Na Praça Ipiranga também foram realizadas as primeiras touradas havidas na cidade, sendo então transferidas em 1876 para a Praça do Alegre, depois denominada Campo D’Ourique, lembra Ubiratã Nascentes Alves

A HISTÓRICA PRAÇA IPIRANGA

Por Ubiratã Nascentes Alves | Face a todo arrepio que esta praça sofreu no decorrer do tempo e agora com a reforma em curso, necessário destacar seu relevante, histórico papel de coadjuvante na evolução da cidade. Ainda menino recordo das vêzes em que por ali passei, vindo da antiga rua Formosa – hoje Joaquim Murtinho. Seguia pela atual Travessa Des. Lobo – irmão de minha avó Amelinha, onde situava-se a vizinha rádio “A Voz do Oeste”, e atravessava a balançante pinguela indo buscar a marmita do outro lado do córrego da Prainha. Estas minhas reminicências, de um passado maior !

Mergulhando no tempo ainda no período do Brasil Colônia, é uma das mais antigas, era o local onde se faziam o enforcamento dos condenados, uma Bastilha Tupiniquim, que lhe valeu o primeiro nome … “Largo da Cruz das Almas”. Os julgamentos eram realizados por um magistrado que vinha de fora e aplicava a sentença para forca ou prisão, inexistindo tribunais de apelação … Havia até a crença dizendo que as pessoas ali enforcadas, continuavam assombrando moradores. Sendo a Prainha navegável neste período, pescadores vinham em suas canoas até o largo oferecer seus pescados, célula que incrementou a formação de um dos primeiros mercados da capital com a chegada de mais vendedores trazendo verduras frescas e outros alimentos.

O Grande Rubens de Mendonça, que tive o prazer de conhecer em vida, nos ensina que a inicialmente Praça Marquês de Aracati – João Carlos Augusto de Oeynahansen de Gravenburg, foi um baluarte memorável nas gestões da Capitania de Mato Grosso e seu 8º Capitão General. Dedicou no período de seu governo especial atenção com a saúde, levantou hospitais como o Nossa Senhora da Conceição – atual Santa Casa da Misericórdia, São José dos Lázaros, ainda uma sala de cirurgia e anatomia na intenção de fundar uma escola de medicina. Mais, implantou um Horto Botânico, além de uma Escola de Marinheiros e de construções navais. Finalmente procurou solucionar o abastecimento de água da capital, seria encanada e captada no ribeirão da Mutuca. Durante seu governo, findo em 27 de janeiro de 1819, Cuiabá galgou a categoria de cidade, registra o Visconde de Beaurepaire … “dele se fala com veneração e saudade.”

Merece registro é o fato que na frente da Praça, na atual rua 13 de Junho – antiga Cruz das Almas, ficava o casarão do Cel. João Poupino Caldas, caudilho de grande influência política, um dos líderes da matança de portugueses conhecida como “Rusga”, na noite de 30 de maio 1834. Morto em 1837 por uma bala de prata, em razão de prováveis perseguições efetuadas no passado.

Durante a presidência de Augusto Leverger – Barão de Melgaço, em1852 foi construído um grande casarão onde colocaram todos os comerciantes da feira que existia ao redor da praça. Com o advento da Guerra do Paraguai o grande prédio foi ocupado pela Guarda Nacional e ao findar, abrigou os soldados e pessoas infectados com a devastadora peste de varíola 1867/69, que ceifou metade da população de Cuiabá, depois sediou a Imprensa Oficial, hoje o “Poupa Tempo.”

Nesta Praça Ipiranga também foram realizadas as primeiras touradas havidas na cidade, sendo então transferidas em 1876 para a Praça do Alegre, depois denominada Campo D’Ourique. Nesse período, o governo da província através de uma lei propiciou a construção de um chafariz, sendo a água oriunda da Caixa D’Água Velha – 1882, cujo reservatório já colhia-a do rio Cuiabá, que aproveitando o declive, descia pela gravidade até chegar nessa prodigiosa fonte, objetivando ser distribuída nas residências da elite cuiabana. Até então, as águas consumidas pela população no geral eram oriundas de nascentes nas suas propriedades ou de poços, inoportunamente salobas. Neste período foram igualmente plantado palmeiras imperiais, tornando-se um local propício para encontros amistosos e distração das mais populares, destacando-se a pitoresa, única Gogó da Ema, que na atualida veio a ser tombada através da Lei 3.733/1999.

Ganhando nova vida, depois da reforma na Praça Alencastro iniciada durante o governo Mário Correia da Costa, o coreto lá existente foi então transferido em 1930 para a Praça Ipiranga, transformando-a em palco de inúmeras manifestações de cunho artístico-cultural, alegria do povo. Oportuno informar que este coreto foi construído na cidade de Hamburgo da Alemanha, adquirido pelo itendente municipal Avelino de Siqueira, e infelizmente após a remoção, as “bacias de cobre” que existiam no seu interior sumiram, como também os postes com “cabeças de leões”, ingleses.

Uma curiosidade merece registro, pois nesta calorosa cidade, o primeiro comércio de gelo era localizado em estabelecimento na frente desta praça, propriedade do Sr. Oriente Tenuta.

Restanos apenas clamar ao prefeito desta tranqüila e pacata Cidade Verde, conhecido pelo alcunha de “paletó furado”, que deverá estar as voltas na lâmina de um porreta impeachment, que zele como a um filho único de viúva honesta, da Praça, sofrido chafariz e do Gogó da Ema. Evitando-se assim, os surrupios e destruição, dos que jogaram no lixo a bela história de Cuiabá !!!

Ubiratã Nascentes Alves, membro da AML – cadeira nº 1

Namarra

Matérias, notas que nós (eu e Meu Peixe) gostaríamos de escrever e observações diversas.

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1 Resultado

  1. Ubiratã Nascentes Alves disse:

    PREZADO J. BOSQUO, GRATO POR PUBLICAR ESTE NOSSO ARTIGO, VALORANDO A PRAÇA Q É DO POVO, PORTANTO, NOSSA TAMBÉM.

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