Ministério Público pede que Polícia Federal aprofunde investigações sobre vazamento de questões do Enem

Amanda Cieglinski

Para o Ministério Público Federal no Ceará (MPF-CE) o relatório da Polícia Federal (PF) sobre a investigação do vazamento das questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) não é conclusivo e novas diligências precisam ser feitas para que seja oferecida a denúncia. Na semana passada a polícia pediu o indiciamento de dois funcionários do Colégio Christus, de Fortaleza, por envolvimento no vazamento de 14 questões cobradas no Enem de 2011.

De acordo com nota divulgada pelo MPF, a procuradora da República Maria di Ciero avaliou que as investigações precisam ser aprofundadas para “formar um juízo de valor apto a oferecer uma denúncia lastreada em elementos mais convincentes”. Por meio de uma apostila distribuída pela escola, os alunos do Christus tiveram acesso antecipado a 14 questões que foram cobradas na prova de outubro. A PF concluiu, depois de dois meses de investigação, que os itens vazaram da fase de pré-tese da qual a escola cearense participou, em 2010.

Um funcionário da escola contratado para trabalhar na aplicação do pré-teste teve acesso aos cadernos de prova e teria sido o responsável por copiar as questões. Já o professor foi o responsável por distribuir aos alunos a apostila que continha os itens aplicados no pré-teste. Os dois foram indiciados pelo crime de estelionato e o inquérito encaminhado ao está agora com o Ministério Público Federal no Ceará.

Para a procuradora Maria di Ciero, “o acesso indevido à cópia dos cadernos do pré-teste por si só não tem a garantia de que as questões neles contidas figurariam na prova final”, argumentou. A prova do Enem é composta por questões que integram um banco de itens do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). Antes de entrar para esse banco, cada questão passa por um pré-teste, que avalia se o item é válido e qual é o grau de dificuldade.

Os alunos que participam do pré-teste são escolhidos aleatoriamente e, após responder ao caderno de questões, devolvem o material a que deve ser incinerado. Segundo o Ministério da Educação (MEC), 91 alunos do Christus participaram do pré-teste em 2010 e as questões foram copiadas de dois dos 32 cadernos de prova aplicados na escola.

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