento dessa magnitude praticamente momentos antes da largada inicial. (14/10/2017, às 22h)

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João Bosquo

João Bosquo, poeta e jornalista, editor deste blogue NAMARRA.COM.BR nas redes sociais: @joaobosquo

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