Mostra do Filme Livre chega a mais uma edição com proposta de incentivar produções independentes

Paulo Virgílio

Espaço aberto à produção audiovisual brasileira independente e ousada, tanto do ponto de vista estético como do ideológico, a Mostra do Filme Livre (MFL) chega à sua décima primeira edição exibindo 180 filmes, selecionados entre um número recorde de 801 inscritos de todas as partes do país. O festival foi aberto ontem  (29) à noite para convidados, e as sessões gratuitas vão desta quinta-feira (1º) a 22 de março, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio de Janeiro.

A mostra seguirá depois para Brasília, onde será apresentada pela primeira vez, e São Paulo, que já recebeu o evento em 2011. Os organizadores esperam atrair um público de cerca de 10 mil pessoas nas três capitais, nas sessões realizadas nos CCBBs e em cineclubes parceiros do projeto.

Criada em 2002 pelo cineasta e produtor Guilherme Whitaker, a MFL exibe longas, médias e curtas que fujam do lugar comum. A mostra abre espaço para filmes produzidos por conta própria, independentemente dos mecanismos de financiamento governamental, como as leis de incentivo. “Nós consideramos legítimos os filmes produzidos assim, com baixo orçamento”, explica um dos curadores do festival, Christian Caselli.

Outro diferencial é quanto à própria linguagem cinematográfica. “Nossa seleção não passa pelo filme ‘certinho’. A gente quer um outro tipo de versão, na verdade de subversão da linguagem narrativa. Isso é o que nos interessa”, define o curador.

Caselli reconhece que o conceito de “filme livre” que dá nome à mostra, ainda é objeto de discussão entre os próprios organizadores do evento. “Na verdade, eu acho que o nome do festival é uma grande provocação. Estamos há 11 anos pesquisando, a partir dos filmes que selecionamos, o que seria esse filme livre”, admite.

Segundo ele, o festival quer dar visibilidade aos filmes que não estão preocupados com o mercado, mas que sejam coerentes dentro do que o cineasta se propôs a fazer. A ideia, de acordo com o curador, é ampliar o leque para as mais variadas possibilidades cinematográficas. “Mais do que em cinema, pensamos em audiovisual, no que a junção desses dois sentidos humanos – o áudio e o visual – pode gerar em termos de expressão artística”, diz.

Este ano, a MFL tem como homenageado o cineasta baiano Edgard Navarro, que exibirá seu novo filme, O Homem Que Não Dormia, com previsão de entrar em breve no circuito comercial. No final do evento, haverá o debate Cinema de Borda ou Trash Mesmo, sobre esse tipo de filme, que ganha, nesta edição da mostra, seis sessões de curtas e longas.

A programação do festival está dividida em vários segmentos, alguns dedicados a curta-metragens, como Panoramas Livres e Outro Olhar, com sessões em vídeo. O Curta o Longa apresenta nove longa-metragens precedidos de curtas, enquanto Pílulas é voltado para filmes de até cinco minutos. Já Sexuada, como o próprio nome indica, é o segmento destinado a filmes de temática sexual, e Mundo Livre traz filmes feitos por brasileiros no exterior.

As senhas podem ser retiradas uma hora antes de cada sessão nas salas de cinema e vídeo do CCBB, localizado no centro do Rio. A programação completa está disponível no site www.mostradofilmelivre.com/12 .

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