Ministro da Igualdade Racial visita aldeia indígena de Formoso, é batizado como Paresi e recebe reivindicação da comunidade

Por João Bosquo de Tangará da Serra, MT | A comunidade da terra indígena de Formoso, município de Tangará da Serra, recebeu neste sábado (24.07) a visita do ministro-chefe da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Elói Ferreira de Araújo, e teve oportunidade de assistir ao ritual “Menina Moça” e ao batizado de 3 crianças indígenas – também ele sendo batizado como Paresi.

O ministro esteve acompanhado do presidente da Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt), Ronaldo Paresi, e do tenente-coronel Alessandro Mariano Rodrigues, superintendente de Assuntos Indígenas, representando o Governo do Estado. A terra indígena de Formoso, segundo Ronaldo Paresi, é habitada em média por 200 pessoas e viveu um momento de grande emoção com a presença do ministro. Elói Araújo conheceu a aldeia, e de modo especial a oca onde estava a jovem indígena, Vandessa, que participou do ritual Menina Moça, ela ficou trinta dias isolada, período no qual só manteve contato com os parentes mais próximos.

O ministro Elói Araújo disse que a experiência de conhecer o ritual e participar do batismo estava sendo uma experiência especial. Ele destacou que o Governo Federal vem caminhando num processo de preservação da cultura dos povos indígenas, aliado com as políticas públicas de assistência que beneficia as comunidades indígenas de um modo geral. O ministro foi o porta-voz do anúncio aos presentes da criação, por parte do Governo do Estado de Mato Grosso, de uma secretaria de Política de Promoção da Igualdade Racial e de Políticas Indígenas. De acordo com o ministro, com essa secretaria o Governo de Mato Grosso terá melhor acesso aos recursos voltados para a promoção da igualdade racial e de preservação das culturas nativas. Elói Araújo foi batizado Paresi, assim como também o tenente-coronel Mariano. “Ser batizado é um ritual de aceitação da cultura e um modo de ser aceito pelos povos indígenas”, destacou o tenente-coronel Mariano.

REIVINDICAÇÃO – As diversas comunidades indígenas que moram na região – representadas pelas Associações Halitinã e Waymare – entregaram um dossiê pedindo a reabertura da agência da Fundação Nacional do Índio (Funai) no município de Tangará da Serra. Segundo o vereador paresi Genilson Kezomae, enquanto a agência estava funcionando, depois de um processo de apaziguamento nas relações entre os povos indígenas e as demais comunidades, nunca mais houve nenhum problema. Agora, desde o fechamento da Funai, já houve tentativa de uso das terras indígenas para tráfico de drogas e alguns “madeireiros” estão tentando invadir a área indígena para extração de madeira ilegal.

O ministro se comprometeu em se inteirar da situação e de abrir um canal de conversão com o presidente da Funai, Márcio Meira. Elói Araújo conheceu o jovem Jucélio Paresi, que vai estudar Pedagogia – dentro da política fortalecimento e qualificação dos indígenas que já proporcionou, por exemplo, o curso de Formação de Gestores Indígenas, pela Faculdade Indígena Intercultural da Unemat. O ministro ainda tentou convencer Jucélio a fazer Medicina, mas decidido disse que ele vai ser professor e ensinar e preparar outros jovens para serem – aí, sim – médicos, engenheiros e advogados “que precisamos muito”, ressaltou.

A preocupação com a educação é permanente. A jovem Ivanilce, explicou inclusive que o ritual de Menina Moça, antigamente demorava até dois anos de isolamento das jovens, porém atualmente dura em torno de 30 dias, para que as meninas não deixem de estudar.

Este reporter o estudante Jucélio Paresi – Foto de Edson Rodrigues

><>Obs. A pedido dos próprios a grafia aqui é PARESI embora os dicionários continuam registrando pareci da etnia PARECIS.

 

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João Bosquo

João Bosquo, poeta e jornalista, editor deste blogue NAMARRA.COM.BR nas redes sociais: @joaobosquo

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